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Céus turbulentos: operação brasileira embarca na recuperação judicial da Latam

A Latam Brasil havia sido excluída do pedido de proteção contra falência feito pelo grupo no Estados Unidos, em maio. Mas foi integrada hoje depois de não evoluir nas negociações de um pacote de ajuda do governo federal. Na recuperação, a companhia já captou US$ 2,2 bilhões junto a acionistas

 

No fim de maio, quando a Latam entrou com um pedido de proteção contra a falência nos Estados Unidos, dentro do capítulo 11 da lei americana, a Latam Brasil foi excluída do processo sob o argumento de que a operação negociava um pacote de auxílio com o governo brasileiro.

Depois de quase um mês sem notícias da ajuda que chegaria via BNDES, o grupo anunciou na manhã desta quinta-feira, 9 de julho, que a subsidiária brasileira foi integrada à recuperação judicial, que, além dos Estados Unidos, já compreendia as operações no Chile, no Peru, na Colômbia e no Equador.

Em fato relevante, a Latam informou que a inclusão também passa pela TAM SA, sua controladora no Brasil, suas subsidiárias Multiplus, Aerolinhas Brasileiras, Prismah Fidelidade, Fidelidade Viagens e Turismo e TP Franchising, além da Holdco SA, sua controladora intermediária no Chile.

“Devido ao prolongamento da pandemia de coronavírus, a LATAM Airlines Brasil anunciou sua integração ao Procedimento do Capítulo 11 da Companhia, para reestruturar seus passivos financeiros e gerenciar com eficiência sua frota, mantendo sua continuidade operacional, além de facilitar seu acesso ao financiamento de DIP ( Devedor no financiamento da posse).”, afirmou a companhia.

No documento, a Latam informou ainda que formalizou a segunda parcela da proposta de financiamento DIP, no valor de US$ 1,3 bilhão. O valor em questão foi garantido pelo fundo Oaktree Capital Management e suas subsidiárias.

Esse montante, assim como a primeira parcela anunciada pelos acionistas Qatar Airways e as famílias Cueto e Amaro, no valor de US$ 900 milhões, ainda precisa ser revisado e aprovado pelo Tribunal de Nova York.

De acordo com a empresa, o processo inclui a possibilidade de uma captação adicional de US$ 250 milhões, a partir da inscrição de outros acionistas no Chile, o que só pode ser concretizado após a aprovação do Tribunal.

Dona de uma receita de US$ 10,4 bilhões em 2019, ano em que transportou 74 milhões de passageiros, a Latam adotou uma série de medidas antes pedir recuperação judicial nos Estados Unidos.

Entre outras frentes, em maio, a empresa cortou pela metade os salários de seus 41 mil funcionários e demitiu 1,4 mil profissionais em suas operações no Chile, Colômbia, Equador e Peru.

Antes da crise, a companhia, fruto da fusão entre a brasileira TAM e a chilena LAN, operava 1,4 mil voos diários, em 26 países. Sob os efeitos da pandemia, a empresa aérea viu seu valor de mercado cair de US$ 5,17 bilhões, antes da crise, para os atuais US$ 1,83 bilhão.

Sob os efeitos da pandemia, a Latam viu seu valor de mercado cair de US$ 5,17 bilhões, antes da crise, para os atuais US$ 1,83 bilhão

No Brasil, em meados de junho, a Latam anunciou um acordo de codeshare com a Azul que incluiu, inicialmente, 50 rotas domésticas não sobrepostas. A parceria também incluiu os programas de fidelidade das duas companhias e foi vista pelo mercado como uma possível abertura para uma fusão entre as duas operações, no médio prazo.

Em entrevista ao Conexão CEO, nesta semana, Paulo Kakinoff, presidente da Gol, avaliou como benéfica uma eventual fusão entre suas duas principais concorrentes. E ressaltou que essa é uma tendência quase que inexorável diante dos impactos do coronavírus no setor. “Muitas companhias estão fragilizadas ou sucumbiram. Acredito em mais fusões nesse período de Covid e pós-Covid”, afirmou.

A inclusão da Latam Brasil na recuperação judicial do grupo nos Estados Unidos chega em uma semana na qual a Avianca Brasil solicitou à Justiça que convertesse seu pedido de recuperação judicial em dezembro de 2018, em falência da operação.

O pedido da recuperação judicial havia sido registrado em dezembro de 2018 e envolvia, na época, uma dívida de R$ 494 milhões, montante que foi revisado, posteriormente, para R$ 2,7 bilhões. Desde maio de 2019, a empresa estava proibida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de operar voos no País.

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