Para Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, bitcoin é um pouco de “ouro de tolo”

Famoso por sua posição contrária ao bitcoin, o CEO do banco americano ressaltou que a criptomoeda não tem valor intrínseco e destacou que o ativo precisa ser regulamentado

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Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan

Não foram poucas as vezes em que o bitcoin foi alvo de comentários de Jamie Dimon. Em uma delas, em 2017, o CEO do J.P. Morgan disse que a criptomoeda era uma fraude. Quatro meses depois, em entrevista à Fox News, ele revelou que se arrependia de tal afirmação.

Em entrevista recente ao “Axios on HBO”, programa de entrevistas do portal americano Axios no canal HBO, Dimon voltou a ser questionado pelo apresentador Jim VandeHei a respeito da moeda digital. E deixou claro que sua opinião está muito mais próxima daquilo que expressou há quatro anos.

“Eu acho que é um pouco de ouro de tolo”, afirmou Dimon, ao ressaltar que o bitcoin não tem valor intrínseco. Ao mesmo tempo, o executivo destacou que a criptomoeda precisa ser regulamentada pelo governo.

“Você não pode regular tudo o que um banco faz em termos de movimentação de dinheiro e não regular o que você chama de dinheiro”, afirmou, em uma referência à moeda digital. “Você pode chamá-lo de título ou ativo ou algo parecido. Mas se as pessoas estão usando para evasão fiscal, tráfico sexual e ransomware, será regulamentado, goste você ou não”, observou.

Em maio deste ano, durante em evento com CEOs promovido pelo jornal The Wall Street Journal, Dimon já havia reforçado que “não era partidário do bitcoin”. “Eu não me importo com o bitcoin. Não tenho interesse nisso”, afirmou na ocasião. Mas ressaltou: “Os clientes estão interessados e eu não digo aos clientes o que fazer.”

Como parte dessa premissa, em agosto deste ano, o J.P. Morgan passou aos seus clientes da área de gestão de fortunas acesso a fundos de criptomoedas, tornando-se o primeiro banco dos Estados Unidos a seguir essa direção.

O bitcoin não foi, no entanto, o único tema abordado durante o programa na HBO. Quando questionado sobre o seu futuro, Dimon disse que adora vinho, sair com a família e viajar. “Mas também gosto de ter um propósito. E meu propósito é o J.P. Morgan. Gosto de fazer isso e vou fazer isso até o dia da minha morte”, afirmou.

Ele destacou que o J.P. Morgan mantém negócios em 100 países e reservou críticas ao governo chinês. “Acreditamos nos direitos humanos e no livre mercado. Acreditamos no sistema capitalista. E isso é totalmente contrário à China”, disse.

No que diz respeito ao cenário político dos Estados Unidos, Dimon contou que foi bastante questionado em uma longa carta escrita por uma de suas filhas quando aceitou o convite para participar do conselho de negócios do ex-presidente Donald Trump.

“E eu respondi dizendo: você acertou tudo, exceto a conclusão. Martin Luther King encontraria o presidente Trump todas as vezes para lutar por seu povo”, afirmou. E acrescentou, quando incitado pelo apresentador a fazer uma comparação entre Trump e o atual presidente americano Joe Biden.

“É impossível compará-los. Gosto da civilidade de Joe Biden”, observou. “O presidente Trump é muito diferente sozinho do que quando está em público. Joe Biden é o mesmo.”

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