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Fabricantes de carros elétricos pegam carona em “cheques em branco” para chegar à bolsa

Empresas como Nikola, Fisker e Lordstown estão se unindo a special purpose acquisition companies (SPACs), também conhecidas como “companhias de cheque em branco”, para captar recursos e abrir o capital nos EUA

 

Modelo Ocean, da fabricante Fisker, considerada a “Apple” do setor automotivo

As fabricantes de veículos elétricos encontraram um atalho para abrir o capital em Wall Street. São as special purpose acquisition companies (SPACs), também conhecidas como “companhias de cheque em branco”.

Um SPAC capta recursos nos mercados públicos para fazer uma aquisição dentro de um prazo de até dois anos. Os investidores apostam sem saber qual a empresa a ser comprada até que o negócio se concretize – daí o termo “cheque em branco”.

A estratégia é bastante antiga, mas tem ganhado popularidade este ano. Até julho de 2020, mais de US$ 12 bilhões foram levantados em 40 SPACs nos Estados Unidos.

Boa parte desses recursos está indo parar nas “rodas” dos fabricantes de carros elétricos, que estão pegando carona nos SPACs para “captar” cheques milionários e, ao mesmo tempo, terem suas companhias listadas em bolsas de valores.

É o caso da Nikola, focada no desenvolvimento de caminhões e caminhonetes elétricas, que fez, em junho deste ano, uma joint venture com a VectoIQ Acquisition Corp. Com isso, ela conseguiu captar US$ 700 milhões, ao mesmo tempo que passou a ser cotada na bolsa eletrônica Nasdaq nos Estados Unidos.

Cerca de duas semanas após a companhia começar a negociar seus papéis na Nasdaq, o valor de suas ações passaram de US$35,9 para US$ 65,9 – um aumento de 83%.

Atualmente, a ação da companhia  é negociada por US$ 38,6. A avaliação da empresa é de quase US$ 15 bilhões, um pouco mais da metade do valor da Ford, estacionado em US$ 27 bilhões.

Em julho foi a vez da Spartan Energy Acquisition, um SPAC, fazer uma joint venture com a californiana Fisker, abrindo o caminho para que a companhia chegue a Bolsa de Nova York (Nyse) no fim deste ano.

Com a transação, a Fisker, que chama atenção por ser considerada “a Apple do setor automotivo”, captou um US$ 1,1 bilhão e foi avaliada US$ 2,9 bilhões.

“Mesmo que haja espaço para muitas marcas, acreditamos que a Fisker e a Tesla estarão na liderança do setor de carros elétricos nos próximos anos”, explicou Geoffrey Strong, chairman e CEO da Spartan, em entrevista à Reuters.

A crença de Strong tem a ver com o modelo Ocean, o primeiro da marca a ser entregue no fim deste ano. O veículo, além de ser ecologicamente correto, tem no preço seu maior atrativo: US$ 29,9 mil. O modelo de entrada da Tesla, o Model 3, começa em US$ 35 mil.

No começo de agosto foi a vez da pequena Lordstown, também especializada na fabricação de caminhões comerciais elétricos, pegar carona com um “cheque em branco” de US$ 500 milhões. Quem “assinou” a papelada foi a Diamond Peak, que considerou outras 150 startups antes de investir na Lordstown.

O que fez a Lordstowns e destacar das demais startups foi o fato de a empresa já contar com um pedido de 15 mil caminhões de frotas comerciais. Só a companhia de reparo, reformas e limpeza Servpro sinalizou interesse em adquirir 1,2 mil. Depois do anúncio da joint venture, as encomendas saltaram para 27 mil, o que significa US$ 1,4 bilhão em vendas.

Outra californiana deve em breve cruzar essa ponte até Wall Street. A Canoo, que tem um modelo futurístico bastante diferente, considerado um “loft sobre rodas”, deve abrir seu capital com uma ajuda de um SPAC. Adquirida pela Hennessy Capital Acquisition Corp., a companhia foi avaliada em US$ 2,4 bilhões e levantou US$ 600 milhões com o acordo.

Embora não seja exatamente uma fabricante de carros elétricos, a Luminar também faz parte deste universo. A startup é especializada no desenvolvimento do Lidar, um sensor a laser praticamente indispensável para a construção de um carro autônomo. Por esse motivo, a SPAC Gores Metropoulos Inc. avaliou em US$ 3,4 bilhões a empresa.

Os SPACs estão apostando em um setor que tem potencial de crescimento exponencial nos próximos anos. Tanto que a Tesla, que vale US$ 375 bilhões, se tornou a maior empresa em valor do mercado automobilístico.

Os carros elétricos respondem hoje por apenas 2% do mercado automobilístico americano, mas a expectativa é que essa porcentagem salte para mais de 50% nos próximos 20 anos.

As companhias estão dispostas a preencher seus” cheques em branco” com startups que acelerem fundo a um mercado avaliado, em 2019, em US$ 162 bilhões. De acordo com a agência de pesquisa Allied Market Research, esse número pode chegar a US$ 802 milhões até 2027.

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