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O TikTok quer ficar “americanizado” para evitar sanções dos EUA

Com a crescente pressão de autoridades dos EUA, fundos de venture capital como Sequoia e General Atlantic, que investem na ByteDance, dona do TikTok, podem assumir o controle do popular aplicativo de vídeos curtos

 

TikTok foi o aplicativo mais baixado do mês de junho, com 87 milhões de downloads

Para não ter sua vida em território americano abreviada, assim como os vídeos postados em sua plataforma, o TikTok pode trocar de mãos.

Uma reportagem do site The Information revelou que alguns investidores americanos da chinesa ByteDance, dona do TikTok, estão avaliando assumir o aplicativo numa tentativa de garantir sua permanência nos EUA, um de seus principais mercado. Tal manobra teria sido considerada em dezembro do ano passado, mas a ByteDance não aceitou a estratégia.

Agora, a Sequoia Capital e General Atlantic estariam liderando as conversas, que vêm na esteira das últimas decisões da Casa Branca. Alegando preocupação com a segurança nacional, o governo americano proibiu funcionários públicos de instalar e manter a rede social de vídeos de curta duração em celulares estatais. 

Paralelo a essa determinação, a equipe de Donald Trump ainda discute medidas mais severas, que poderiam implicar no banimento parcial ou completo do TikTok dos EUA. Para justificar tais sanções, a Casa Branca alega que informações pessoais dos usuários poderiam ser cedidas ao Partido Comunista da China, do presidente Xi Jinping. 

Além de negar as suspeitas, o TikTok alega que todos os dados coletados localmente são armazenados em servidores domésticos e que um backup é mantido em Cingapura. 

Mas se as providências tecnológicas não são suficientes para inspirar a confiança das autoridades dos Estados Unidos, o aplicativo espera que promessas econômicas sejam.

Na terça-feira, 21 de julho, o TikTok revelou que pretende criar 10 mil vagas de trabalho no EUA, nos próximos três anos. Atualmente, a empresa emprega 1,4 mil funcionários.

“São oportunidades bem remuneradas que vão nos ajudar a seguir construindo uma experiência divertida e segura, protegendo a privacidade de nossa comunidade”, disse um porta-voz da companhia à rede de televisão CNN.

As novas vagas de trabalho têm foco em vendas, engenharia, suporte ao cliente e moderação de conteúdo. Os estados da Flórida, Nova York, Califórnia e Texas seriam os mais beneficiados, sendo que a equipe deste último já triplicou em 2020. 

Essa tática de abordar a criação de emprego quando se está sob a mira das autoridades é recorrente no Vale do Silício. Vale lembrar, por exemplo, que poucas semanas atrás o bilionário Elon Musk, irritado pelo fechamento prolongado da fábrica californiana da Tesla, ameaçou transferir a operação para o Texas, caso o governo não autorizasse sua reabertura. O número de empregos foi um dos argumentos explorados pelo executivo.

Dado o desgaste dessa estratégia, a ByteDance sabe que essa “jogada” talvez não seja suficiente para convencer as autoridades locais e, com isso, reconhece que está cada vez mais difícil manter o controle do aplicativo. Sobretudo porque outros países também estão fechando o cerco contra a rede social. Índia, Indonésia e Bangladesh já proibiram o app em seus territórios.

Ceder o controle do aplicativo a fundos americanos poderia ser crucial para o TikTok, que veria no movimento uma oportunidade de aposentar a pecha de “aplicativo chinês”. 

A mesma lógica foi utilizada pela também chinesa Beijing Kunlun Tech, que em janeiro de 2020 cedeu à pressão internacional e vendeu 98% das ações do aplicativo de encontros gay Grindr, por US$ 608 milhões, para a americana San Vicente Acquisition Partners. 

O valor do TikTok é estimado em mais de US$ 100 bilhões, de acordo com a Bloomberg. O aplicativo de vídeos curtos foi o mais baixado do mês de junho, com 87 milhões de downloads. No mundo, o app foi baixado por 2 bilhões de usuários. 

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