Após aporte de 10b e Volpe Capital, Seedz faz primeira aquisição

A Seedz, dona de uma moeda digital do campo e de uma plataforma de fidelidade, está comprando a Atomic Agro, um aplicativo de planejamento de safra que conta 7 mil agricultores

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Daniel Rosa, da Seedz (à esq.), Bruno Matozo, da Atomic Agro (centro), e Mathes Ganem, da Seedz

A agtech Seedz, dona de uma plataforma de relacionamento e fidelidade voltada para as empresas do agronegócio e produtores rurais, está fazendo sua primeira aquisição desde que recebeu um aporte da 10b, uma das gestoras da SK Tarpon, e da Volpe Capital, em outubro deste ano.

A startup está comprando, em uma transação de troca de ações, a Atomic Agro, uma agtech focada em planejamento de safra, com mais de 7 mil produtores rurais cadastrados e mais de 2 milhões de hectares de safra planejada através de seu aplicativo.

“Com esses 2 milhões de hectares monitorados, os agricultores indicam que vão comprar mais de R$ 10 bilhões de insumos”, diz Matheus Ganem, cofundador e CEO da Seedz, ao NeoFeed. “O racional da transação é que queremos participar mais desse processo de tomada de decisão do agricultor.”

A Atomic Agro foi fundada em 2018, em Uberlândia (MG), por Bruno Matozo. A startup tem entre os seus investidores a Bee Cap, fundada por Bernardo Carneiro, Luciano Camargo Neves e Cláudio Brandão Silveira, ex-CFO da Energisa. A gestora participou recentemente de uma rodada de R$ 100 milhões na Origem, uma empresa de Brasília que fabrica motos elétricas para depois alugá-las.

“Desde o dia um, nascemos para atender o produtor rural dentro da porteira”, afirma Matozo. “Eu sei o que ele vai comprar e isso, por si só, gera demanda na ponta.”

Até agora, a Atomic Agro não tem um modelo de receita. Ela se focou em crescer sua base de agricultores. Com a transação, o aplicativo vai ser integrado à plataforma da Seedz, que é conhecida por ser a moeda digital do campo.

Ganem, da Seedz, diz que avalia outros negócios. O alvo são empresas que têm soluções para planejamento de safra e que ajudem os agricultores a tomar decisões. A agtech também vai atuar em serviços financeiros através da captação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para fazer empréstimos próprios aos agricultores.

O modelo de negócio da Seedz é misto. Uma parte da receita vem de uma mensalidade paga pelas empresas para usar a plataforma da startup e assim se relacionar com distribuidores, revendedores e produtores rurais. A outra é de uma companhia tradicional de fidelidade, como a Smiles – a Seedz vende sua moeda por um preço e faz a troca dos produtos e serviços por outro, ganhando no spread.

Desde que foi fundada, em 2017, por Gamem e Daniel Rosa, a Seedz atraiu 900 empresas, como John Deere, AgroGalaxy, UPL, Yara, Helm, Belagrícola, Yoshida, Cocamar, Fiagril e Agrex, entre outras. Na plataforma, estão também mais de 9 mil profissionais e cerca de 65 mil produtores rurais.

Com a transação, a Bee Cap passa a fazer parte da base de acionistas da Seedz. Além de 10b e Volpe Capital, já investiram também na startup a The Yeld Lab, um fundo americano focado em agronegócio que investe na América Latina (a TerraMagna é um de seus investimentos no Brasil), e a Tridon Participações, family office ligado à família Nishimura, dos fundadores do grupo Jacto.

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