“A única saída é vacina, vacina e vacina”, diz Marcelo Silva, do IDV e do Unidos pela Vacina

Marcelo Silva, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e um dos coordenadores do Unidos pela Vacina, explica a situação que o grupo tem encontrado nos municípios do País e os próximos passos do Movimento

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No início de fevereiro, o movimento Unidos pela Vacina, encabeçado pela empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, foi lançado ao lado de grandes nomes do capitalismo com a meta de ajudar a acelerar a vacinação no Brasil.

Executivos como Paulo Kakinoff, CEO da Gol; Walter Schalka, da Suzano; Nizan Guanaes, fundador da Nideias; Chieko Aoki, CEO da rede de hotéis Blue Tree; João Carlos Brega, CEO da Whirpool na América Latina, e outros pesos-pesados da economia fazem parte do projeto.

Marcelo Silva, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), também está nesse time e tem feito a ponte entre o Movimento e o Governo Federal. O Unidos Pela Vacina, diz ele, já mapeou a situação em 1.541 municípios brasileiros. O cenário encontrado até agora é preocupante.

“Há uma falta de estrutura nos municípios. Faltam seringas, agulhas, geladeiras, batas”, diz Silva ao NeoFeed. Mas o Movimento, que já conta com a participação de cerca de 1 mil empresários, executivos e profissionais liberais, está trabalhando para acelerar a entrega de suprimentos.

O Unidos pela Vacina tem organizado um plano de distribuição ao lado dos poderes públicos e, para isso, conta com o apoio de uma extensa malha formada pelos transportadores que atuam no varejo. As companhias aéreas Gol e Azul também estão nesse plano.

Paralelo a isso, o grupo prepara uma campanha nacional para conscientizar a população da importância da vacinação. “Temos de acabar com esses mitos de chip e mais não sei o quê. Isso não existe. A gente tem de vacinar. Enquanto não vacinarmos a maioria da população brasileira, não vamos sair desse problema”, diz Silva. Acompanhe os principais trechos da entrevista:

Qual é o propósito do movimento?
Ajudar a acelerar o processo de vacinação. Queremos que toda a sociedade se engaje com a gente. Os poderes público, privado e movimentos que estejam acontecendo.

E qual é o diagnóstico que vocês já têm?
Há uma falta de estrutura nos municípios. Faltam seringas, agulhas, geladeiras, batas.

Como vocês estão mapeando isso?
Com uma pesquisa através do Instituto Locomotiva, do Renato Meirelles. É um questionário num aplicativo, fácil de preencher as demandas de cada município. Estamos conversando também com os secretários estaduais e os governadores para entender quais são os gargalos. E tudo de acordo com o plano nacional de imunização.

Quantos municípios vocês já conseguiram mapear?
A última posição que tive dava conta de mais 1.541 municípios mapeados. E temos um movimento muito importante de fazer campanhas.

Que tipo de campanhas?
Vamos fazer campanhas em redes sociais para conclamar a população a se vacinar. Os mais velhos, todos. Temos de acabar com esses mitos de chip em vacina e mais não sei o quê. Isso não existe. A gente tem de vacinar. Enquanto não vacinarmos a maioria da população brasileira, não vamos sair desse problema. Porque aí vem as cepas, as variantes e aí não saímos desse ciclo vicioso.

“Temos de acabar com esses mitos de chip em vacina e mais não sei o quê. Isso não existe. A gente tem de vacinar”

As fake news estão atrapalhando muito? Você falou de as pessoas acreditarem que tem chip na vacina…
Estão e as pesquisas estão mostrando que tem muita gente nas periferias e nas favelas que acreditam nisso. Tem até uma pesquisa feita pela Central Única das Favelas (Cufa) que traz esse dado.

Mas o movimento vai participar da logística, ajudar na distribuição?
Estamos nos preparando, contatando empresas de transportes, empresas aéreas como a Gol e a Azul, e todos os transportadoras que trabalham com o varejo estão a nossa disposição. O gargalo maior é a vacina. Chegando as vacinas, temos condições de ajudar para acelerar. Um dos nossos lemas é não querer saber do passado, o que não foi feito não nos interessa. Agora, o que nos interessa é o daqui para frente.

Entendo que você não queira olhar para o passado, mas o presente é muito preocupante, aliás, os números são piores. Como você está vendo esse nosso presente?
Com imensa preocupação. Cada dia que passa, a gente fica mais angustiado em obter as vacinas. É a única alternativa para quebrarmos esse círculo vicioso.

Quando teremos as vacinas?
O comprador de vacina é o Ministério da Saúde. O nosso target é vacinar a maioria da população brasileira até setembro.

Do ponto de vista econômico, como está enxergando esse projeto?
A economia só vai deslanchar quando 70% da população estiver vacinada. Enquanto isso, vamos viver esse drama de fecha, abre, lockdown, abre parcialmente. A área de serviços é penalizadíssima. Bares, restaurantes, hotéis, lazer. Tudo isso é, absolutamente, prejudicado. A economia fica travada. Essa queda de 4,1% do PIB só não foi maior porque o auxílio emergencial ajudou muito o consumo.

Qual será o desempenho do PIB nesse ano?
Não quero ser pessimista, mas acho que o primeiro trimestre será prejudicado. Ninguém esperava que em janeiro, fevereiro e março tivéssemos um pico desse. Por isso que a vacina é necessária. A única saída é vacina, vacina e vacina.

Até quando você acha que vamos viver esse abre e fecha?
Nossa esperança é até o fim de março, mas tem experts falando que vai até abril. Depende muito da vacina.

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