Startups

Executivos de renome, celebridades e US$ 1,75 bi em aportes não seguraram a Quibi

Lançada em abril como a “Netflix dos celulares”, a startup, dona de uma plataforma de streaming de vídeos curtos para smartphones, sucumbiu sob a combinação de um modelo frágil com os impactos da pandemia

 

Meg Whitman (esq.), CEO da Quibi, e Jeff Katzenberg, fundador da companhia

Pouco mais de seis meses depois de ir ao ar, a Quibi começa a “desligar os aparelhos”. A empresa, que prometia revolucionar o consumo de mídia por celular, vai encerrar suas operações. 

Mesmo com o caixa recheado por duas rodadas de investimento, no valor total de US$ 1,75 bilhão e o envolvimento de executivos estrelados no negócio, a startup não suportou o tranco da pandemia e os efeitos de uma estratégia mal traçada.

Criada pelo guru de Hollywood, Jeff Katzenberg, ex-presidente da Disney e da DreamWorks, a plataforma de streaming exclusiva para celular apostava em conteúdos originais de curta duração. Com a ideia de capturar a “atenção fracionada” dos usuários, suas séries, filmes e entrevistas somavam, no máximo, 10 minutos por episódio. 

Diretores, produtores e atores renomados, como Anna Kendrick, Christoph Waltz e Liam Hemsworth, foram escalados para turbinar a biblioteca autoral da empresa, que tem como CEO Meg Whitman, executiva que ganhou fama, entre outras questões, por ter liderado a HP e conduzido a separação da gigante de tecnologia em duas operações distintas. 

Todos esses recursos não se traduziram, porém, em “sucesso de bilheteria”. “Nosso fracasso não foi por falta de tentativas”, afirmaram Whitman e Katzenberg em carta divulgada nesta quarta-feira a investidores e funcionários. “Nós consideramos e esgotamos todas as opções disponíveis.” 

Segundo reportagem do The Wall Street Journal, a dupla decidiu fechar a empresa em um esforço para devolver o máximo de recursos aos investidores. Nessa linha, a startup vai buscar a venda dos direitos de parte de seu conteúdo para outras empresas de mídia e de tecnologia.

Na carta, os dois executivos também ressaltaram o lançamento em meio à pandemia foi “particularmente inoporturno” e que o modelo desenhado não era forte o suficiente para justificar um serviço de streaming independente.

Alguns números mostram a derrocada da Quibi. Dos 910 mil usuários que baixaram o aplicativo na semana de sua estreia, no início de abril, quando o download era gratuito, 92% não seguiram na plataforma, segundo levantamento da agência Sensor Tower, publicado em setembro.

A Quibi trabalha com mensalidades a partir de US$ 4,99 para dar acesso ilimitado à sua programação. Entretanto, o preço do serviço não é apontado como o pivô de sua queda. 

Dos 910 mil usuários que baixaram o aplicativo na semana de sua estreia, no início de abril, quando o download era gratuito, 92% não seguiram na plataforma

Para analistas, a companhia de Katzenberg subestimou a pandemia. A crise sanitária, que obrigou milhões de pessoas no mundo todo a ficarem em casa, trouxe mudanças nos hábitos e na relação com o celular.

Nesse novo contexto, diferentemente do que acontecia antes da Covid-19, os aparelhos já não eram tão necessários para entreter os usuários enquanto eles esperavam o ônibus, o começo de uma reunião ou em uma fila do banco. 

O impacto foi tão grande que a Quibi se viu obrigada a permitir que seus assinantes consumissem seu conteúdo na televisão – uma possibilidade que os executivos sequer cogitavam na época do lançamento da plataforma. 

Pouco a pouco, a empresa foi queimando seu investimento bilionário, captado junto a Walt Disney, NBCUniversal, AT&T, WarnerMedia e outros grandes nomes do entretenimento.

Além desse capital, o serviço de streaming atraiu cerca de US$ 150 milhões com publicidade mesmo antes de sua estreia. A relação incluiu anunciantes de peso como PepsiCo, Walmart e AB Inbev. Mas a audiência abaixo do esperado levou essas marcas a adiarem o pagamento de suas cotas. 

A sucessão de episódios problemáticos da startup bilionária inclui ainda uma dor de cabeça jurídica. A empresa de tecnologia Eko acionou a Quibi nos tribunais por conta da tecnologia de streaming usada na plataforma.

A Eko alega que detém a patente do mecanismo que permite ao usuário rotacionar o celular, na vertical e na horizontal, de forma quase imperceptível.  Nessa batalha judicial, ainda em curso, a Eko conta com o apoio financeiro do Elliot Managment. Em troca, o fundo de hedge busca uma participação acionária na companhia.

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