Startups

Fintech mexicana, Clara levanta U$ 30 milhões e desembarca no Brasil

Com o aporte, liderado pelo fundo DST Global e que conta a participação de investidores como Monashees e Kaszek, a fintech de cartões de crédito para startups e PMES estrutura os últimos passos para lançar sua operação no País em julho

 

Gerry Giacomán Colyer (à esq.) e Diego García, os fundadores da Clara

Gerry Giacomán Colyer e Diego García já tinham trilhado um bom percurso no mundo das startups quando se encontraram como executivos na mexicana Grin Scooters que, em 2019, se fundiu com a brasileira Yellow, formando a Grow Mobility, de aluguel de bicicletas e patinetes.

Dois anos depois, eles seguem nessa estrada. Mas agora, como empreendedores. Em abril de 2020, eles fundaram a também mexicana Clara, fintech de gestão de gastos e de cartões corporativos, focada justamente em startups e PMEs. E agora, a companhia tem um novo destino: o mercado brasileiro.

Na bagagem, a empresa traz um aporte de US$ 30 milhões, que está sendo anunciado nesta quarta-feira, 26 de maio, liderado pelo fundo asiático DST Global, com a participação dos fundos Monashees, Kaszek, Avid Ventures e de investidores que já integravam a operação, como o General Catalyst.

Acompanham ainda a rodada nomes como Brian Requarth, fundador da Viva Real; Justin Mateen, cofundador do Tinder; e Karin Atiyeh e Eric Glyman, cofundadores da Ramp, fintech americana que também atua com cartões corporativos e que, em abril, alcançou o status de unicórnio.

“Boa parte desses recursos será para apoiar nossa expansão no Brasil”, diz Colyer, cofundador e CEO da Clara, em entrevista ao NeoFeed. “Nós acreditamos que, no médio prazo, o Brasil pode ser a nossa maior operação.”

A operação brasileira começou a ser estruturada há cerca de seis meses, com foco em questões como a adaptação à regulamentação local e a busca por autorizações e parcerias para viabilizar a infraestrutura por trás da fintech.

“Nossa previsão é começar a entregar os cartões e lançar a operação comercial em julho”, afirma Layon Costa, que está conduzindo esse processo e atuará como country manager da Clara no Brasil. “Estamos começando a contratar e o plano é fechar o ano com uma equipe de 40 a 50 profissionais.”

As vagas a serem preenchidas envolvem áreas como marketing, vendas, suporte ao cliente, operações, entrega e jurídico. Ampliar o time da startup como um todo, de 50 para 150 profissionais, é também um dos focos do aporte.

Com o lançamento, o plano inicial será explorar a base de empresas mexicanas atendidas pela fintech e que mantém operações no mercado local. Assim como as companhias brasileiras com presença no México. É o caso da Creditas, um dos nomes que compõem a carteira de cerca de 100 clientes da Clara.

“Ao mesmo tempo, nossa expectativa é repetir o que aconteceu no México, com o boca a boca entre as startups”, observa Costa. “Muitas dessas empresas se conhecem e boa parte delas tem dificuldade para conseguir crédito, cartões e limites bons com os bancos tradicionais.”

Modelo e inspiração

Para gerar esse burburinho, a fintech aposta em um modelo com paralelos em startups que atuam nos Estados Unidos, como a Ramp, cujos fundadores são agora sócios da operação, e a Brex, fundada pelos brasileiros Henrique Dugubras e Pedro Franceschi, e que também tem o DST Global como investidor.

Com foco em startups e PMEs, os cartões de crédito corporativos, físicos e virtuais, sem anuidade e fruto de uma parceria com a Visa são uma parte da oferta da Clara. As empresas clientes podem solicitar um número ilimitado de cartões para seus funcionários.

Essas companhias também conseguem customizar e alterar, sempre que julgarem necessário, os limites e restrições de cada cartão, de acordo com parâmetros como função e região. E podem controlar, em tempo real, via aplicativo ou pela web, os gastos dos seus funcionários.

Os limites concedidos às empresas partem da análise de dados como fluxo de caixa e histórico de crédito dessas operações. Para apoiar essa oferta, a startup está em fase final de negociação para ter, além do aporte, acesso a uma linha de crédito de US$ 50 milhões.

A Clara não cobra nada por todo esse portfólio. Sua receita vem das taxas de intercâmbio de cada transação realizada com esses cartões. Especialista em meios de pagamento, Edson Santos entende que há bastante demanda entre as startups e PMEs, mas ele faz um alerta.

“A demanda existe, mas não é tão simples assim. A empresa vai ter que incorporar outros serviços de pagamento”, afirma Santos. “E vai ter dificuldades se não cobrar pela plataforma e achar que as taxas de transações vão pagar a conta.”

Santos também destaca que há mais fintechs explorando os cartões e a gestão de despesas corporativas, associadas a outras ofertas e produtos. A lista inclui nomes como Cora, Stark Bank e Conta Simples.

Crescer o portfólio é, de fato, uma das estratégias previstas pela Clara. “Nós vamos trabalhar com diferentes meios de pagamento”, afirma Colyer, sem revelar mais detalhes. “E estamos muito entusiasmados com as mudanças no mercado brasileiro, como o PIX e o Open Banking.”

Além de suas ofertas, a empresa planeja ampliar sua presença com a entrada em outros países da América Latina. No curto prazo, a ideia é consolidar os negócios no Brasil. Mas, concluída essa etapa, mercados como Colômbia, Chile e Peru devem ser os próximos destinos da startup.

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