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A segunda onda do coronavírus chegou. E agora?

Confirmando os temores das últimas semanas, países como França e Alemanha registraram um aumento expressivo de infecções e anunciaram a volta dos lockdowns. Com as medidas, as bolsas de valores em todo o mundo despencaram e o mercado tem de novo pela frente um cenário incerto

 

No fim de fevereiro, a Covid-19 começou a cruzar fronteiras até alcançar, nas semanas seguintes, o status de pandemia. Em uma velocidade diretamente proporcional à sua propagação, o vírus impôs uma agenda de quarentenas e trouxe sérios impactos a vidas, negócios e países em todo o mundo.

Passados oito meses do início da crise, a economia global vinha se dividindo entre os primeiros indícios de recuperação em alguns países e os temores sobre o recrudescimento no número de casos do novo coronavírus. E esta quarta-feira trouxe a confirmação de que essa segunda onda chegou.

A partir da Europa, diante de uma nova escalada no número de infecções na região, o dia foi marcado por anúncios que trouxeram de volta a dura realidade vivida durante os meses mais agudos da pandemia.

Na França, o presidente Emmanuel Macron decretou um novo lockdown, que entrará em vigor na sexta-feira, 30 de outubro, e se estenderá até, no mínimo, 1º de dezembro. Com 36,4 mil casos novos casos no país nas últimas 24 horas, a medida incluirá bares, restaurantes e comércios não essenciais, além da adoção do home office e da proibição de viagens.

Já na Alemanha, que registrou 14,9 mil infecções nas últimas 24 horas, a chanceler Angela Merkel anunciou uma quarentena parcial. O lockdown terá início na segunda-feira 2 de novembro, e valerá, a princípio, até o fim de novembro.

As duas decisões seguem medidas semelhantes que vêm sendo avaliadas e adotadas em países como Espanha e Itália nas últimas semanas. E, ao confirmar os temores sobre uma segunda onda, precipitaram um dia marcado por fortes quedas nas bolsas de valores em todo o mundo.

Em Frankfurt, na Alemanha, o recuo foi de 4,17%. A mesma tendência foi registrada nas principais bolsas da região: Paris, 3,37%; Milão; 4,06%; Madri, 2,66%; Londres; 2,55%; e Lisboa, 2,23%. E se alastrou por outros países, como os Estados Unidos, onde o índice Dow Jones despencou 3,34%, o S&P 500, 3,52% e a Nasdaq, 3,73%.

No Brasil, não foi diferente. O Ibovespa fechou a quarta-feira com uma retração de 4,25%, para 95.368,76 pontos. Essa foi a maior queda percentual registrada desde o mês de abril. O dólar comercial, por sua vez, encerrou o dia com alta de 1,31%, a R$ 5,7599. Pela manhã, a cotação chegou ao patamar de R$ 5,79, o que levou o Banco Central a fazer um leilão da moeda americana.

“A volta dos lockdowns causa uma aversão ao risco muito grande”, diz Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos. “Não há como prever qual será a extensão dessa segunda onda, o que gera apreensão nos mercados.”

Ele observa que hoje o mundo tem muito mais conhecimento para lidar com o coronavírus e seus efeitos do que há oito meses. Mas ressalta que as medidas emergenciais e os pacotes de auxílio implantados em boa parte das economias deixam os países ainda mais fragilizados nessa nova onda.

“Foi injetado um volume substancial de recursos nas economias e os países elevaram muito as suas dívidas”, afirma Bertotti. “E essa situação é ainda mais grave para países como o Brasil, que tem ainda menos recursos e mal saiu da primeira onda.”

Em meio à temporada de balanços, esse cenário afetou, sem distinção, todos os ativos na B3. A Cielo, que divulgou seu resultado do terceiro trimestre na terça-feira, após o fechamento do pregão, liderou as perdas com uma queda de 11,66%, seguida por CVC, com 9,88%; e Azul, com 9,58%.

“Mesmo com a indústria reagindo aos poucos, o Brasil já vinha enfrentando problemas por conta de fatores como a falta de componentes decorrente da pandemia”, diz Bertotti. “E pelo fato de ainda ser muito dependente de importações, pode sofrer mais nesse novo contexto, especialmente com o impacto do dólar.”

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