FitBank faz 1ª aquisição e compra EasyCrédito para ir além de pagamentos

A fintech, que oferece um serviço de banking as a service e tem entre os investidores J.P. Morgan e CSU, inaugura sua agenda de M&As com a compra do marketplace de crédito pessoal EasyCrédito

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Os fundadores do FitBank: Rener Menezes (à esq.), Otávio Farah e Maurício Zarogoza

Em uma época em que “todos querem ser banco”, de varejistas a indústrias, o mercado vive uma onda de fintechs que atuam nos bastidores para atender esse desejo. Elas oferecem partes da infraestrutura por trás de produtos e serviços financeiros, no que se convencionou a chamar de banking as a service.

Fundado em 2015 e com investidores como J.P. Morgan, CSU e o trio formado por ex-XPs como Marcelo Maisonnave, Pedro Englert e Eduardo Glitz, o FitBank é um dos nomes que apostam nessa tendência. E nesta quinta-feira, 5 de maio, a startup anuncia um passo importante para encorpar sua oferta nessa arena.

Trata-se da aquisição da EasyCrédito, fintech goiana fundada também em 2015 e dona de um marketplace de crédito pessoal. Com o acordo, cujos termos financeiros não foram revelados, os sócios e 55 funcionários da empresa serão incorporados à estrutura do FitBank.

“Nós começamos a construir as duas empresas ao mesmo tempo, lá em 2015”, diz Otavio Farah, cofundador e CEO do FitBank, ao NeoFeed. “E agora, quando nos encontramos, vimos que tínhamos pensado e construído abordagens muito semelhantes.”

Cofundador e CEO da EasyCrédito, Marcos Ramos, observa que o acordo com o FitBank se encaixa exatamente no que a startup estava buscando. “Nossa ideia não era seguir o roteiro tradicional do venture capital”, diz. “Queríamos um parceiro estratégico que pudesse anabolizar nossa proposta.”

A EasyCrédito nasceu com o plano de ser o “Mercado Livre do crédito pessoal”, conectando diretamente pessoas físicas a instituições financeiras. Mas em 2019, após receber um aporte de R$ 2,5 milhões da Crescera Capital, decidiu mudar seu modelo rumo aos conceitos de B2B2C e de crédito como serviço.

O novo formato veio com o interesse de empresas dos mais variados segmentos em ofertar produtos e serviços financeiros. A EasyCrédito passou a conectar essas companhias às ofertas de crédito das instituições com as quais já trabalhava. E a ser remunerada por um take rate das operações.

Atualmente, a startup faz a ponte entre mais de 60 empresas e 36 instituições financeiras. Na primeira ponta estão nomes como Méliuz e OLX. Na outra, parceiros como Santander, Itaú Unibanco, BV, Creditas e SuperSim. Com essa base, a EasyCrédito já contabiliza mais de 20 milhões de solicitações de crédito.

“Com essa guinada, tivemos um crescimento exponencial e praticamente dobramos de tamanho”, conta Ramos. “Se antes tínhamos que buscar usuário por usuário, hoje, cada novo player que atendemos traz uma base potencial de consumidores de bandeja.”

Marcos Ramos, cofundador e CEO da EasyCrédito

Já o portfólio do FitBank inclui a infraestrutura para operações como pagamentos, tesouraria e liquidação, entre outros. A startup atende mais de 200 empresas, de 18 setores entre varejistas, indústrias, bancos digitais e fintechs. E alcança, por meio desses clientes, 60 milhões de usuários.

Esses dois caminhos começaram a se cruzar há cerca de um ano, quando o FitBank estava negociando um aporte de R$ 30 milhões, com a participação da CSU e do FitBank Holdings, veículo que reúne os sócios pessoas físicas que já investiam na startup desde a sua fundação.

“Eles chamaram nossa atenção, porque somos muito focados em pagamentos e eles em crédito, era algo bastante complementar”, diz João Chacha, sócio responsável pelos investimentos do FitBank. “Só que ainda não era o momento, pois estávamos concluindo o aporte.”

Com a startup no radar, as conversas foram retomadas meses depois, quando o FitBank começou a desenhar sua estratégia de crescimento inorgânico. A partir do alinhamento e da complementaridade de portfólios, a EasyCrédito naturalmente ganhou prioridade nessa esteira.

Agora, com a EasyCrédito “dentro de casa”, as duas empresas já começam a traçar os próximos planos a quatro mãos. “Temos um roadmap próximo e um dos primeiros projetos que estamos mirando é um marketplace dentro do conceito de buy now pay later”, conta Ramos.

Farah acrescenta: “Já estamos trabalhando também na oferta de crédito com folha de pagamento”, afirma. “Vamos gastar esses primeiros meses para intensificar as sinergias, mas já temos uma agenda de vendas cruzadas bastante intensa para explorar.”

M&A e expansão internacional

Depois de inaugurar sua estratégia de aquisições com a EasyCrédito, o FitBank também quer dar sequência a esses movimentos inorgânicos. A tese para esses novos acordos seguirá duas premissas: a primeira, adicionar novas peças ao quebra-cabeças de banking as a service da fintech.

“Com a EasyCrédito vamos além de pagamentos e contamos com dois terços do que um banking as a service precisa, de fato, ter”, explica Chacha. “A outra vertente de M&A serão ativos para trazer mais escala, volume, clientes e receita para o nosso negócio.”

Com uma negociação em curso, a empresa espera anunciar uma nova “compra” nos próximos 45 dias. As aquisições podem ser tanto financiadas por meio de troca de ações, como o acordo que está em fase de tratativas no momento, ou pelo caixa da própria operação, como aconteceu no caso da EasyCrédito.

Como prova do aquecimento desse mercado, outras fintechs estão indo às compras para consolidarem seus portfólios de banking as a service. Em janeiro deste ano, por exemplo, a Celcoin abriu sua agenda de M&A com a Galax Pay. Um mês depois, foi a vez da Flow Finance.

Em dezembro de 2021, quem também estreou nessa jornada foi a QI Tech, com a compra da Zaig. Já a Dock, investiu nas aquisições da brasileira BPP (antiga Brasil Pré-Pagos) e da mexicana Cacao. Esse último acordo foi o ponto de partida para a expansão internacional da empresa.

O FitBank também já carimbou o seu passaporte. A fintech está em fase final de estruturação de operações nos Estados Unidos e no México, além de uma unidade que funcionará com um hub de atendimento para a América Central. Em 2023, a previsão é adicionar a Colômbia a esse mapa.

“Já estamos conquistando contratos nesses mercados e a expectativa é começar a gerar receitas no segundo semestre”, diz Chacha. A ideia é que essas unidades sejam compostas por equipes comerciais, enquanto as demais áreas, incluindo a infraestrutura tecnológica, sejam atendidas a partir do Brasil.

“Nosso grande desafio é justamente do ponto de vista da equipe”, afirma Farah. “Hoje, temos cerca de 550 funcionários e estamos com mais de 300 vagas abertas, sendo que uma parcela delas será ocupada pelo time da EasyCrédito.”

Para financiar todos esses passos, a startup prevê buscar uma nova rodada também no segundo semestre. “Mas, primeiro, vamos entregar crescimento, M&As e as primeiras operações internacionais”, diz Chacha. “Com isso, a conversa sobre aporte acontecerá em um novo patamar.”

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