O “salva-vidas” Jamie Salter compra a Reebok por US$ 2,5 bilhões

O empresário canadense Jamie Salter se notabilizou por adquirir marcas de roupa que passam por dificuldades financeiras. Agora, ela acaba de comprar a marca de artigos Reebok, da Adidas, em um negócio bilionário

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O empresário canadense Jamie Salter

O empresário canadense Jamie Salter – conhecido por comprar algumas das marcas mais famosas do mundo do vestuário e salvá-las da precipício, como Forever 21 e Aeropostale – acaba de acrescentar mais uma marca à sua coleção de negócios em dificuldades financeiras.

Dessa vez, o grupo de Salter, a Authentic Brands, vai desembolsar US$ 2,5 bilhões para comprar a americana Reebok, marca de artigos esportivos adquirida em 2006 pela alemã Adidas, que à época pagou US$ 3,8 bilhões.

Trata-se de uma aquisição simbólica para um empresário que começou sua vida profissional atuando no departamento de marketing de pequenas marcas esportivas, nos anos 1980, e que empreendeu em negócios desse segmento nos anos 1990.

“Há muitos anos que estamos de olho na Reebok”, admitiu Salter, em comunicado à imprensa. “A marca não apenas ocupa um lugar especial nas mentes e nos corações dos consumidores em todo o mundo, mas também tem uma ampla distribuição global.”

A aquisição da Reebok, que tem sede em Boston, está em linha com a estratégia que Salter tem adotado para ampliar o seu portfólio de investimentos: a de comprar marcas que já estão estabelecidas no mercado, mas que enfrentam problemas financeiros, como aconteceu com Brooks Brothers, Lucky Brand, Juicy Couture e Nautica.

Comprada pela Adidas para fazer frente à rival Nike, a Reebok foi tropeçando enquanto o próprio negócio principal de sua dona crescia, levando a uma pressão dos investidores para que a companhia se desfizesse da marca.

A Reebok foi colocada à venda no final do ano passado, após uma série de planos de reestruturação e reajustes estratégicos, e chegou a atrair o interesse de empresas de private equity, como Permira e Triton.

A venda para a Authentic Brands ficou abaixo do preço original, com um desconto de US$ 385 milhões. “Com esta mudança de dono, acreditamos que a marca Reebok estará bem posicionada para o sucesso a longo prazo”, disse o CEO da Adidas, Kaspar Rorsted, em comunicado.

Loja da Reebok

Segundo a Adidas, “a maior parte” do pagamento será em dinheiro, quando o negócio for concluído, no início do ano que vem. “O restante compreende a contraprestação diferida e contingente”, informou a empresa, que prometeu “dividir a maior parte do dinheiro arrecadado” com os acionistas.

A mais recente aquisição da Authentic Brands ocorre enquanto o grupo se prepara para abrir capital. O grupo tem entre seus controladores a maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, que pagou US$ 870 milhões em 2019. À época, a empresa foi avaliada em US$ 4 bilhões.

A papelada para o IPO foi iniciada no mês passado e, a potenciais investidores, Salter se mostrou confiante. “Há US$ 13 trilhões em comércio de marca em nossa mira”, disse ele durante o processo, segundo a Bloomberg.

A expectativa é que a Authentic Brands capte US$ 100 milhões. No ano passado, o lucro líquido do grupo quadruplicou para US$ 225 milhões, quando comparado aos US$ 56 milhões em 2016. A receita saltou de US$ 165 milhões para US$ 489 milhões no mesmo período.

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