Dock adota sotaque “latino” e abre operações em quatro países

A fintech brasileira vai abrir escritórios no México, Peru, Chile e Colômbia. E deve chegar em breve a Argentina, Equador e República Dominicana

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O time da Dock: Jorge Alvarez, da Cacao (à esq.), Antonio Soares, da Dock (centro), e Gerardo Bonilla, da Cacao

Menos de um ano após mudar de nome de Conductor para Dock, a startup que atua com banking as a service agora quer ser conhecida também fora do Brasil. Nesta segunda-feira, 14 de março, a fintech está anunciando seus planos de expansão na América Latina.

A companhia está inaugurando escritórios na Cidade do México (México), Lima (Peru), Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia). A companhia também está em fase final de montagem das operações na Argentina, no Equador e na República Dominicana.

“Sempre tivemos o objetivo de criar uma plataforma que atendesse a todos os tipos de negócios. Agora vamos fazer isso em diferentes países”, diz Antonio Soares, fundador e CEO da companhia.

A expansão pela América Latina faz parte de um plano da startup para explorar um mercado de US$ 16 bilhões em “banking as a service” e de US$ 2,5 bilhões no processamento de cartões.

A estratégia começou a ser desenhada no ano passado, quando, em dezembro, a Dock acertou a compra da Cacao, empresa mexicana que atua com soluções de processamento de cartões.

Até ser comprada, a Cacao já havia emitido mais de 4 milhões de cartões por meio de suas plataformas e contava com uma carteira de clientes corporativos que incluía nomes como Albo, Bnext, Lanapay, Oyster, Kapital, Clip, Rapyd, Billpocket, Jefa e Tribal.

A compra da Cacao está diretamente relacionada aos planos de expansão da Dock para a América Latina. Tanto que os cofundadores da startup mexicana, Gerardo Bonilla e Jorge Alvarez, assumiram cargos de liderança dentro da fintech brasileira e vão supervisionar as operações da companhia fora do Brasil.

Ainda não há planos para expandir para outros continentes. “Aqui no México há um ditado que diz ‘devagar porque tenho pressa’. E isso resume bem o que queremos com a América Latina”, diz Bonilla.

Depois de desembarcar fora do Brasil, a meta da empresa para esse ano é estimular a expansão de sua linha de produtos. Uma solução “buy now pay later” deve der lançada ainda neste ano. No forno ainda está um produto voltado para o mercado de criptomoedas e novidades no que diz respeito ao PIX.

A estratégia também é um passo a mais da fintech em relação aos concorrentes que possui no Brasil, como a FitBank, startup que já atraiu investidores como J.P. Morgan e CSU, e o Magazine Luiza, que comprou a Hub Fintech, em dezembro de 2020, por R$ 290 milhões. Na lista ainda estão empresas do mercado bancário como BV, Banco Original e Citi e a Porto Seguro.

Crescimento acelerado

Com receita de R$ 280 milhões em 2020, a Dock cresce a uma taxa de 45% ao ano. Foram mais de 700 contratações realizadas no ano passado, expandindo a equipe para 1,7 mil funcionários. O total de contas ativas mensais aumentou 55% no fim do ano passado e terminou 2021 com 48,4 milhões. Atualmente são mais de 61 milhões de contas na plataforma que transaciona US$ 75 bilhões por ano.

Poucos meses antes do negócio realizado no México, a startup brasileira havia anunciado a aquisição da BPP (antiga Brasil Pré-Pagos), outra empresa que também opera com processos de infraestrutura por trás de produtos e serviços financeiros.

Para realizar as aquisições e bancar sua expansão na América Latina, a Dock reforçou seu caixa com um aporte de US$ 170 milhões captado no ainda no fim de 2020 junto a investidores como Temasek, Viking Global Investors e Sunley House Capital. Por ora ainda não há planos para buscar mais dinheiro no mercado privado.

A companhia também parece ter deixado de lado por ora os planos para realizar uma oferta pública inicial de ações. A expectativa do mercado era de que a Dock protocolasse um pedido de IPO na Nasdaq ainda no ano passado para uma captação de mais de US$ 600 milhões.

“No momento adequado, a gente vai avaliar se essa é a melhor forma de captar dinheiro para a companhia”, diz Soares. “Hoje não enxergo o IPO como a melhor alternativa.”

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