Além do “mimimi”: Goldman Sachs aumenta salários de analistas após reclamações

Em março, um grupo de analistas iniciantes do Goldman Sachs reclamou da alta carga de trabalho, além da saúde física e mental. Agora, o banco de investimento segue rivais e aumenta salários para US$ 110 mil ao ano, um dos mais generosos pacotes do setor

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Em março deste ano, uma apresentação de 13 jovens analistas do banco de investimentos Goldman Sachs se tornou no assunto mais comentado de Wall Street. Na apresentação, o grupo reclamava da alta carga de trabalho durante a pandemia, que chegava a 95 horas por semana, com jornadas que duravam até às três horas da manhã e com apenas cinco horas de sono.

O documento,  entitulado “Pesquisa de Condições de Trabalho”, tinha 11 páginas e foi feito como se fosse uma apresentação a clientes. Nele, um dos gráficos mostrava que 77% deles acreditam ter sido “vítimas de assédio profissional”, além de reclamar do estado da saúde física e mental.

Na época, os comentários ficaram divididos. Alguns chamaram a reclamação dos jovens analistas de mimimi. Afinal, a vida em Wall Street é intensa e cheia de pressões. Outros viram um alento para mudar o ambiente altamente competitivo do mercado financeiro.

O fato é que cinco meses depois, o Goldman Sachs está aumentando os salários dos analistas mais jovens, se tornando o último dos grandes bancos de investimentos a fazer essa movimentação.

Os analistas em seu primeiro ano de trabalho ganharão um salário base de US$ 110 mil. No segundo, ele sobe para US$ 125 mil, segundo fontes do jornal Financial Times (FT). Antes, a média de salários desses profissionais no Goldman Sachs era de US$ 86 mil, segundo o Wall Street Oasis, um site que rastreia pagamentos.

Com esse aumento, os analistas em começo de carreira do Goldman Sachs terão um dos pacotes de remuneração inicial mais generosos do setor. Esses números não incluem bônus, que podem ser múltiplos do salário em anos de crescimento.

A decisão do Goldman Sachs, no entanto, não foi unânime na alta cúpula. Uma parte dos executivos argumentava que ao oferecer salários bases altos poderia abrir um precedente perigoso e atrair “mercenários” ao banco em vez de jovens ambiciosos e competentes, segundo o FT.

Mas o Godman Sachs teve de seguir os seus rivais, que aumentaram a remuneração base de seus analistas iniciantes. Na semana passada, o Morgan Stanley informou que os salários desse grupo passaria para US$ 100 mil ao ano – antes era de US$ 85 mil.

J.P. Morgan, Barclays, Citigroup e Bank of America, entre outros, também aumentaram a remuneração dos analistas para cerca de US$ 100 mil ao ano. Credit Suisse e Jefferies ofereceram ainda vantagens aos funcionários mais jovens, como até uma bicicleta ergométrica Peloton grátis.

Esses aumentos em todo o setor, no entanto, acontecem em um momento aquecido, com os bancos de investimento se beneficiando do aumento de fusões e aquisições.

Desde o ano passado, mais de 500 SPACs (special purpose acquisition companies), veículos que captam recursos na bolsa para comprar empresas e torná-la públicas.

A questão que se coloca é se essa movimentação da indústria financeira será suficiente para agradar os analistas iniciantes. Afinal, a principal reclamação feita por profissionais do Goldman Sachs era sobre as longas jornadas de trabalho e o esgostamento mental e físico.

Não é segredo para ninguém que salário é importante, mas não é tudo que faz com que um profissional esteja motivado em uma empresa.

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