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O “copia e cola” do Facebook para barrar o TikTok acaba de nascer. Eis o Reels

Nova ferramenta de vídeos de 15 segundos, com edição curta e divertida, está disponível no Instagram de usuários de 50 países, inclusive Estados Unidos e Brasil. Facebook contratou alguns TikTokers para criar e promover o conteúdo de sua nova aposta

 

Reels tem vídeos de 15 segundos com as mesmas funcionalidades do TikTok

Depois do Snapchat, o Instagram agora usa a mesma arma para tentar enfrentar o TikTok: a máquina de “xerox“. O aplicativo de compartilhamento de fotos e vídeos do Facebook lançou hoje, em 50 países, o seu Reels, uma ferramenta que funciona à imagem e semelhança do rival chinês.

Agora, os usuários do app do Instagram podem gravar vídeos de até 15 segundos e acrescentar edições com cortes rápidos, música, efeitos, realidade aumentada e outros recursos que tornam o conteúdo mais divertido.

A premissa é a mesma do TikTok, que já foi baixado duas bilhões de vezes e que, até o começo de julho, contava com 800 milhões de usuários ativos, segundo dados da agência Datareportal.    

Essa estratégia de cópia não é novidade nas empresas controladas por Mark Zuckerberg. Depois de identificar um app ou rede social que possa ameaçar a liderança de um de seus produtos, “Zuck” faz uma oferta de compra e, caso a negociação não seja bem-sucedida, lança ele mesmo um serviço igual.

Em 2013, o Facebook ofereceu US$ 3 bilhões ao jovem Snapchat, um aplicativo de apenas dois anos, mas com uma base crescente de jovens usuários. Evan Spiegel, CEO do app do fantasminha, declinou a proposta

Em 2017, Spiegel viu o Instagram colocar no ar o Stories, que segue a mesma lógica do seu aplicativo: o compartilhamento de vídeos que ficam no ar por, no máximo, um dia. 

No caso do TikTok, porém, o buraco é um pouco mais embaixo. Uma reportagem do BuzzFeed sugere que o Facebook passou o segundo semestre de 2016 negociando a compra do aplicativo chinês Musical.ly.

Segundo o artigo, o Facebook via na transação uma oportunidade de entrar no mercado chinês, mas, apesar dos esforços, as conversas não evoluíram.
Quem arrematou o app, em novembro de 2017, por US$ 800 milhões foi a ByteDance, que incorporou as aplicações de sua nova aquisição ao TikTok. 

Disponível nos Estados Unidos desde 2018, o TikTok é o aplicativo mais baixado do ano. No primeiro trimestre de 2020, o app registrou 315 milhões de downloads – melhor métrica já apresentada por um aplicativo na história. 

Mas esse sucesso vem com um preço: o governo americano ameaça banir o aplicativo de seu território diante de suspeitas de espionagem internacional. As acusações são de que o app compartilha indevidamente dados sensíveis com a China. O TikTok nega que compartilhe  dados com o governo chinês.

Para evitar as sanções, a ByteDance estaria analisando a venda do aplicativo a uma empresa americana. A Microsoft é a principal interessada.

Diante do Congresso americano, Mark Zuckerberg foi o único dos quatro CEOs interrogados que disse acredita que as empresas chinesas são usadas pelo governo de seu país para investigar outros países.

Enquanto os outros empresários afirmaram não terem tido nenhuma experiência que comprove a espionagem por parte do governo de Xi Jinping, Zuckerberg disse que “está documentado que a China se apropria da tecnologia de empresas americanas.”

Antes desse episódio, o fundador do Facebook já havia sido bastante vocal quanto a isso, fazendo críticas diretas ao TikTok. Mas no melhor estilo “quem desdenha quer comprar”, ele agora “se tornou” o rival com o Reels.

A cantora Selena Gomez, que coleciona 185 milhões de seguidores no Instagram, foi uma das primeiras celebridades a testar a nova ferramenta. Sem usar nenhum efeito ou recurso de edição, Selena abre sua geladeira em um vídeo de 15 segundos que conta com quase 26 milhões de visualizações, 4,4 milhões de likes e 26 mil comentários.

Para ajudar na popularização da nova ferramenta, o Facebook contratou alguns TikTokers para criar e compartilhar conteúdo no Reel, mas não revelou o montante dedicado a esta ação. 

A companhia já havia tentado enfrentar o TikTok antes, com um aplicativo independente, chamado Lasso. Lançado no final de 2018, o app nunca ganhou muita tração. Segundo o site de notícias Techcrunch, eram menos de 80 mil usuários ativos na plataforma Android. O Facebook anunciou o encerramento da Lasso há algumas semanas.

Em vez de ser uma ferramenta à parte, o Reels está incorporado no ambiente do Instagram, e disponível para a base de 1 bilhão de usuários.

Para acessar a novidade, o usuário precisa apenas ir até a aba do Stories e selecionar a opção Reel na parte inferior da tela. Ao clicar nessa opção, o usuário é levado a uma nova janela, onde a câmera é ativada e, no lado direito, os recursos de edição são exibidos. 

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