Negócios

Fim do escritório? Google dobra aposta nos espaços físicos e em data centers

O Google se prepara para a recuperação econômica pós-pandemia nos EUA e prevê a volta dos funcionários aos escritórios em setembro. Para isso, vai investir US$ 7 bilhões na ampliação e abertura de novos centros

 

Sede do Google, na Califórnia

Em um momento em que muitas empresas jogam suas fichas no trabalho remoto, o Google está “dobrando” sua aposta nos escritórios.

A gigante de internet informou que vai investir US$ 7 bilhões para expandir seus espaços físicos e construir novos data centers pelos Estados Unidos, incluindo US$ 1 bilhão na Califórnia, onde está localizada a sede do Google.

O Google vai também contratar 10 mil funcionários ao longo de 2021, posicionando a empresa para a recuperação pós-pandemia da economia americana. Hoje, a empresa conta com 84 mil funcionários.

“Reunir-se pessoalmente para colaborar e construir uma comunidade é fundamental para a cultura do Google”, disse Sundar Pichai, CEO do Google, em um post no blog da empresa, nesta quinta-feira, 18 de março. “E será uma parte importante do nosso futuro.”

A ideia é ampliar os espaços existentes, mas também abrir três novos escritórios nos Estados de Minnesota, Texas e Carolina do Norte, aumentado a presença do Google para 19 Estados. Nos escritórios de Atlanta, Washington D.C e Nova York serão criadas milhares de vagas.

A expansão dos data centers, nos Estados de Nebraska, Carolina do Sul e Texas, acontece por conta do crescimento de sua divisão de negócios de computação em nuvem. O Google revelou os números da área em seu último relatório fiscal, mostrando prejuízos de US$ 5,6 bilhões e receita de US$ 13 bilhões em 2020.

O CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, argumentou a investidores que está focado, por enquanto, no crescimento do negócio, para atingir a lucratividade ao longo dos próximos anos.

No ano passado, o Google colocou o pé no freio nos seus investimentos de real estate por conta da pandemia. Mas, com a perspectiva de estabilidade na pandemia da Covid-19 e o avanço da vacinação nos Estados Unidos, Pichai já vislumbra uma volta aos escritórios.

O plano é que os funcionários do Google possam frequentar os escritórios três vezes por semana a partir de setembro deste ano. A empresa foi uma das primeiras a colocar seus funcionários em casa e previa que, até julho deste ano, eles deveriam ficar trabalhando remotamente.

Assim como o Google, diversas empresas adotaram a mesma estratégia por conta da pandemia. Mas algumas delas vão manter a política de trabalho remoto para sempre. É o caso do Twitter, que já informou que sua equipe poderá trabalhar em casa para sempre se quiser.

A maioria das empresas, no entanto, está adotando uma postura mista. O Facebook, por exemplo, estima que até 50% dos funcionários podem trabalhar remotamente no futuro. A Salesforce, por sua vez, vai adotar um regime de trabalho mais flexível nos pós-pandemia.

No setor automotivo, a Ford vai permitir também que seus 30 mil funcionários administrativos possam seguir trabalhando em casa e que usem o escritório apenas quando precisarem.

Esses movimentos, apesar dos investimentos do Google, vão ter impacto no mercado de escritórios nos Estados Unidos, que deve cair 15% até 2025, segundo estimativas da consultoria Green Street.

O pior desempenho será em São Francisco, no coração do Vale do Silício, cuja ocupação deve cair 22% em 2021. Logo na sequência vem Nova York, com uma queda de 17%.

As duas cidades foram as mais atingidas pela pandemia do novo coronavírus. Por conta disso, grandes empresas buscam cortar custos e reavaliar seus espaços físicos.

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