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Contra avanço de fintechs, Charles Schwab vai vender ações fracionadas

A Charles Schwab revolucionou o mercado de corretagem americano. Agora, corre para não perder espaço para aplicativos financeiros, como o Robinhood, que atraem um público jovem. Sua última cartada é a venda de ações fracionadas

 

A Charles Schwab tem 12 milhões e contas ativas e US$ 3,75 trilhões em ativos sob gestão

A corretora Charles Schwab confirmou que vai lançar, a partir de 9 de junho, um serviço que permite a compra e venda fracionada de ações de empresas do índice S&P 500, que reúne as maiores empresas dos Estados Unidos.

Com a nova vertente, a corretora que conta com 12 milhões de contas ativas e tem US$ 3,75 trilhões de ativos sob gestão, abre um novo flanco de disputa contra aplicativos financeiros que tem ganho espaço no mercado americano. Em especial, o Robinhood, que já chegou a mais de 7 milhões de clientes, a maioria deles um público jovem.

Batizado de Charles Schwab Slice, o novo serviço permite que investidores comprem uma parte de papéis individuais, por um valor mínimo de US$ 5. Os usuários poderão abocanhar até 10 “fatias” de ações diferentes de uma única vez.

A prática abre espaço para que jovens investidores ou investidores menos abastados tenham acesso a papéis populares, de companhias como Amazon, cujas ações são negociadas a US$ 3.217, Alphabet, que vale US$ 1,351, Facebook, que custa US$ 207, e Apple, cotada a US$ 297.

“Mesmo com a recente volatilidade da economia, estamos vendo altos níveis de engajamento de muitos que veem essa modalidade fracionada como uma oportunidade de entrar no mercado”, disse Neesha Hathi, vice-presidente executivo e chefe da Schwab Digital Services, em comunicado oficial.

O Charles Schwab Slice também permite que o investidor selecione um conjunto de ações para que o sistema invista igualmente em cada uma delas.

Esse é mais um passo da Charles Schwab para aumentar sua base de clientes. Em outubro do ano passado, a corretora, na qual a brasileira XP se inspirou, eliminou as taxas de corretagem para ações, ETFs e opções. O novo serviço também terá isenção de taxa.

Em novembro do ano passado, a Charles Schwab anunciou uma fusão com a TD Ameritrade. O negócio, que ainda não foi aprovado, cria uma gigante de corretagem, com US$ 5 trilhões em ativos e mais de 23 milhões de clientes, consolidando a indústria de corretagem americana.

Com esse tamanho e a estrutura, a Charles Schwab tem enfrentando uma guerra brutal de preços no mercado americano e competidores incômodos, como o pequeno Robinhood, aplicativo de investimento que popularizou as movimentações financeiras livres de cobranças e mudou o segmento.

Desde dezembro de 2019, o Robinhood permite também a movimentação de ações fracionadas. A fintech acaba de levantar US$ 280 milhões em investimentos. A Sequoia Capital, um dos fundos mais respeitados do Vale do Silício, foi quem liderou essa última rodada série F que avaliou o app em US$ 8,3 bilhões.

Desde sua fundação, em 2013, a companhia já captou US$ 1,2 bilhão, de acordo com o Crunchbase, um banco de dados com as principais informações do mercado de venture capital.

Esse sucesso entre fundos de venture capital tem a ver com o desempenho do aplicativo entre investidores “de primeira viagem”. O aplicativo contava com aproximadamente 7 milhões de contas, sendo que abriu 3 milhões só neste ano, segundo um post publicado no site empresa.

Em entrevista ao NeoFeed, Steven Fox, diretor da agência de planejamento financeiro Next Gen, a popularização desse tipo de serviço é quase óbvia. “Me parece algo extremamente vantajoso para os consumidores em geral, particularmente para os mais jovens, que costumam dispor de quantias menores para investimento”, disse.

Fox cita ainda uma pesquisa de 2017 feita pela agência Ally Invest, que aponta que 66% dos millennials, aqueles nascidos entre 1980 até meados de 1995, têm medo da bolsa de valores. “Acredito que talvez esse receio esteja ligado ao fato de que essa geração tenha visto seus pais sofrendo alguns reveses com a volatilidade do mercado”, afirma Fox.

Fox acredita que essa nova possibilidade de investimento fracionado pode servir de ponte para que mais gente dê os primeiros passos no mundo da bolsa de valores e se eduque aos poucos, vencendo seus próprios medos.

“As pessoas temem correr riscos. Grandes riscos, sobretudo. Permitir que alguém invista com apenas US$ 5 ou US$ 10 talvez resolva parte do problema, porque mesmo com um lucro proporcional, existe a troca com o mercado – e a partir daí um processo de se sentir confortável nele.”

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