Negócios

A Stone levou a Linx, mas pagou quase R$ 700 milhões a mais do que pretendia

Acionistas da Linx aprovaram venda para a Stone. Mas, na briga pela empresa de software, André Street teve que gastar muito mais do que imaginava. Culpa da Totvs, de Laércio Cosentino

 

A novela da Linx parece ter chegado ao seu capítulo final. Em assembleia de acionistas, nesta terça-feira, 17 de novembro, os acionistas da Linx aprovaram a venda para a Stone.

Na assembleia, os votos favoráveis ao negócio representaram 97 milhões de ações, sendo que os fundadores da Linx, que tem mais de 20 milhões de ações, votaram a favor. Os contrários somaram 34 milhões de ações. Para ser aprovada, era necessário a maioria das ações registradas, que foram 138,8 milhões de ações, considerando-se as abstenções.

“Estamos muito felizes com o resultado da assembleia”, disse Thiago Piau, CEO da Stone, em teleconferência com jornalistas. “É hora agora de olhar para frente.”

Os acionistas da Linx também votaram a favor de a Stone não precisar entrar no Novo Mercado, da B3, para concluir o negócio – a Stone é listada apenas na Nasdaq. Apesar da vitória da Stone, a empresa fundada por André Street teve de suar bastante para conseguir fechar o negócio. E, principalmente, teve que gastar bem mais do que imaginava.

Da primeira oferta pela Linx, em 11 de agosto, até a que foi aprovada hoje, a diferença é quase R$ 700 milhões. Quando anunciou o acordo de compra, o preço inicial, incluindo valor em dinheiro e em ações, era de R$ 6,04 bilhões.

A Stone subiu hoje pela segunda vez sua proposta e o valor chegou a R$ 6,7 bilhões – R$ 270 milhões a mais só hoje. “Desde o começo tentamos ser técnicos sobre o valor intrínseco da Linx. Os acionistas ficaram felizes”, afirmou Piau, sobre esse aumento de valor de última hora.

E o motivo disso tem um nome: a Totvs, de Laércio Cosentino. Como disse uma fonte com quem o NeoFeed conversou. “A Totvs cumpriu bem o seu papel de atrapalhar o negócio e fazer a Stone pagar mais caro.”

Não está claro quais são os próximos passos da Totvs a partir de agora, que fez uma proposta de R$ 6,1 bilhões – a maior parte em ações. A desenvolvedora brasileira de software tem marcado uma assembleia, para o dia 27 de novembro, onde iria pedir aprovação de seus acionistas para o negócio da Linx.

A assembleia da Totvs tinha o objetivo de mostrar ao mercado que seus acionistas estavam comprometidos com o negócio da Linx. Mas não tinha nenhum efeito prático, pois a oferta da companhia não chegou a ser considerada pelo conselho de administração da Linx.

A Stone agora precisa da aprovação da transação pelo Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que deve demorar entre três meses e seis meses, na avaliação de Piau. “Estamos muito confiantes que vamos ter a aprovação dessa transação.”

Negócio polêmico

A oferta da Stone desde o começo foi polêmica por conta dos valores do acordo de não competição que seriam pagos aos fundadores da Linx.

Tanto que a Stone teve que alterar os termos. Na segunda versão, os valores do acordo de não competição dos fundadores da Linx, Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan, foram reduzidos em até 40%.

De acordo com os novos termos, o acordo foi também estendido de três anos para cinco anos. Alberto Menache, que é CEO da Linx, receberá R$ 19 milhões por ano (R$ 95 milhões no período completo).

Ele também receberá R$ 5 milhões por um contrato de um ano de trabalho com a Stone. Antes, o acordo previa R$ 15 milhões por três anos. Ao fim do primeiro ano, o contrato pode ser renovado.

Os outros dois fundadores receberão valores menores pelo acordo de não competição. Nércio Fernandes terá um pacote de R$ 15 milhões por ano (R$ 75 milhões nos cinco anos) e Alon Dayan, R$ 3 milhões por ano (R$ 15 milhões).

Na primeira proposta, os três receberiam somados R$ 305 milhões por um período de três anos.

(Reportagem atualizada às 20h21)

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