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A Uber pisa no freio e demite mais 3 mil funcionários

Há duas semanas, a Uber demitiu 3,7 mil pessoas. Mas não foi o bastante. Agora, cortou mais 3 mil e, além do desligamento dos profissionais, fechou escritórios e encerrou ou diminuiu algumas de suas operações

 

Essa é a segunda onda de demissão da Uber

Para balizar seus negócios em meio a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a Uber apertou o cinto e reduziu em 25% sua força de trabalho. 

Há duas semanas a empresa anunciou o desligamento de 3,7 mil funcionários. Agora, a gigante confirmou a demissão de mais 3 mil, numa tentativa de enxugar US$ 1 bilhão em gastos fixos anualmente apenas com o corte da folha de pagamento. 

A medida vai reduzir ou encerrar as atividades de 45 escritórios espalhados pelo globo e quase todos os departamentos serão afetados neste corte. Como os motoristas inscritos no aplicativo não são considerados funcionários, eles não fazem parte dessa conta.

Por causa da paralisação das atividades econômicas e das regras de distanciamento social, o sistema de corridas da Uber, principal mercado da companhia, viu uma queda de 80% no mês de abril. 

O serviço de entrega Uber Eats tem sido a “tábua de salvação” da empresa, mas “não chega perto de cobrir todas as nossas despesas”, declarou Dara Khosrowshahi, CEO da organização, em nota oficial. 

Ainda segundo o executivo, o afrouxamento das restrições sociais em algumas áreas já denotam um sinal de recuperação para a Uber, mas “a visibilidade é limitada quanto a sua velocidade e forma”.

Embora esteja acontecendo com mais força e voracidade, esse movimento de contenção já fazia parte da rota da empresa mesmo antes da crise. A Uber está sob forte pressão para apresentar lucro e a redução de gastos era a principal manobra para chegar a esse objetivo até o final do ano.

Dadas as circunstâncias, a meta de ter um balanço positivo foi postergada para o fim do ano que vem. Além de reduzir sua equipe, a organização quer investir em alguns “atalhos”, negociando uma possível compra do Grubhub, outro grande serviço de entrega nos EUA. Caso o acordo seja firmado, a Uber economizaria na construção de operações e ficaria mais próxima da líder DoorDash.  

Sem contemplar este assunto no memorando, o CEO apenas acenou para o esforço da empresa em adotar uma postura mais resiliente. “O que posso dizer é que estamos tomando decisões muito difíceis para que possamos dizer adeus, a fim de encontrar claridade e conseguir seguir em frente e começar a construir com confiança novamente”. 

Entre as unidades afetadas estão os laboratórios de inteligência artificial e a incubadora da Uber. Outros negócios “paralelos” terão as rotas recalculadas, como o Uber Works, um aplicativo de recrutamento. O Uber Frete e o programa de direção autônoma também serão reavaliados – ambos custam milhões de dólares aos cofres da empresa, sem grandes promessas de retorno ou avanço.

Todos os cortes atingem em cheio os Estados Unidos, onde a Uber coloca um ponto final em um escritório no centro de São Francisco, no qual 500 profissionais trabalhavam. Também está em jogo a mudança do escritório central asiático, atualmente instalado em Cingapura. Não foi divulgado qual outro mercado abrigaria essa estrutura, caso as previsões se confirmem.

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