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EXCLUSIVO: Brian Requarth, da Viva Real, cria fundo Latitud para investir em startups

O americano já fez investimentos-anjo em mais de 50 startups. Agora, ele está criando o fundo Latitud para apostar nas empresas em suas fases bem iniciais com cheques de até US$ 250 mil. Requarth conta com exclusividade ao Café com Investidor os seus planos

 

Ao longo de sua trajetória como empreendedor, o americano Brian Requarth, fundador do site de imóveis Viva Real, investiu em mais de 50 startups como investidor-anjo. O portfólio inclui o unicórnio QuintoAndar e o EmCasa, ambos do setor de real estate, e a edtech QueroEducação, entre tantas outras empresas.

“Os investidores vinham pedir conselhos e, além dos conselhos, saíam também com um cheque”, disse Requarth, ao Café com Investidor, programa que entrevista os principais gestores de venture capital e private equity, do NeoFeed.

No ano passado, Requarth vendeu o Viva Real ZAP para a OLX, em negócio de R$ 2,9 bilhões. Agora, de volta aos Estados Unidos, Requart resolveu organizar esses investimentos e está criando um fundo para investir em startups.

É o Latitud, que está captando recursos junto a empreendedores e fundos americanos para investir em startups na região latino-americana. “Não quero ser o próximo Kaszek, Monashees, Valor Capital, Canary ou Maya Capital”, disse ele com exclusividade ao NeoFeed. “Meu objetivo é ajudar os empreendedores bem no começo.”

O Latitud será um fundo que se posicionará como um pré-seed. O cheque começará pequeno, na casa dos US$ 25 mil (R$ 135 mil). E pode ir até US$ 250 mil (R$ 1,350 milhão). Os alvos são startups das áreas de marketplaces, fintechs, edtechs, proptechs e de software as service. O objetivo é ter uma carteira entre 30 e 50 startups – os investimentos-anjos de Requarth não farão parte desse fundo.

“Queremos entrar cedo. Às vezes, quando o projeto é um Powerpoint”, afirma Requarth. “Estou localizando oportunidades e experimentando como uma startup.”

Ao lado de Requarth está Gina Gotthilf, que liderou a expansão internacional do aplicativo de idiomas Duolingo, e o russo Yuri Danilchenko, ex-CTO da Escale, uma startup que atua como força de vendas para terceiros.

Os três já haviam se unido para criar Latitud Fellowship Program, uma iniciativa de formação de empreendedores latino-americanos, anunciada no ano passado, que selecionou 30 a 50 pessoas para trocar conhecimento e realizar networking. Na prática, essa comunidade funcionará como um deal flow tanto para Requarth, como para outros fundos de venture capital.

Para dar agilidade à captação, Requarth está criando o que é conhecido como um “rolling fund”, uma modalidade de venture capital um pouco diferente dos fundos tradicionais, que têm um período de tempo para concluir a captação.

No “rolling fund”, a captação é trimestre a trimestre. Se alguém quer investir US$ 400 mil, por exemplo, pode fazer com valores de US$ 40 mil por dez trimestres. E, sem demora, os gestores passam a investir os recursos. “Em dez dias, captei US$ 1 milhão”, afirma Requarth.

Requarth busca investidores que invistam, no mínimo, US$ 12,5 mil (R$ 67,6 mil) a cada três meses por, pelo menos, quatro trimestres. Ele diz que diversos empreendedores das principais startups do Brasil estão aportando recursos no Latitud. Um investimento já foi feito, mas ainda não pode ser divulgado.

Com o fundo Latitud, Requarth segue o caminho de outros empreendedores que se tornaram investidores. Um dos principais exemplos são os fundadores do Kaszek Ventures, Nicolas Szekasy e Hernan Kazah, que fundaram o Mercado Livre.

Além deles, Romero Rodrigues e Rodrigo Borges, do Buscapé, também se enveredaram no mundo do venture capital. O primeiro está na Redpoint eventures. O segundo, na Domo Invest.

Na entrevista, que você assiste no vídeo acima, Requarth fala também sobre a venda da Viva Real ZAP para a OLX e responde se está arrependido de ter feito o negócio (vale a pena saber o que ele tem a dizer a respeito).

Além disso, Requarth conta histórias que estão no seu livro “A Real de Empreender”, que fala de sua trajetória de empreendedorismo. No livro, ele dedicou mais páginas para descrever seus erros, que diz que foram muitos, do que os acertos. “É a versão real. A versão que não é tão feliz, às vezes”, diz ele. “Até foi duro para escrever certas coisas.”

Sobre seu maior acerto, Requarth diz que foi não empreender no começo de sua jornada. Quer saber o motivo? Assista ao novo episódio do Café com Investidor.

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