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Cogna faz lição de casa e Bank of America vê sinais “encorajadores” na reestruturação

Em relatório, o banco destacou o cenário ainda desafiador para o grupo de educação. Mas ressaltou tendências positivas, especialmente no segmento de ensino superior, com a Kroton, o carro-chefe da companhia

 

A Kroton, braço de ensino superior da Cogna, é dona da Anhanguera

Maior empresa de educação do mercado brasileiro e acostumada a figurar entre as ações de destaque na B3, a Cogna passou a enfrentar uma nova realidade com a chegada da pandemia, o que trouxe sérios impactos no desempenho da companhia e, por consequência, no mercado de capitais.

Mas, pouco a pouco, o grupo dá sinais de que pode restabelecer a confiança dos investidores. Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 17 de maio, o Bank of America pontua que o resultado da Cogna no primeiro trimestre, divulgado na sexta-feira, traz um cenário ainda desafiador.

Ao mesmo tempo, o banco ressalta que já é possível ver alguma luz no fim do túnel. Em particular, na Kroton, unidade de negócios de ensino superior e carro-chefe do grupo.

“A Cogna relatou um trimestre misto entre as suas linhas de negócio, mas mostrou algumas tendências iniciais encorajadoras no segmento de educação superior, com a Kroton, como resultado do plano de reestruturação anunciado em 2020”, escreveu Pedro Mariani, analista do Bank of America.

O plano ao qual Mariani se refere envolveu, entre outros elementos, a redução de 45 unidades físicas da Kroton, além de outras medidas de diminuição de custos nos campi da marca que seguem em operação no País.

Nesse contexto, o analista destaca alguns componentes nos números apresentados pelo grupo. No primeiro deles, enquanto a captação presencial da Kroton para o primeiro semestre de 2021 teve um recuo de 40%, “conforme o esperado”, no ensino a distância, o crescimento foi de 21%.

“A base presencial caiu 29% e alcançou 226 mil alunos, enquanto o ensino a distância, mais uma vez, teve um ótimo desempenho e encerrou o trimestre com 695 mil alunos”, observou o analista, ressaltando o crescimento anual de 15% no volume de alunos do EAD.

O aumento de 11%, em média, das mensalidades também foi destacado. “Lembramos, no entanto, que o atraso nas admissões e renovações pode trazer uma análise mais positiva para as mensalidades do primeiro semestre”, observou o analista.

Já a receita líquida do grupo ficou em R$ 1,26 bilhão, uma queda anual de 22,4% e 8% abaixo da estimativa da Bank of America. “Observamos, porém, que parte da queda anual das despesas comerciais foi efetivamente postergada para os próximos trimestres”, acrescentou Mariani, que manteve a recomendação neutra para a ação da Cogna, com preço-alvo de R$ 6.

Em 2021, as ações da Cogna acumulam uma queda de 14%, levando-se em conta o preço de fechamento do pregão da última sexta-feira, dia 14 de maio. Nesta segunda-feira, os papéis da companhia, avaliada em R$ 7,5 bilhões, estavam sendo negociados a R$ 4,06, com alta de 2,01%, por volta das 14h30.

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