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De mesadas virtuais a games parar controlar custos: a geração Z entra na conta das fintechs

De olho em um mercado potencial estimado em US$ 143 bilhões, uma nova leva de startups financeiras oferece aplicativos para atrair a próxima geração de consumidores, nascidos entre 1996 e 2010

 

A geração Z compreende os nascidos entre 1996 e 2010

Criadas sob o mundo digital, muitas fintechs ganharam espaço com modelos menos burocráticos e mais ágeis do que os grandes nomes do setor. E depois de atrair os clientes dos bancos tradicionais, uma nova leva de startups financeiras está mirando um público ainda mais próximo dessas propostas.

Formada por aqueles que nasceram entre 1996 e 2010, a chamada Geração Z é a primeira que nasceu e cresceu, de fato, sem conhecer um mundo sem internet, smartphones e a onipresença da tecnologia. E, apenas nos Estados Unidos, compõe um mercado potencial de US$ 143 bilhões, segundo o Business Insider Technology, braço de pesquisas do site americano Business Insider.

De olho nessas cifras e no fato de que muitos desses verdadeiros nativos digitais já estão se formando ou ingressando no mercado de trabalho, novas fintechs não estão poupando esforços para criar ofertas com forte apelo tecnológico e atrair  essa próxima geração de consumidores.

Uma das primeiras a investir nesse filão foi a americana Boro. Fundada em 2015, a startup criou um aplicativo para conceder empréstimos de até US$ 2 mil para universitários. Os prazos variam de um a doze meses, com taxas fixas de até 19,9%, e sem cobrança de anuidade.

Como boa parte dos estudantes não tem histórico de crédito, a empresa, que já captou US$ 114,6 milhões, usa o histórico educacional como um de seus critérios para a análise de risco. Com mais de 50 mil usuários, o serviço já está disponível em mais de 200 faculdades, em 31 estados americanos.

Fundada pelos indianos Deepak Rao e Siddharth Batra, em 2017, a ThriveCash foca, além dos universitários, nos recém-graduados e nos estudantes estrangeiros. A ideia é conceder empréstimos para que essas pessoas se sustentem até ingressarem em um estágio ou emprego.

Eles têm acesso a linhas de crédito de até US$ 25 mil. E só começam a pagar as parcelas quando começam a trabalhar. Em duas rodadas, a fintech já levantou US$ 10 milhões junto a investidores como a Craft Ventures.

Fundada em 2015, a americana Boro concede empréstimos de até US$ 2 mil para universitários e usa o histórico educacional como um de seus critérios de análise de risco

A Pluto Money também mira os universitários, mas com um modelo diferente. A startup americana criou um aplicativo gratuito de controle de gastos, vinculado à conta bancária. Com uma pegada de gamificação, ele faz comparações anônimas com os hábitos de consumo de outros usuários e sugere desafios e metas de economia de despesas.

O usuário também consegue fazer uma espécie de poupança, destinada a objetivos como uma viagem de férias. A fintech foi criada em 2017, por Dante Monaldo, Susie Kim e Tim Yu. O trio, na época, acabara de se formar na Universidade da Califórnia (UCLA).

Mesadas e poupanças virtuais

O foco dessas fintechs não se restringe aos “veteranos” da Geração Z. Há uma outra corrente que investe em ofertas que combinam cartões e carteira digitais com controle dos pais e educação financeira.

Fundada em 2017, a Greenlight oferece um aplicativo e um cartão de crédito de débito para crianças, com a bandeira da Mastercard. Com um custo mensal de US$ 4,99, que inclui até cinco cartões, os pais podem depositar a famosa mesada, pagar tarefas e escolher em quais lojas os filhos podem consumir.

O modelo traz ainda recursos e conteúdos que ajudam a controlar as finanças e definir metas de economia, além de transferências instantâneas, alertas quando o cartão é usado e possibilidade de os pais bloquearem o uso, se necessário. Com mais de 500 mil assinantes, a Greenlight já atraiu investidores como Drive Capital, JP Morgan e Wells Fargo. E captou US$ 81 milhões.

Com uma proposta semelhante e com foco na faixa etária de 8 a 18 anos, a britânica GoHenry também tem meio milhão de assinantes e desembarcou recentemente nos Estados Unidos. O custo mensal do serviço é de US$ 3,99.

Além do cartão de débito, sob a supervisão dos pais, as crianças podem estabelecer metas de economia. Criada em 2012, a empresa já levantou US$ 12,2 milhões em plataformas de equity crowdfunding.

Outra empresa que investe em um modelo similar é a americana Jassby. Pelo aplicativo, os pais conseguem programar pagamentos vinculados a tarefas e os filhos podem solicitar dinheiro. Ao mesmo tempo, o app é aceito em uma rede de parceiros, que inclui empresas como Apple e Domino’s Pizza.

Em operação desde 2017, a fintech tem cerca de 100 mil usuários e já captou US$ 10 milhões em quatro rodadas de investimento, com a participação de fundos como Blumberg Capital e Correlation Ventures.

A Greenlight oferece um cartão de débito para crianças, sob a supervisão dos pais, e já captou US$ 81 milhões junto a investidores como Drive Capital, JP Morgan e Wells Fargo

Mais voltada a adolescentes, a também americana Step já atraiu US$ 26,3 milhões de nomes como a fintech Stripe e o Crosslink Capital. O plano da empresa, criada em 2018, é se consolidar como o banco digital da Geração Z.

A Step oferece uma conta corrente e um cartão de débito Mastercard, sem a cobrança de taxas. E é uma prova do potencial desse mercado. Antes de entrar em operação, a startup já acumulava uma lista de espera de mais de 500 mil usuários.

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