Efeito digital: 100 milhões de postos de trabalho deixarão de existir até 2030

Estudo da McKinsey aponta que vagas de menor qualificação, especialmente em áreas como food service, varejo e entretenimento, devem desaparecer até 2030. Mas posições que exigem maior conhecimento na saúde e tecnologia serão ainda mais necessárias

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A pandemia da Covid-19 dá sinais de que está longe do fim. Mas já é possível mensurar o seu impacto em alguns setores da economia e entender quais mudanças provocadas no mercado de trabalho permanecerão mesmo depois que o novo coronavírus estiver sob controle.

Segundo um estudo da consultoria McKinsey, até 100 milhões de postos de trabalho irão desaparecer até 2030 – e isso apenas em oito países que foram o foco da análise, por conta da diversidade de seus modelos de trabalho: Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, China, França, Japão, Espanha e Índia.

No caso dos Estados Unidos, por exemplo, a pesquisa projeta que um em cada 17 trabalhadores deverão deixar seus empregos atuais e procurar novas posições.

A tendência apontada pela McKinsey é de que cargos de baixa remuneração estejam entre os mais afetados. Isso inclui funcionários de atendimento ao público em setores como food service, entretenimento, varejo, turismo e profissionais de apoio em escritórios.

Nesses casos, marcados pela alta rotatividade e mobilidade entre setores distintos, o funcionário saía de uma posição em um food service e ia para o varejo ou para uma rede de hotéis. Com menos oportunidades, ele terá que fazer a transição para um emprego que irá demandar mais qualificação.

Esse contexto envolve o aprendizado de habilidades sociais, emocionais e tecnológicas, e menos tempo gasto em funções mecânicas, que tendem a ser substituídas pela tecnologia. Nessa transição, as mulheres, os jovens, as minorias e aqueles com menos educação formal serão os mais afetados.

Em contrapartida, o mercado vai abrir posições com melhores salários, especialmente na área de saúde e de ciência de dados, tecnologia e engenharia. É o que os especialistas chamam de recuperação em “K”: profissionais altamente qualificados serão ainda mais procurados, enquanto posições menos qualificadas entrarão em declínio.

A mudança nas profissões não é a única tendência apontada pelo estudo. O trabalho remoto também deve se tornar uma prática duradoura, embora em menor escala do que no auge da pandemia.

Grandes empresas de tecnologia, como Uber, Google e Facebook, estenderam o período em que vão deixar seus funcionários trabalhando de casa ao menos até meados do segundo semestre desse ano.

Nesse formato, economias mais desenvolvidas oferecem mais oportunidades do que as nações em desenvolvimento. Em países como Reino Unido, Alemanha e Japão, até 25% dos profissionais de setores como mercado financeiro podem trabalhar definitivamente de três a cinco dias por semana em casa.

O trabalho remoto também tem um impacto direto na demanda por escritórios e casas. Nos Estados Unidos, a busca por casas disponíveis para aluguel em grandes centros urbanos caiu, enquanto alternativas nos subúrbios passaram a despertar mais interesse.

Por fim, o e-commerce e outras transações virtuais, aceleradas durante a pandemia, vão seguir em expansão. Ao longo de 2020, as vendas online cresceram seis vezes no Reino Unido, três vezes nos Estados Unidos e quase cinco vezes na Espanha.

Três quartos dos entrevistados pela McKinsey disseram que pretendem continuar comprando online mesmo quando a situação voltar à normalidade.

Não à toa, a Amazon contratou 400 mil pessoas durante a pandemia em todo o mundo. Na China, 5,1 milhões novas vagas de trabalho foram abertas em e-commerce, delivery e mídias sociais.

A tendência também é observada em outras interações online, como a telemedicina, o uso de plataformas de streaming e transações bancárias via app.

Este é o primeiro estudo da McKinsey sobre a economia pós-pandemia. Outros dois serão lançados em breve. O segundo, sobre as mudanças de comportamento dos consumidores e, o terceiro, sobre o potencial de recuperação movido por inovação e maior produtividade.

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