Negócios

“Precisamos nos capitalizar para a retomada”, diz Leonel Andrade, CEO da CVC Corp, sobre contratação de Itaú BBA

O executivo explicou ao NeoFeed por que a empresa está buscando uma capitalização que, segundo o mercado, pode ultrapassar R$ 1 bilhão

 

A CVC Corp, uma das maiores operadoras de turismo do mundo, acaba de anunciar em fato relevante que contratou o Itaú BBA para assessorá-la em uma capitalização.

A empresa não revela a quantia a ser buscada no mercado para reforçar seu caixa, mas profissionais de mercado estimam que possa passar de R$ 1 bilhão.

Leonel Andrade, o novo CEO da empresa, conversou com o NeoFeed e explicou que a medida foi adotada para que a companhia esteja mais preparada para a retomada da economia quando a crise passar.

“Na nossa visão, haverá oportunidades muito grandes e precisaremos desse dinheiro para estarmos mais bem posicionados”, disse Andrade ao NeoFeed.

A operação coordenada pelo Itaú BBA deverá ser de uma capitalização privada, buscando um novo investidor no mercado. Mas a CVC não descarta uma capitalização pública.

Atualmente, a CVC Corp tem cerca de R$ 350 milhões em caixa e mais uma quantia em recebíveis para os próximos meses. Esse dinheiro está sendo usado no dia a dia. Acontece que, por conta da pandemia, o faturamento praticamente foi zerado.

Ninguém está viajando. “Mas já voltamos a vender viagens futuras. Estamos com 15% do faturamento de um ano atrás”, diz Andrade.

No ano passado, a CVC vendeu pacotes para mais de 20 milhões de pessoas, o equivalente a mais de 1,6 milhão de pessoas por mês, e o seu faturamento atingiu mais de R$ 17 bilhões.

Andrade acredita que a CVC estará bem forte na retomada do setor por conta de seu perfil. “Mais de 70% dos nossos embarques são para o Nordeste” diz Andrade. “Para praias, lugares abertos”, afirma.

Isso será um diferencial porque, diz ele, muitos estudos têm mostrado que no retorno do mercado, na pós-pandemia, as pessoas não estarão dispostas a fazer viagens internacionais.

Por também estar bem posicionada no segmento corporativo, com as marcas Rextur e Visual Turismo, ele acredita que a CVC possa se beneficiar do retorno das feiras e eventos corporativos. “Temos quase 50% das viagens corporativas no Brasil”, diz.

Mas todo esse processo vai demorar. A volta do turismo de lazer aos patamares de 2019, diz ele, deve acontecer no começo de 2023. E a do segmento corporativo, com feiras e eventos, em 2022.

“O mercado será menor, também há a mudança de hábitos das pessoas”, diz ele. Afinal, as videoconferências ganharam mercado. E, quem pegava uma ponte-aérea para uma reunião de trabalho, agora deverá fazer pela tela do computador ou smartphone.

Andrade assumiu o comando da CVC no início de abril, antes de a pandemia explodir no Brasil e a economia ser paralisada. Seu desafio já era grande: fazer com que as ações, que já tinham sido negociadas a mais de R$ 65, voltassem para o patamar antigo.

Quando ele foi anunciado, as ações da empresa eram negociadas a R$ 20 e, no dia seguinte, subiram mais de 14%. O mercado confiava que Andrade conseguiria resgatar a imagem da companhia, que precisava se explicar sobre erros contábeis no balanço. O coronavírus, entretanto, atropelou tudo. E seus papéis, na quarta-feira 22 de abril, eram negociados a R$ 14,85.

A CVC conta com 1,4 mil lojas, gera mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, e, nesse processo de capitalização, está sendo assessorada também pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto.

Siga o NeoFeed nas redes sociais. Estamos no Facebook, no LinkedIn, no Twitter e no Instagram. Assista aos nossos vídeos no canal do YouTube e assine a nossa newsletter para receber notícias diariamente.

Leia também

UM CONTEÚDO:

NEOFEED REPORT

Baixe o relatório “O mapa de ataque das grandes empresas”

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO