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Depois de “tempestade astral”, IRB quer virar a página e consolidar recuperação

Depois de herdar uma operação com uma séria crise de credibilidade no mercado, fruto de um balanço contestado e de práticas da antiga gestão, o CEO Antonio Cassio dos Santos está arrumando a casa e enxerga boas perspectivas em projetos ligados ao saneamento, renovação de concessões e leilão do 5G

 

Com mais de 20 anos de experiência no setor de seguros, Antonio Cassio dos Santos foi nomeado presidente do conselho de administração e CEO do IRB Brasil Resseguros em março deste ano, quando a empresa enfrentava uma crise de credibilidade no mercado.

Um balanço contestado pela gestora Squadra e a falsa veiculação de que a gestora Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett, havia comprado uma participação na companhia, explicavam o momento delicado da operação. Que ganhou contornos ainda mais críticos com a descoberta de práticas da gestão anterior, que encobriu sinistros e inflou os resultados da empresa, entre outras questões.

Oito meses depois, o clima no IRB é bem diferente. Santos entende que os principais impactos da crise já foram equacionados e que a empresa conseguiu, nesse intervalo, construir uma base sólida para consolidar o resgate de confiança no mercado.

“Em 2021, estaremos livres da tempestade astral que tivemos nesse ano”, afirmou Santos, em teleconferência com jornalistas na manhã desta quarta-feira, 4 de novembro. “E estaremos mais focados em olhar para frente do que resolver os problemas deixados pelo passado.”

O executivo destacou algumas boas perspectivas no horizonte do IRB. Entre elas, estão os investimentos projetado no País em decorrência do marco legal do saneamento, do programa de reformulação das concessões e o leilão do 5G.

“Nós imaginamos que esses programas trarão não só uma atividade anticíclica, mas também, um grande impacto na infraestrutura do País”, disse Santos. “E, em função da nossa experiência em projetos desse porte, temos uma vantagem competitiva nesse cenário.”

Ao mesmo tempo, no mercado internacional, ele observou a tendência de recuperação de preços no setor de seguros e resseguros, em um contraponto ao cenário observado nos últimos três anos, fruto do acirramento da competição nesse mercado.

Além da expectativa positiva, Santos ressaltou uma série de iniciativas implantadas pela nova gestão da empresa. A lista inclui a reestruturação do Conselho de Administração, com a eleição de sete novos integrantes, a reformulação de toda a diretoria da companhia e a nomeação de novos vice-presidentes, em cargos-chave da operação.

Outra medida envolveu o aumento de capital, no valor de R$ 2 bilhões, em agosto. O processo contou com um aporte de R$ 600 milhões do Bradesco e do Itaú Unibanco, donos de fatias de 15,8% e de 11,5%, respectivamente, na operação.

As estratégias também passaram pela captação de R$ 597 milhões com a emissão de debêntures, em outubro, e uma segunda emissão, anunciada ontem, para levantar até R$ 300 milhões. Com essas e outras ações, o IRB tem hoje R$ 7,4 bilhões em caixa.

O executivo destacou outros indicadores relativos ao terceiro trimestre, como o volume de R$ 23,3 bilhões em ativos e o patrimônio líquido de R$ 4,9 bilhões, além de uma solvência total, índice que leva em conta o patrimônio líquido em relação ao capital mínimo requerido para a operação, de 259,5%.

No período, o IRB apurou um prejuízo líquido de R$ 229,8 milhões, contra R$ 19,7 milhões, há um ano, mas com uma redução de 66,46%, quando comparada à perda de R$ 685,1 milhões do segundo trimestre.

Na última linha do balanço e em outros componentes do balanço, Santos salientou o impacto ainda presente das provisões relativas aos negócios descontinuados, segmento que reúne operações que foram canceladas ou não renovadas pela atual gestão, a partir de 30 de junho.

Desconsiderando os efeitos dessas provisões, que, segundo o executivo, passarão a ser marginais a partir do quarto trimestre, a companhia teria reportado um lucro líquido de R$ 149,4 milhões no período.

Santos observou ainda que, até o fim do ano, o IRB irá solucionar o desenquadramento das provisões regulatórias. No fim do segundo trimestre, esse índice estava na casa de R$ 3,4 bilhões e, em setembro, ficou em cerca de R$ 580 milhões.

Além das emissões de debêntures, o plano da companhia para resolver essa questão inclui frentes como a venda de ativos. “Estamos começando a sair do pântano e hoje já temos números consistentes com um futuro promissor”, disse Santos.

Apesar dessa perspectiva, as ações do IRB Brasil estavam sendo negociadas em queda de 3,9% por volta do meio-dia. No ano, em meio às turbulências vividas pela empresa, os papéis acumulam um recuo de cerca de 84%. Seu valor de mercado está em R$ 7,8 bilhões.

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