Com IPO no radar e Advent na direção, Fortbras engata sua quinta aquisição

Controlada pela gestora americana e com planos de abrir capital, a varejista de autopeças dá mais um passo dentro desse percurso com a compra da Jaicar, rede com atuação em Goiás e no Tocantins

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Centro de distribuição da Fortbras em Serra (ES)

Em setembro de 2016, quando a Advent assumiu o controle da Fortbras, a varejista de autopeças tinha 16 lojas e faturava R$ 400 milhões. Com a entrada da gestora americana, a empresa engatou um plano agressivo de expansão e encerrou 2021 com cerca de 170 lojas e uma receita bruta de R$ 2,1 bilhões.

Agora, como parte de um percurso que deve ter como destino uma abertura de capital, a companhia está acrescentando novos números ao seu mapa de operações com a aquisição da Jaicar Autopeças, rede de venda de autopeças com atuação nos estados de Goiás e do Tocantins.

Os termos financeiros do acordo, que envolve 100% da Jaicar, não foram relevados. Mas os valores desembolsados pela Fortbras em aquisições desde a chegada da Advent dão uma medida da sua tração nessa pista de M&As. Em pouco mais de cinco anos, a empresa aplicou R$ 1,3 bilhão nessa direção.

“A Jaicar tem uma marca muito forte e um negócio que funciona como um relógio”, diz Wilson Rosa, sócio da Advent responsável pelos investimentos de varejo da gestora e chairman da Fortbras, ao NeoFeed, explicando que a operação é bem azeitada. “E a região Centro-Oeste nos dá uma frente nova e grande de expansão, na trilha do crescimento do agronegócio, que não é pequeno.”

Com o acordo anunciado nesta quarta-feira, a empresa conclui sua quinta aquisição desde 2017. Fundada em 1992, a Jaicar Autopeças reportou um faturamento de R$ 149,9 milhões em 2021, alta de 37,6% sobre 2020.

Além de trazer novas receitas para a Fortbras, a aquisição adiciona 11 lojas à rede da empresa, sendo 10 em Goiás, nas cidades de Goiânia, Anápolis, Inhumas, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo, e uma no Tocantins, na capital Palmas.

O acordo inclui ainda um centro de distribuição na capital goiana, que reforçará a malha composta hoje por quatro centros em Serra (ES), Ribeirão Preto (SP), Porto Velho (RO) e Manaus (AM).

A partir dessa estrutura, embora não revele as projeções de inaugurações, a Fortbras planeja abrir mais lojas da marca na região. Em 2021, foram 24 novas unidades da rede, em todo o País. Ao mesmo tempo, a varejista vai complementar o portfólio com produtos que, hoje, a Jaicar não oferece.

“Nós vendemos peças de veículos pesados, como caminhões e ônibus, na maior parte das operações e a Jaicar não”, explica Rosa. “Assim como pneus e outros acessórios. Então, temos uma vertente de crescimento complementar ao que eles já fazem bem.”

Loja da Jaicar na cidade de Senador Canedo (GO)

A estratégia de escalar o negócio em novas regiões a partir de aquisições de marcas locais é uma tônica na Fortbras desde que a Advent embarcou na operação. Foi assim na compra da Menil, a primeira dessas transações. A partir de Ribeirão Preto (SP), a rede expandiu a marca para o interior de São Paulo.

A mesma abordagem foi adotada com a União, sua bandeira nos estados do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e na região do Vale do Paraíba, em São Paulo; a BHZ, de Minas Gerais; e a Rondobras, presente em Rondônia, no Acre, no Amazonas e no Mato Grosso do Sul.

Depois de estrear em Goiás e no Tocantins, a Fotbras seguirá com a estratégia ativa de aquisições para estender seus tentáculos. E não são poucos os pontos no mapa que podem ser alvo de novas transações.

“Ainda temos uma presença tímida no Nordeste, no Sul do País, no Vale do Paraíba e o litoral de São Paulo”, observa Rosa. “E o varejo de autopeças é muito fragmentado. Com a Jaicar, por exemplo, nós chegamos a uma fatia de apenas 2,3% do mercado. Ainda há bastante espaço para crescer.”

Outros dados reforçam as oportunidades no setor. Segundo um estudo da consultoria McKinsey, o mercado de reposição de autopeças movimenta R$ 100 bilhões anualmente no Brasil e deve crescer entre 6% e 7% até 2023.

Ao mesmo tempo, com uma idade média de 10,2 anos, a frota de carros usados no País atendida por esse mercado – formada por veículos com mais de três anos e cujas peças já estão fora da garantia das fábricas, está em 42,7 milhões de unidades, com um ritmo de expansão, em média, de 6% ao ano.

“O varejo de reposição de autopeças é um negócio muito resiliente”, diz Rosa. Ele ressalta que o setor tem uma perspectiva ainda mais positiva diante do cenário atual de retração na venda de veículos novos, que favorece a procura por carros usados e, por consequência, demanda por manutenção.

Nesse contexto, a Fortbras tem poder de fogo para ser protagonista na consolidação desse mercado. “Na compra da Jaicar, por exemplo, a Advent e os sócios da Fortbras não precisaram botar a mão no bolso”, diz Rosa. “A empresa vai pagar a transação com a sua própria geração de caixa.”

Apesar de ressaltar a operação saudável e o fato de o negócio não ser intensivo em capital, Rosa diz que, assim como qualquer outra empresa do portfólio da Advent, a Fortbras está sendo preparada, desde o dia um, para uma abertura de capital.

“Estamos prontos para um IPO. Se houver uma boa janela em 2022, iremos fazer. Mas se isso acontecer em 2023, 2024 ou 2025, vamos surfar esse crescimento com a Fortbras”, afirma. “Estamos muito mais com a cabeça de manter esse ritmo do que pensando em quando vamos acertar a nossa saída.”

Ele acrescenta que, em qualquer cenário de uma oferta pública, o processo terá, naturalmente, componentes primários e secundários. Mas reforça que não há nada definido quanto a uma saída parcial ou total da gestora da operação. Hoje, a Advent detém uma fatia de 73% no negócio.

Com um total de US$ 8 bilhões já investidos em ativos na América Latina, a Advent tem exemplos recentes de saídas bem-sucedidas de ativos do varejo no mercado brasileiro.

Em agosto de 2020, a Quero-Quero, varejista de materiais de construção, levantou R$ 1,95 bilhão em sua oferta secundária na B3. Desse montante, a Advent embolsou R$ 1,66 bilhão. A gestora havia investido R$ 300 milhões na empresa, em 2008.

Já em março de 2021, a companhia anunciou a venda do Big para o Carrefour, em um negócio de R$ 7,5 bilhões, ainda pendente de aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Com o acordo, estima-se que o retorno será de quatro vezes sobre o capital investido na operação.

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