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Com sistema para transporte público, Uber acelera no modelo de “software como serviço”

O condado de Marin, na Baía de São Francisco, vai usar a tecnologia da Uber para gerenciar sua frota de micro-ônibus locais por uma mensalidade fixa, paga pelo governo. Serviço abre nova modalidade de serviço para a gigante do Vale do Silício, que luta para ser lucrativa

 

Parceria entre Uber e Marin Transit Connect tem início em 1 de julho

O condado de Marin, na Baía de São Francisco, firmou acordo para integrar à tecnologia da Uber o gerenciamento dos micro-ônibus de sua malha viária local. A expectativa é que a Uber empregue sua inteligência para facilitar o acesso do usuário ao transporte público, ao mesmo tempo em que otimiza e desafoga o sistema.

Disponível de segunda a sexta, das 6h às 19h, os micro-ônibus continuarão sendo operados pelas empresas locais, mas usarão a inteligência de aplicativo. Os veículos vão percorrer uma parte do corredor da Highway 101. Para reservar um assento, o passageiro precisa apenas abrir o aplicativo e inserir seu destino normalmente.

No carrossel de opções, que contempla opção de viagens compartilhadas, em carros de luxo ou com bagageiros maiores, a alternativa do transporte público será também indicada. 

Embora esses veículos tenham capacidade para 6 pessoas, a regra é que um limite de dois passageiros por vez utilizem o microônibus, para que sejam respeitadas as medidas de distanciamento social. Toda frota é adaptada para o deslocamento de cadeirantes e portadores de outras deficiências. 

As viagens terão um custo fixo de US$ 4 por milha, cerca de 1,6 km, enquanto as pessoas com mobilidade prejudicada pagam US$ 3 por milha. Um site e uma linha telefônica serão disponibilizados para aqueles que não têm e talvez não queiram ter o app instalado em seu celular. Nestes casos, o pagamento da tarifa deverá ser feito em espécie, no ato da viagem.

Todo dinheiro arrecadado com a ferramenta é repassado integralmente aos órgãos estatais de Marin, uma vez que o Uber não cobra nenhum tipo de comissão sobre esse serviço.

A receita da empresa provém de um acordo fixo com o governo, que deverá fazer pagamentos mensais fixos pelos próximos dois anos, totalizando um repasse de pouco mais de US$ 80 mil à Uber. 

Paralelamente, o condado vai ceder à Uber um adicional de US$ 70 mil por ano para que o valor seja repassado em forma de vouchers de desconto em corridas de Uber convencionais partindo ou chegando a estações de ônibus. Um acordo similar já foi testado com a Lyft. 

Mesmo somando as cifras, o montante é notoriamente baixo quando comparado à receita de US$ 14,1 bilhões registrada pela companhia em 2019, mas o acordo abre caminho para que a Uber comercialize essa inteligência em outras cidades e países, fazendo com que a companhia acelere na sua área de SaaS (Software as a Service, ou simplesmente “software como serviço”).

As conversas, aliás, já saíram do ponto morto. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, David Reich, chefe de trânsito da Uber, confirmou que negocia contratos semelhantes com uma dúzia de governos e prefeituras de diferentes continentes e que mais novidades dessa natureza serão anunciadas ainda em 2020.

“Há anos somos abordados por diferentes agências para descobrir como eles poderiam se beneficiar da tecnologia que desenvolvemos na Uber. Esse é o primeiro passo rumo nessa direção”, disse Reich. 

Outros tipos de parcerias com a iniciativa pública já haviam sido exploradas pela gigante, que têm, em mais de 15 cidades, o Journey Planning, que utiliza informações em tempo real do trânsito local para sugerir ao usuário a forma mais rápida de chegar ao seu destino. E, muitas vezes, o caminho mais “curto” é pelo corredor de ônibus. 

A diferença agora é que, além de indicar a opção do transporte público, a Uber também opera a frota governamental.

Com escala, essa modalidade poderia criar um “atalho” para a Uber encontrar a tão esperada lucratividade, uma vez que em todos os seus anos de operação só registrou prejuízo – em 2019, a perda foi de US$ 8,5 bilhões.

A situação da gigante do Vale do Silício ficou ainda mais complexa depois que a empresa de delivery de restaurante Grubhub recusou sua oferta de compra para aceitar a proposta de US$ 7,3 bilhões da Just Eat Takeaway.

Caso tivesse conseguido fechar negócio, a Uber absorveria um de seus maiores concorrentes e ganharia mais tração com o serviço de entrega, que tem sido seu maior ponto de apoio na pandemia da Covid-19.

Agora, oficialmente na “briga” do gerenciamento de transportes públicos, a gigante entra na rota da Via, uma startup de vans que circulam num perímetro pré-determinado de algumas cidades americanas.

A empresa foi avaliada em US$ 2,25 bilhões em março deste ano, quando levantou US$ 200 milhões em investimento em uma rodada série E liderada pela Exor. 

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