Deezer “muda playlist” e agora quer entrar na bolsa via fusão com um SPAC

Rival do Spotify, o serviço de streaming francês Deezer cogitou um IPO anos atrás. Agora, volta a ficar próximo do mercado público com uma possível fusão o SPAC I2PO, que tem por trás a Kering, holding de marcas de luxo como Gucci, Balenciaga e Yves Saint Laurent

0
92
Leia em 3 min

Deezer: companhia francesa estuda entrada na bolsa de valores

A Deezer está mais perto da bolsa de valores. Concorrente de serviços como Spotify e Apple Music, a empresa francesa pode se tornar uma companhia de capital aberto num futuro próximo. Mas, em vez de um IPO tradicional, a ideia para isso é realizar uma fusão com um SPAC (Special Purpose Acquisition Company).

A companhia parisiense está próxima de anunciar um acordo ir à bolsa através da I2PO, segundo o jornal o The Wall Street Journal com pessoas familiarizadas com o assunto. Com ações listadas na bolsa de Paris, a sociedade de aquisição de propósito específico vale algo em torno de 568 milhões de euros.

A I2PO é apoiada financeiramente pela Kering, holding de marcas de luxo como Gucci, Balenciaga, Yves Saint Laurent, entre outras. O veículo é comandado por Iris Knobloch, executiva que chegou a ocupar o cargo de presidente de operações da WarnerMedia em diferentes mercados da Europa.

Se finalizado, o negócio pode ser anunciado já nos próximos dias. Os valores e detalhes financeiros envolvidos na fusão foram mantidos em sigilo pelas partes.

Essa não é a primeira vez que a Deezer flerta com o mercado de capitais. A companhia chegou perto de abrir capital por IPO aem 2015. Isso aconteceu por conta do receio de que o mercado de streaming não fosse obter bons resultados no futuro, uma previsão que se mostrou furada.

Os serviços de streaming são responsáveis por mais de 80% da receita de música gravada nos Estados Unidos, de acordo com dados da Associação da Indústria Fonográfica da América. Segundo outra associação, a Federação da Indústria Fonográfica, a receita da indústria musical cresceu 18,5% no ano passado, mais do que o dobro da média anual nos últimos quatro anos.

Durante o tempo em que operou como uma empresa de capital fechado, a Deezer recebeu mais de US$ 530 milhões em investimentos no mercado privado. A última captação foi feita em agosto de 2018, quando a companhia levantou cerca de US$ 173 milhões em um aporte de Série F.

Aposta arriscada

A chegada à bolsa de valores não é garantia de sucesso. Avaliada em US$ 27,1 bilhões, o concorrente Spotify serve como exemplo. As ações da empresa sueca negociadas na bolsa de valores de Nova York (Nyse) acumulam queda de 42% desde o começo deste ano.

O que também preocupa é o fato de que após explodirem em 2021, os SPACs vivem um momento de questionamento entre os investidores. O índice IPOX SPAC, que mede o desempenho dessas empresas, acumula queda superior a 11% desde o começo do ano. Nos últimos doze meses, a retração fica próxima de 25%.

Os resultados e a pressão de órgãos reguladores do mercado que estão mais atentos aos negócios envolvendo empresas de propósito específico geraram uma onda de cancelamento de fusões com SPACs. Foram 44 desistências contabilizadas no primeiro trimestre, segundo dados da Bloomberg. As aperações teriam arrecadado US$ 11,6 bilhões.

Fundada ainda em 2007 por Daniel Marhely e Jonathan Benassaya, o Deezer tem operações em 180 países e contabiliza 16 milhões de usuários ativos mensais. É um número relativamente baixo perto de seus rivais no mercado.

De acordo com a data provider Midia, a empresa contabiliza 2% da fatia de usuários de streaming de música. Com mais de 180 milhões de usuários no mundo, o Spotify tem 31% de market share. Apple Music e Amazon Music contam com fatias de 15% e 13%, respectivamente.

Leia também

Brand Stories