Negócios

Com casas de espetáculos fechadas e sem Lollapalooza, T4F demite até 80 funcionários

No mesmo dia que anuncia que paralisa suas operações, a T4F corta funcionários. Mas, desde o ano passado, empresa tem enfrentado uma série de problemas que levaram a um prejuízo de R$ 71,8 milhões em 2019

 

Lollapalooza, em 2019. Neste ano, festival foi adiado por conta do coronavírus

A crise do coronavírus atinge diversos setores da economia. Um deles é o de entretenimento. E a T4F, que organiza o festival Lollapalooza e espetáculos como o musical “O Fantasma da Ópera”, está sentido na pele as restrições para eventos.

Primeiro, a companhia teve de adiar a edição brasileira do Lollapalooza, um dos eventos principais de sua grade de programação. O festival, que iria acontecer em 3 a 5 de abril, foi transferido para 4 a 6 de dezembro deste ano.

Na quinta-feira, 19 de março, a T4F suspendeu as atividades das casas de espetáculos até 30 de abril, medida que pode ser prorrogada, dependendo da orientação das autoridades sanitárias.

Mas, ao mesmo tempo, sem alarde, a empresa demitiu até 80 funcionários que atuam na empresa, apurou o NeoFeed. Alguns dos empregados demitidos relataram que a empresa informou que, caso o cenário melhore, pode voltar a recontratá-los.

Procurada, a T4F não quis se pronunciar para essa reportagem e não confirmou, nem negou a informação dos cortes de funcionários.

Apesar de a Covid-19 estar no centro dos cortes anunciados pela T4F, a companhia não passava por uma boa fase. No ano passado, ele teve prejuízo de R$ 71,8 milhões. O faturamento de R$ 393,7 milhões representou uma queda de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em 2019, foram vendidos 1,1 milhão de ingressos, uma retração de 39%. A posição de caixa líquido, no fim de quarto trimestre, era de R$ 53,6 milhões.

Em mensagem divulgada durante a apresentação de resultados do quarto trimestre, Fernando Alterio, CEO e fundador da T4F, atribuiu o desempenho a uma queda de artistas vindos para a região. Ele também alegou questões sociais, políticas e econômicas, que tiveram grande impacto no resultado.

A T4F, além do Brasil, atua também na Argentina e no Chile. Na terra de Maradona, a crise econômica afetou as operações da empresa. No Chile, a partir do quarto trimestre, uma série de manifestações populares trouxeram desafios à operação, que teve de cancelar diversos eventos. Houve também o distrato da incorporação da Bizarro, que impediu a realização de shows indoors no país a partir de janeiro de 2019.

Desde 19 de janeiro, as ações da T4F (SHOW3) passaram de R$ 6,24 para R$ 1,71, uma queda de 72,6%. No auge, em setembro de 2012, já foram cotadas a R$ 17,50.

Cortes em vários setores

A T4F não foi a única a realizar cortes por conta do coronavírus. Várias empresas, em especial as de varejo, estão adotando medidas de reduzir os quadros de funcionários, por conta de fechamentos do shoppings centers e a paralisação total das operações.

A rede de lojas de roupas masculinas TNG informou que irá demitir até 40% de seus 1,6 mil funcionários a partir da semana que vem, de acordo com reportagem do O Estado de S. Paulo. A rede conta com 170 lojas no Brasil.

A Associação Brasileira das Lojas Satélites (Ablos), que reúne as lojas maiores dos shopping centers, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estimam em até 5 milhões de desempregados no Brasil no fim de abril.

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