Negócios

A bad trip da CVC: R$350 milhões em erros contábeis

Em fato relevante, a operadora de turismo revisou as estimativas sobre os efeitos de irregularidades cometidas em seu balanço. Projeção anterior apontava para um impacto de R$ 250 milhões

 

No início de março, a CVC adiou a divulgação de seu resultado referente ao ano de 2019 ao encontrar indícios de erros contábeis no balanço. Ao postergar a data, o que foi estendido à divulgação dos dados financeiros do primeiro trimestre, a operadora acendeu o sinal de alerta no mercado.

No caminho para resgatar essa confiança, a companhia divulgou um fato relevante nesta terça-feira trazendo novos detalhes sobre o caso. No documento, a CVC ressalta que o impacto potencial estimado dos ajustes relacionados às irregularidades em questão em sua receita líquida de vendas é de cerca de R$ 350 milhões. Até então, as projeções da empresa apontavam para um efeito de R$ 250 milhões.

O montante inclui exercícios anteriores a 2015 até 2019 e a empresa estima que, em virtude dos erros cometidos, possa recuperar cerca de R$ 55 milhões em tributos pagos indevidamente. A CVC também reiterou que está trabalhando na conclusão da elaboração do balanço de 2019 e prevê apresentar esses dados até 31 de julho.

Em andamento, o processo de auditoria do caso está sendo conduzido por um comitê independente e, ao final da apuração, as conclusões da apuração serão apresentadas ao Conselho de Administração da operadora.

No fato relevante, a CVC também trata das medidas que vem implementando para reduzir os efeitos da Covid-19 na operação. Para os clientes, a empresa tem oferecido opções de remarcação de viagens ou a alternativa de crédito para os consumidores com viagens planejadas para o curto prazo, que não poderão ser realizadas.

A companhia também destacou que, com as medidas de redução de custos tomadas, os gastos mensais recorrentes foram reduzidos para uma média mensal de R$ 52 milhões no segundo trimestre. O pacote inclui recursos destinados a frentes como folha de pagamento, tributos e juros da dívida.

Ao mesmo tempo, a CVC detalha alguns impactos da pandemia no negócio. Entre eles, a necessidade de registro de provisão para impairment de cerca de R$ 475 milhões, no primeiro trimestre, referentes a ativos intangíveis originados na aquisição de empresas. E de R$ 81 milhões relacionados a créditos de tributos diferidos relativos a prejuízos acumulados e diferenças temporárias.

Já os gastos com cancelamentos e reembolsos de viagens alcançaram a cifra de R$ 96 milhões até 30 de junho. Outro ponto destacado foi o aumento da inadimplência, com um valor correspondente de R$ 72 milhões e para o qual a empresa tem baixa expectativa de recuperação.

A CVC informou ainda que possui um saldo de cerca de R$ 380 milhões junto a companhias aéreas, relacionados a passagens já pagas e que podem gerar perdas adicionais caso alguma empresa do setor encerre suas operações sem honrar ou transferir estes bilhetes para outro grupo.

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