EXPERTSMUDE OU MORRA

TikTok: Donald Trump e Satya Nadella unem a fome com a vontade de comer

A eventual compra do aplicativo TikTok daria três tesouros à Microsoft: base, dados e vídeos. Para Trump, reforçaria seu discurso eleitoral contra os chineses

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella

O que as eleições americanas, o governo chinês, Satya Nadella e Donald Trump têm em comum? Ou em outras palavras, por que a Microsoft quer comprar o TikTok?

First things first: eleições presidenciais americanas chegando, cenário adverso para o presidente Donald Trump por conta do Covid e sua estratégia de campanha cada vez mais focada no inimigo chinês, vide fechamento do consulado em Houston.

Aos fatos 1: Trump ameaça proibir o TikTok nos EUA.

O presidente americano acusa a startup chinesa de passar dados de cidadãos americanos ao governo de Pequim.

Para evitar que isso siga acontecendo, ele afirma que irá banir o uso do aplicativo TikTok em solo americano – até que se descobre que outra alternativa mais inteligente seria permitir que uma empresa americana compre o aplicativo!

Aos fatos 2: Microsoft confirma o interesse em comprar o TikTok

Ou seja, parece que o TikTok tem duas alternativas: ser banido pelo governo americano ou comprado pela empresa comandada por Satya Nadella. Tal situação, dá uma margem de negociação brutal ao CEO da gigante americana.

Mas, afinal, o que a Microsoft ganharia com a compra das operações do TikTok nos EUA, Canadá, Nova Zelândia e Austrália?

A Microsoft é o que é. De longe, a menos sexy da Big Tech americanas. Um gigante de vendas B2B, enterprise, com receita previsível, altamente lucrativa. Com dois desafios iminentes: receita de publicidade andando de lado e baixa conexão com gerações mais jovens.

Ao que o TikTok poderia ajudar nos dois desafios. A eventual compra dos chineses daria três tesouros à empresa de Redmond: base, dados e vídeos.

Base bilionária e com presença global de jovens. Dados, muitos dados. E um volume colossal de vídeos dessa molecada para monetizar via publicidade. O desafio inerente a essa decisão é um passo relevante em direção ao – quase – desconhecido universo B2C.

Passando a régua, me parece que esse eventual deal é a fome com a vontade de comer.

Serve ao presidente Donald Trump, serve a Satya Nadella. Sim, não deixa de ser irônico ver a Microsoft cortejando a administração Trump. Mas negócios são negócios. Dia 15 de setembro, saberemos os capítulos dessa novela.

*Renato Mendes é investidor, professor na pós- graduação do Insper, mentor na Endeavor Brasil e autor do livro “Mude ou Morra”, finalista do Prêmio Jabuti 2019.

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