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Esportista, ativista e empresária: Megan Rapinoe joga em todas as posições

Capitã da seleção americana de futebol, ela desafiou Donald Trump, ganhou a Copa do Mundo e vem batendo um bolão na discussão de igualdade de gênero. Agora, ela quer também mostrar seu talento nos negócios

 

Megan Rapinoe agora investe em uma marca própria de moda

Trajando uma camiseta da banda Pink Floyd e blazer executivo preto, Megan Rapinoe mostrou no palco do Dreamforce 2019, em São Francisco, evento da Salesforce acompanhado pelo NeoFeed, que certos contrastes nunca saem de moda – e não se limitam às passarelas. Com o já icônico cabelo cor-de-rosa, a jogadora de futebol espelha no armário as múltiplas facetas de sua própria personalidade: além de atleta, Rapinoe também veste a camisa de ativista política e, mais recentemente, de empresária. 

Junto às também jogadoras e colegas Tobin Powell, Meghan Klingenberg e Christen Press, Rapinoe lançou, em julho deste ano, a marca de roupas Re-Inc. “Sentíamos que não éramos representadas nas opções que tínhamos disponíveis. Eu não consigo usar uma calça P masculina, porque meu quadril não é estreito. E nem os moletons, porque meus ombros não são tão largos. Não encontrava peças de roupa que refletiam os meus valores”, diz.

Com vendas online, a Re-Inc tem, por enquanto, uma única coleção, chamada RWB Capsule, uma reinterpretação da moda street wear. A linha é composta por camisetas a partir de US$ 60, blusas de agasalho começando em US$ 110, meias por US$ 25, calças comercializadas por US$ 150 e shorts que saem por US$ 90. Todas as peças estão disponíveis em três cores: branca, vermelho canyon e dusk blue.

Com vendas online, a Re-Inc lançou apenas uma única coleção, chamada RWB Capsule, uma reinterpretação da moda street wear

Embora essa seja sua primeira jogada no mundo dos negócios, há tempos Megan pratica a liderança dentro de campo. Seu primeiro contato com a modalidade aconteceu mesmo nas arquibancadas. Dividindo com a irmã gêmea o título de caçula, Megan ia à campo compulsoriamente para ver o irmão Brian, cinco anos mais velho, em ação.

Aos três anos de idade, a garota entendeu que não tinha talento para ser plateia, fazendo dos gramados seu palco particular. O pontapé de sua carreira profissional aconteceu no Chicago Red Stars, em 2009. No ano seguinte, ela integraria a equipe do Philadelphia Independence antes de se mudar, em meados de 2011, para a Austrália, onde defenderia o Sydney FC.

No verão do hemisfério norte de 2012, a jogadora voltou pra casa, e se uniu ao Seattle Sounders Woman, que já contava com grandes figuras, como Hope Solo e Alex Morgan. No mesmo ano, ela passou uma temporada na França jogando pelo Olympique Lyonnais. Foi só em 2013 que a atleta assinou com o Seattle Reign FC, clube que defende até hoje.

Duas vezes campeã mundial pela seleção americana, Rapinoe foi catapultada à fama mundial na Copa do Mundo Feminina de 2019 – mas não por seu talento no futebol. Embora público e crítica reconheçam o talento da moça, sua ascensão “repentina” se deu por motivos políticos.

Campanha da grife de moda de Megan Rapinoe

Antes de levantar o caneco que faria dela e de suas amigas as melhores jogadoras do mundo, a capitã da seleção falou à imprensa que não visitaria a Casa Branca, caso vencesse o campeonato. Essa sua fala foi o ponto inicial de uma troca de tweets e indiretas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Trump, que disse publicamente que Rapinoe deveria primeiro ganhar a Copa do Mundo para depois pensar em “esnobar” a Casa Branca, teve de engolir suas palavras quando as mulheres seguraram o troféu. “Desde o começo preferi dar minha resposta dentro de campo, fazendo o meu trabalho”, conta, “e eu estava jogando uma Copa do Mundo, não tinha tempo para respondê-lo”.

Ao vencer o torneio, Megan soltou a voz. Dias depois, em um evento público, em Nova York, aproveitou o microfone e o palanque para alfinetar Trump. “Esse grupo é muito resiliente, batalhador e bem humorado. Composto por mulheres brancas e negras. Por mulheres hétero e gays. Não poderia estar mais honrada em liderar essa equipe em campo. E não há outro lugar onde gostaria mais de estar, nem mesmo da corrida presidencial. Desculpe, estou ocupada”, disse.

Batendo um bolão dentro e fora de campo, Rapinoe tem, promovido debates sobre questões de gênero e de igualdade

Batendo um bolão dentro e fora de campo, Rapinoe tem, promovido debates sobre questões de gênero e de igualdade. “Estamos organizadas e sabemos exatamente o que queremos e o que é justo”, afirma.

Aberta ao diálogo, a atleta diz ainda que as coisas estão melhorando e, lentamente, as mulheres passam a ser remuneradas da mesma forma que homens ocupando a mesma posição. “Estou ansiosa pelo dia em que não precisemos lutar por essas coisas”, finaliza.

Ao que tudo indica, porém, ainda há muito trabalho pela frente. De acordo com a rede de televisão americana CNBC, a Copa do Mundo de 2019 distribuiu US$ 30 milhões entre os times participantes – apenas 7,5% dos US$ 400 milhões dado ao vencedor da Copa do Mundo masculina. O vencedor embolsou US$ 4 milhões – recursos provenientes exclusivamente da FIFA.

Paralelo a esse montante, cada uma das jogadoras americanas recebeu US$ 3 mil nas vitórias de partidas classificatórias; US$ 37,5 mil por colocar os EUA na Copa do Mundo; outros US$ 37,5 mil por chegarem à final e mais US$ 110 mil por ganharem o campeonato todo. 

Todos esses “extras”, somados ao salário mensal que recebe pelo Seattle Reign e às campanhas publicitária que estreou, geraram à Rapinoe uma quantia de US$ 3 milhões. Astros como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar ganham mais do que isso em apenas um mês. A luta de Rapinoe, definitivamente, está só no começo.

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