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Com TikTok, o Walmart pode tirar a Amazon para dançar

A maior varejista dos EUA entrou na briga pelo TikTok em conjunto com a Microsoft. E os mais de 100 milhões de usuários da rede social de vídeos curtos nos EUA, que adoram fazer uma dancinha, podem ser o empurrão que faltava para o Walmart fazer frente à Amazon no ambiente digital

 

O Walmart quer pegar o bonde andando e sentar na janelinha. Mas está disposto a pagar caro por isso. A maior varejista americana ainda não conseguiu replicar no ambiente digital o sucesso de suas lojas físicas, deixando o domínio do comércio online nas mãos da Amazon, de Jeff Bezos

Há 10 anos, a companhia fundada por Sam Walton, no Arkansas, investe em sua presença digital e no começo de março chegou a anunciar o Walmart+, serviço de entrega rápida, equivalente ao Amazon Prime, uma das principais estratégias do concorrente. 

Mas enquanto seu programa de assinatura não sai do papel, o Walmart pode fazer do TikTok um atalho para a bonança digital. Isso porque a companhia confirmou, nesta quinta-feira, 27 de agosto, que vai se juntar à Microsoft na proposta de aquisição do aplicativo chinês de vídeos curtos que é uma sensação mundial.

O negócio, segundo fontes citadas pelo site da CNBC, deve ficar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões, e faz frente à oferta da Oracle, que conta com o apoio de Donald Trump, e com o respaldo financeiro dos fundos de venture capital Sequoia Capital e General Atlantic, atuais acionistas da ByteDance, dona do aplicativo.

Em comunicado, o Walmart disse que a integração proposta pelo TikTok de e-commerce e publicidade é um “claro benefício a criadores e usuários”. Mais adiante, a companhia também afirmou que acredita que “uma possível relação com o aplicativo, nos EUA, em parceria com a Microsoft, pode fornecer ao Walmart um omnicanal para atender e alcançar clientes, bem como expandir o marketplace e os negócios de publicidade”. 

O Walmart conta com quase 12 mil lojas em 27 países, uma rede que recebe, só nos Estados Unidos, 150 milhões de clientes semanalmente. Essa movimentação gerou, segundo o último relatório anual da empresa, US$ 523,9 bilhões em vendas ao longo de 2019. No mesmo período, a Amazon, vice-colocada no ranking, faturou US$ 250,5 bilhões.

Apesar disso, a gigante comandada por Bezos abocanha 40% das vendas online, enquanto o Walmart vem bem atrás, com 5% do mercado, segundo dados da consultoria eMarketer.

Essa mesma discrepância é refletida no valor de mercado. Enquanto a Amazon é avaliada em US$ 1,7 trilhão, atrás apenas de Apple e Microsoft, o Walmart vale US$ 386 bilhões. 

O Walmart ainda não falou se ou como pretende trabalhar o Walmart+ no TikTok, caso sua oferta seja aceita. Mas se fizer uma integração, a plataforma já nasce com uma respeitável base de usuários.

O aplicativo de vídeos curtos chinês tem quase 100 milhões de usuários ativos todos os meses apenas nos EUA. Para fins de comparação, o Amazon Prime, que foi lançado em fevereiro de 2005, acumulava, até janeiro deste ano, 112 milhões de assinantes. 

Até então, para tentar “alcançar” o time de Bezos, o Walmart apostava no modelo tradicional de desenvolver um novo modelo de negócio, como contou ao NeoFeed Charles Fishman, autor do livro Nos Bastidores do Walmart.

“O Walmart passou os últimos 10 anos desenhando uma maneira de fazer frente à Amazon nesse ambiente digital”, afirma ele, que revela ainda que a empresa conta uma equipe de 3 mil pessoas no Vale do Silício, “totalmente focadas na missão de revolucionar o walmart.com.”

Para Bob Bierman, diretor da G100 Network, que é uma espécie de clube de CEOs, promovendo reuniões e desenvolvimento interpessoal, as vantagens da aquisição do TikTok, para a Walmart, seriam ainda maiores.

“A empresa gastou US$ 2,57 bilhões com publicidade no ano passado. Essa oferta pelo TikTok seria como sair do aluguel”, analisou o executivo, refutando as críticas nas redes sociais de que essa transação não faria sentido.

E, pelo jeito, não é apenas Bierman que viu lógica e estratégia no negócio. O mercado parece também aprovar a movimentação do Walmart. As ações da varejista subiram 4,54% nesta quinta-feira

Todo esse otimismo pode ser confirmado nos próximos dias, porque a ByteDance, detentora do aplicativo, está próxima de tomar uma decisão, de acordo com fontes da CNBC.

De clientes a parceiros

Dois anos atrás, o Walmart assinou um contrato de cinco anos com a Microsoft, adotando a solução em nuvem Azure e incorporando outros serviços de produtividade e as ferramentas do Office 365.

A oferta da Walmart/Microsoft e da Oracle pelo TikTok acontece em um momento em que a rede social chinesa é obrigada, pelo governo de Donald Trump, a aceitar a proposta de um comprador americano pela operação local.

Em janeiro deste ano, o Pentágono adotou como medida de segurança a proibição da instalação e uso do aplicativo em dispositivos públicos, alegando suspeitas de espionagem pelo aplicativo chinês.

Meses depois, em julho, o Secretário do Estado, Mike Pence, declarou que estava estudando banir o aplicativo de todo território nacional por desconfiar de que o governo da China estaria acessando os dados dos usuários coletados pelo TikTok.

A rede social negou todas as acusações e confirmou que os dados coletados de usuários nos Estados Unidos são armazenados em servidores locais, com backup em Cingapura. 

Sob pressão de todos os lados, o CEO do aplicativo, Kevin Mayer, anunciou na manhã desta quinta-feira, 27 de agosto, que deixaria o cargo. O executivo estava na posição há apenas três meses e citou a venda forçada e a coerção política como motivos de sua saída.

“Eu entendo que o cargo que eu aceitei – inclusive o de liderar o TikTok globalmente –, vai ser muito diferente por conta da ação administrativa americana que obriga a venda da operação local”, contou em comunicado obtido pela CNBC.

Na última terça-feira, 25 de agosto, o TikTok acionou a administração Trump judicialmente, numa tentativa de ganhar mais tempo e até tentar impedir que seja barrado dos EUA. A companhia argumenta se tratar de uma decisão inconstitucional, alegando que não lhe foi dada uma chance de resposta.  

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