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Uma rival para a Tesla? Eis a Fisker, uma espécie de Apple sobre quatro rodas

Falamos com o CEO da Fisker, a primeira empresa digital de carros, responsável “apenas” pelo design, qualidade e marketing de sua frota – a produção fica na mão de empresas parceiras. Para entregar um carro de luxo pelo menor preço, empresa cortou todos os intermediários e interage com o cliente via app

 

Fisker deve fazer seu IPO com valor de mercado de US$ 2,9 bilhões

Com centros esportivos fechados, Wall Street virou o autódromo da vez. Ali, as fabricantes de carros elétricos estão acelerando fundo e a competição deve ficar ainda mais acirrada quando a Fisker fizer sua largada, prevista para acontecer no quarto trimestre.

Fundada em 2016, a “novata” é liderada por um veterano: Henrik Fisker. O homem que assinou o design do BMW Z8 e Aston Martin DB9 foi quem deu a partida na primeira empresa de automóveis a terceirizar toda a produção de sua frota, no melhor estilo Apple de se fazer negócios.

“A parte mais importante é criar um negócio nessa área que seja verdadeiramente lucrativo”, explicou Fisker ao NeoFeed, sobre essa decisão.

A estreia da companhia na bolsa e valores acontece mediante aprovação do processo de fusão com a Spartan Energy Acquisition, um SPAC (Special Purpose Acquisition Company) estruturado pelo fundo Apollo Global Management. O acordo foi firmado em US$ 1,1 bilhão, dando à Fisker o valor de mercado de US$ 2,9 bilhões.

“Mesmo que haja espaço para muita marcas, acreditamos que a Fisker e a Tesla estarão na liderança do setor de carros elétricos nos próximos anos”, disse Geoffrey Strong, chairman e CEO da Spartan em entrevista à Reuters.

A fala do executivo pode parecer exageradamente otimista. A Tesla, por exemplo, levou 17 anos para chegar onde está. Hoje, está avaliada em US$ 300 bilhões, conseguiu quatro trimestres consecutivos de lucro e pode fazer parte do índice S&P 500. Além disso, suas vendas estão crescendo em meio a uma das maiores crises econômicas da história.

Será que uma marca de carros, fundada em 2016 e que apresentou o seu primeiro modelo em janeiro deste ano, pode ameaçar a pole position da companhia de Elon Musk

A  diferença entre as empresas não está sob o capô, mas sim no escritório. A Fisker faz do preço, do design e do atendimento ao cliente seus principais trunfos.

“Acho que falta a esse mercado um SUV de verdade. O que vemos são crossovers e hatchbacks, mas não um SUV propriamente dito”, afirma Fisker. “Por isso estamos investindo primeiro no Ocean.” 

O primeiro modelo da Fisker só estará disponível em 2021. Mas a companhia já aceita encomendas. Com um bom histórico de crédito nos Estados Unidos, uma pessoa poderá levar esse carro elétrico de luxo para a casa por US$ 29,9 mil. O modelo de entrada da Tesla, o Model 3, começa em US$ 35 mil.

O segredo para conseguir esse preço competitivo? “Cortamos absolutamente todos os intermediários”, explica o executivo.

Toda a interação entre marca e cliente acontece por um aplicativo. É por meio do app que o cliente escolhe o modelo, as especificações, conclui a compra, tira eventuais dúvidas, acompanha a entrega do carro e até solicita reparos ou serviços de manutenção, quando necessários.

Nós entregamos da fábrica para o cliente diretamente, não existe ninguém entre a Fisker e o seu consumidor.”

Além disso, a marca aposta num modelo diferente. A Fisker busca parcerias, como a que discute com a Volkswagen, para terceirizar a produção de seus carros, se encarregando apenas do design, do teste de qualidade e do marketing.

Essa é a mesma “receita” da Apple com seus produtos, que são fabricados pela Foxconn e outras empresas. Esse modelo permitiu que a companhia entrasse no mercado com a metade do tempo e com custos substancialmente reduzidos, segundo afirmou o executivo.

Apesar dos esforços, a Fisker reportou prejuízo de US$ 10,4 milhões em 2019, enquanto a perda foi de US$ 4,7 milhões no ano anterior.

Virando o jogo

A pré-venda do Ocean começou em janeiro, pouco após a apresentação do veículo na Consumer Eletronic Show (CES), em Las Vegas. A cota de carros com entrega prevista para 2021 já se esgotou, mas a Fisker não revelou a quantidade desse lote, disse apenas que são “milhares”.

Por singelos US$ 250, os interessados podem já fazer a reserva para os veículos a serem entregues em 2022 – “e há poucas unidades disponíveis”, avisa a companhia.

Para deixar o negócio ainda mais atraente, a Fisker introduziu ainda um novo modelo de leasing. Diferente dos acordos “comuns”, o da novata não terá prazo estipulado. Isso significa que o cliente poderá fazer a devolução do veículo apenas um mês depois de usá-lo, ou optar por ficar anos com ele.

Além disso, o leasing da Fisker prevê 30 mil milhas rodadas por ano, enquanto a média atual é de 15 mil milhas. Em ambos os casos, os usuários que extrapolarem o limite pagam um valor pré-estipulado por milha, mas a marca de Henrik Fisker não revelou ainda o valor cobrado por isso. 

Por fim, pesa a favor do Ocean o valor do seguro, que de acordo com Henrik Fisker vai ser entre 20% e 30% mais barato do que o aplicado a veículos elétricos semelhantes. “Nosso segredo aqui é não sobretaxar as peças de reposição, algo que as principais seguradoras já estão cientes”, explicou. 

Esse promete ser “o”carro

Desenhar um veículo do zero implica uma liberdade diferente. Henrik assinou o design de modelos icônicos e inclusive chegou a trabalhar para a Tesla em 2007, quando foi incumbido da missão de fazer os primeiros “rascunhos” do sedã Model S. Em todas suas experiências, porém, havia uma base e uma marca a se respeitar, além de toda uma identidade construída. 

Mas com a liberdade de criar o seu “SUV dos sonhos”, o dinamarquês-americano não decepcionou. O Ocean, de fato, é diferente de qualquer outro modelo disponível por aí – por dentro e por fora. Enquanto o design fala por si, o interior tem detalhes que valem a pena ser destacados.

A começar pelo fato de que a cabine do carro é sustentável. “Toda a tapeçaria é feita a partir de redes de pesca e plástico reciclável. Algumas das tiras de borrachas também são feitas de pneus descartados”, revela o criador.

No teto do modelo, um grande painel solar deve se encarregar de impulsionar o carro mil milhas “limpas” por ano. Para os demais momentos, a bateria do Ocean se encarrega de entregar 300 milhas (quase 500 km) de autonomia. Com uma carga de apenas 30 minutos, o carro está apto a rodar por pouco mais de 300 km.

Impulsionado por um sistema que entrega 300 cavalo de força, o que o leva de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos.

Outro “detalhe” que ganhou a curiosidade dos amantes de carro é o fato de que o painel é todo projetado no para-brisa. Fisker garante que ninguém fora do veículo poderá ver as informações ali, apenas o motorista e seus passageiros – uma privacidade necessária para quem equipou o carro com a função “karaokê”. Sem tirar os olhos da pista, o piloto pode acompanhar as letras de suas canções favoritas e participar da cantoria. 

Caso “caia” no gosto dos consumidores, a Fisker e o Ocean devem deixar as famosas “road trips” mais sustentáveis e divertidas. Por enquanto, a marca está disponível apenas nos Estados Unidos. A Europa é a próxima parada. Ainda não há informações sobre o início das operações na América do Sul e no Brasil.  

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