Após três anos, receita da Cogna volta a crescer

Em entrevista ao NeoFeed, o novo CEO da Cogna, Roberto Valério, afirma que empresa está se recuperando dos efeitos da pandemia. O grupo voltou também a registrar 1 milhão de alunos matriculados em graduação, algo não visto desde 2015

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CEO da Cogna, Roberto Valério comemora resultados do primeiro trimestre

Quando Rodrigo Galindo deixou o comando da Cogna no começo do ano, ele entregou a Roberto Valério a missão de dar sequência à estratégia adotada pelo grupo de educação em 2020, de reforçar o digital, avançar no ensino de medicina e, por último, mas não menos importante, retomar o crescimento dos resultados e da rentabilidade do grupo.

Em sua primeira divulgação de resultado como CEO da Cogna, depois de comandar por oito anos a unidade de ensino superior Kroton, Valério trouxe como cartão de visitas ao mercado a entrega de resultados em boa parte dessas linhas. 

“Estamos super satisfeitos com os resultados do primeiro trimestre, com indicadores muito positivos em meio a um cenário de desemprego e inflação em alta”, disse Valério, ao NeoFeed. “O período marca a retomada do crescimento com rentabilidade.”

A Cogna voltou a registrar crescimento de receita em base anual após três anos. Nos primeiros três meses de 2022, ela subiu 6,4%, para R$ 1,17 bilhão. É a primeira vez que isso acontece desde o quarto trimestre de 2019.

Houve ainda avanço na rentabilidade, como pôde ser visto na linha do Ebitda recorrente, com a margem subindo de 29,3% para 34,1%, e o Ebitda crescendo 24%, a R$ 401,6 milhões. 

A companhia fechou o trimestre com um prejuízo líquido de R$ 13,1 milhões, uma redução de 61,3% em relação à perda no mesmo intervalo do ano anterior, com a melhora do desempenho operacional prejudicada pela linha financeira, pressionada pelo aumento da Selic e outros itens não recorrentes. Em termos ajustados, a Cogna teve lucro de R$ 55,3 milhões, aumento de 59%. 

Segundo Valério, os resultados mostram que a Cogna está se recuperando dos efeitos da pandemia e dos custos de transformar seu modelo de negócios que, entre 2015 e 2017, estava muito calcado no Fies, programa federal de crédito estudantil. 

A Kroton, responsável por cerca de 70% do resultado da Cogna, registrou um aumento de 22% na captação de alunos. Combinado com a redução de um ponto percentual na taxa de evasão, a 16,3%, a empresa atingiu a marca de 1 milhão de alunos matriculados em graduação no primeiro semestre, número que não era alcançado desde 2015. 

O grupo também registrou alta de 6,3% na receita com novos alunos, o que Valério atribui à melhora do perfil do público. “Nos últimos dois anos, fizemos uma série de esforços para melhorar a adimplência, tentando trazer alunos de melhor qualidade financeira e que estejam dispostos a cursar as aulas”, afirma o CEO da Cogna. 

Valério ressalta que a aposta no ensino a distância, um dos pilares do plano de reestruturação, também é um dos responsáveis pelo bom desempenho no período. Nos dois últimos anos, a Kroton registrou uma redução de receita principalmente em razão da mudança na base de alunos, que migrou do presencial para o híbrido. 

Diante desta tendência, a Kroton reduziu a quantidade de campi de 176 para 124 e aumentou os polos parceiros do ensino a distância, de 1.544 para 2.517, nos últimos 12 meses, que apresentam boas margens. 

O esforço resultou no quinto trimestre consecutivo de crescimento da margem Ebitda, que expandiu 4,3 pontos percentuais, chegando a 33,9%, com o Ebitda recorrente somando R$ 238 milhões, alta de 9%.

Apesar de a receita da Cogna ter crescido, isso não aconteceu com a Kroton. No primeiro trimestre, ela recuou 5%, em base anual, para R$ 701,8 milhões, mas a queda foi menos intensa do que no primeiro trimestre de 2021 (-19,2%) e que no quarto trimestre (-9,9%). 

Ainda que os números demonstrem melhora da situação, Valério vai seguir com o plano e as metas traçadas junto com Galindo e espera que a Kroton volte a ter crescimento de receita em 2023. 

“Nossa visão é trabalhar sem depender que o mercado e a economia cresçam”, diz Valério. “Estamos empilhando boa safra de captação de alunos atrás da outra, o que sustenta o crescimento de receita.”

Medicina e educação básica

A Cogna também conseguiu avançar em seus planos de crescer na parte de medicina e cursos de saúde. A chamada Kroton Med, considerada alavanca de crescimento para os próximos anos, dado o tíquete mais elevado do curso, atingiu um total de 556 vagas no primeiro trimestre, 87,4% da meta estabelecida para o ano. 

O resultado, de acordo com Valério, coloca a Kroton Med no caminho de atingir as projeções apresentadas a investidores em dezembro, de abrir 636 vagas até dezembro, com receita líquida de R$ 482 milhões e Ebitda recorrente de R$ 224 milhões. 

Já a Vasta, a empresa da Cogna que atua na venda de soluções para a educação básica, segue apresentando crescimento de receita e retomada da rentabilidade. Após uma série de cancelamentos de compras pelas escolas no ano passado, diante do fechamento das escolas em função da pandemia, ela voltou a registrar aumento de vendas com a retomada das aulas presenciais. 

A receita líquida da Vasta no primeiro trimestre atingiu R$ 380 milhões, crescimento de 35,5% sobre o mesmo período do ano anterior, com a adição de 843 novas escolas à plataforma na comparação com o ciclo de 2021, ultrapassando a marca de 1,5 milhão de alunos utilizando o sistema de ensino. 

Houve ainda um crescimento de 187 novas escolas na base de soluções complementares, crescendo em base de alunos 30% frente ao ciclo imediatamente anterior.

A expectativa de bom desempenho no primeiro trimestre fez com que as ações da Cogna fechassem o pregão desta quinta-feira, dia 12, com alta de 9,66%, a R$ 2,61. Com esse desempenho, os papéis passaram a acumular alta de 9,2% no ano, com o valor de mercado totalizando quase R$ 5 bilhões. 

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