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Contra coronavírus, Nova York pede socorro. E está disposta a pagar caro por isso

Epicentro da pandemia nos EUA, a cidade está pagando até US$ 6,4 mil por semana para enfermeiras, quase três vezes mais que a média na Califórnia. E essa é apenas uma das medidas desesperadas para atrair profissionais de saúde para atender os contaminados pelo vírus

 

Estátua da Liberdade, um dos símbolos dos EUA, que fica em Nova York

Nova York é o estado americano mais afetado pela pandemia do novo coronavírus. Até a tarde desta terça-feira, 7 de abril, a região que abriga 19,5 milhões de habitantes registrava cerca de 140 mil casos de Covid-19 confirmados, dos quais 5,5 mil foram fatais.

Por esse motivo, a cidade está em uma busca desesperada por profissionais de saúde. E, para tentar vencer essa luta, o estado está disposto a pagar muito. 

Na semana passada, enfermeiras de diferentes Estados americanos receberam propostas com salários de até US$ 6,4 mil por semana para atuar na região de Nova York. Os contratos tinham, em média, duração de oito semanas.

Para fins de comparação, uma enfermeira que atue em grandes cidades na Califórnia, o estado mais rico dos Estados Unidos, ganha em torno de US$ 2,3 mil semanalmente.

O NeoFeed conversou com uma profissional da saúde que atua em Los Angeles e que declinou a proposta para trabalhar em Nova York. 

“Ouço relatos muito duros e triste de colegas que estão trabalhando na área, o que me deixa temerosa. Claro que o fator financeiro é tentador, até porque é a proposta mais alta que já recebi, mas aceitar essa oferta significa ter que quebrar o contrato que tenho com o hospital onde atuo, na região de Hollywood”, disse a enfermeira, que pediu para não ser identificada.

Temerosa com a crise que já se instaura no país, a profissional afirmou à reportagem que prefere honrar seu acordo atual e servir na Califórnia, garantindo seu trabalho para além das oito semanas prometidas por Nova York.

Além de pagar salários altos, o governo americano está facilitando a concessão de visto para médicos, enfermeiros e agentes hospitalares, sobretudo aqueles que já estejam atuando no combate ao Covid-19. 

Nova York já soma 5,5 mil mortos por conta do novo coronavírus

Essa medida, anunciada no site do Bureau de Relações Internacionais, foi alvo de muitas críticas. O motivo é simples: a atitude pode retirar profissionais de saúde de outros locais que também precisam de auxílio especializado para enfrentar a pandemia.

Mas nenhuma crítica foi tão dura quanto as acusações de cinco países de “desvio” de equipamentos hospitalares comprados da China.

Alemanha, Brasil, França, Canadá e a pequena Barbados vieram à público para se queixar de que algumas de suas encomendas de máscaras de proteção N95 e de ventiladores pulmonares (ambos indispensáveis para o combate da doença) nunca chegaram ao destino final.

Há quem aponte desvio de carregamento por parte do governo americano e outros que alegam um “suborno” para ficar com o material.

No caso da Alemanha, foi feita uma encomenda de 200 mil máscaras do tipo N95 da fabricante americana 3M, cuja fábrica está na China. De acordo com as autoridades de Berlim, o carregamento foi confiscado na rota para a Tailândia e desviada para os Estados Unidos no dia 3 de abril. 

De acordo com uma reportagem do site britânico The Guardian, na mesma época, o governo francês viveu algo parecido. Uma encomenda de máscaras cirúrgicas, também compradas da China, já estavam devidamente embarcadas num avião com destino a Paris quando compradores americanos ofereceram três vezes mais do valor pago para ter o equipamento.  

Já na ilha caribenha de Barbados, o problema foi com ventiladores pulmonares. Alguns desses equipamentos foram doados por entidades americanas, mas tiveram seu envio bloqueado a mando dos Estados Unidos. 

Enquanto isso, no Brasil, uma encomenda de US$ 228 milhões em equipamentos médicos chineses foi “atrasada”, porque os americanos compraram o estoque disponível para si. O pedido foi feito em 2 de abril e, segundo a agência de notícias Reuters, só será entregue em 30 dias. 

Por fim, o primeiro ministro do Canadá, Justin Trudeau, comentou sobre a suposta proibição de exportação de equipamentos hospitalares para outros países, inclusive o vizinho ao norte. Para Trudeau, a decisão seria “um grande erro” dos Estados Unidos.

A administração de Donald Trump negou todas as acusações, exceto as ordens de baixa das exportações – mas a medida foi revogada alguns dias depois, normalizando as negociações.

Para suprir a própria carência de ventiladores pulmonares, os Estados Unidos estão contando com a ajuda das empresas locais, como Tesla, GM e Ford

Para suprir a própria carência de ventiladores pulmonares, os Estados Unidos estão contando com a ajuda das empresas locais. O empresário Elon Musk, por exemplo, anunciou em seu Twitter que estava disposto a usar as instalações das fábricas da Tesla para fazer os equipamentos, se preciso fosse. Além da Tesla, Ford e GM também estão usando suas fábricas para a produção de ventiladores.

Nessa corrida de vida ou morte contra o tempo, os Estados da Califórnia, Oregon e Washington estão doando seus equipamentos a Nova York. Com a disseminação mais “controlada” do coronavírus em seus territórios, a Califórnia cedeu 500 ventiladores pulmonares à região liderada pelo governador Andrew Cuomo. Oregon abriu mão de 140 ventiladores e Washington, de 400. 

Todos os governadores do Estados que doaram os aparelhos alegaram que seus territórios passam por uma onda mais branda de contágio e que é preciso união para ajudar Nova York.

A comoção nacional parece que, lentamente, vai mostrando resultado: o número de hospitalizações em Nova York, por causa do novo coronavírus, diminuiu. Em coletiva de imprensa, o governador Cuomo disse que a batalha está longe do fim e que todo tipo de ajuda e auxílio é bem-vindo, mas que as pequenas vitórias precisam ser celebradas. 

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