Fleury e Hermes Pardini anunciam acordo para fusão de suas operações

Com o acordo, avaliado em R$ 2,5 bilhões, os dois grupos de medicina diagnóstica estimam que a companhia resultante da operação gere um incremento de Ebitda anual entre R$ 160 milhões e R$ 190 milhões

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No centro de uma forte onda de consolidação nos últimos dois anos, o setor de saúde começa a ver esse movimento se traduzir também em acordos entre grandes players em diversos elos do setor. Entre eles, a compra da SulAmérica pela Rede D’Or e a fusão entre Hapvida e Grupo NotreDame Intermédica.

Agora, chegou a vez do segmento de diagnósticos. Os grupos Fleury e Hermes Pardini acabam de divulgar a assinatura de um acordo que tem como objeto uma reorganização societária para a combinação dos seus negócios e de suas respectivas bases acionárias.

Em fato relevante, as duas empresas ressaltam que a fusão, cujo acordo está avaliado em R$ 2,5 bilhões, pode trazer aumento de competitividade, a partir da complementaridade geográfica, da estrutura de capital robusta e do reforço para as estratégias de crescimento orgânico e inorgânico.

O anúncio acontece após uma série de tentativas de associação nos últimos anos. Para Jeane Tsutsui, CEO do Fleury, o fato de as tratativas caminharem agora para um desfecho positivo encontra, entre outras justificativas, o amadurecimento das duas companhias.

“São empresas que cresceram, se profissionalizaram e que tem trajetórias muito parecidas, além de uma complementaridade de negócios e geográfica”, diz Tsutsui, ao NeoFeed. “E temos um mercado que está mudando, em um cenário macroeconômico desafiador, o que favoreceu a combinação.”

Roberto Santoro, presidente-executivo do Hermes Pardini, acrescenta: “Empresas de saúde são muito orientadas tecnicamente”, afirma. “É natural que levasse um tempo para essa transformação de governança, de olhar para o mercado. Agora, acho que alcançamos a maturidade para tomar essa decisão.”

A estimativa é de que a operação gere um incremento de Ebitda anual na companhia combinada entre R$ 160 milhões e R$ 190 milhões. Na transação, a marca Hermes Pardini será mantida por pelo menos dez anos, contados a partir da conclusão da operação.

“Essa é uma projeção ainda muito inicial”, diz Tsutsui. “Mas nossa expectativa é capturar 90% das sinergias até o terceiro ano do acordo e, a partir daí, ter essa recorrência de cerca de R$ 190 milhões por ano.”

Além de frentes como o ganho de escala e o maior poder de barganha junto aos fornecedores, a executiva cita áreas nas quais o Pardini é referência no setor e que podem trazer benefícios à operação do Fleury.

Entre elas, a logística e o Lab-to-Lab, unidade de negócios B2B que presta serviços de análise para clínicas, laboratórios, operadoras de planos de saúde, hospitais e empresas de outros segmentos.

“Ao mesmo tempo, o Fleury também é muito forte em áreas como o B2B hospitalar”, observa Santoro. “E tem um portfólio muito amplo, com produtos e serviços que também podemos incorporar para incrementar a nossa oferta.”

Pelos termos do acordo, o Fleury irá incorporar todas as ações do Hermes Pardini. Os acionistas do Hermes Pardini irão receber uma parcela em dinheiro de R$ 2,15 por cada ação ordinária do grupo, o que totaliza uma cifra de R$ 237 milhões. Esse valor será corrigido com base na variação do CDI, a partir da data da aprovação da transação.

Os acionistas do Hermes Pardini receberão ainda ações do Fleury, com base na relação de substituição de 1,21 das ações da empresa para cada ação da nova operação, que está sujeita à aprovação regulatória e também em assembleias das duas companhias. Com o processo concluído, esses acionistas irão deter 32,7% do novo grupo.

O acordo também prevê a aprovação do aumento de capital do Fleury, por meio da oferta pública de distribuição de novas ações. Além de uma multa compensatória de R$ 250 milhões para as duas empresas caso a operação não seja aprovada em suas respectivas assembleias gerais.

Com a reorganização societária, o Conselho de Administração também passará por alterações. Dos 10 assentos, três serão reservados ao Bradesco, que hoje detém uma fatia de 25,1% no Fleury, e outros três ao grupo de médicos que têm atualmente uma participação de 19,6% no grupo.

Outras três cadeiras serão ocupadas pelos irmãos Regina, Victor e Áurea Pardini, que detém o controle do Hermes Pardini. Cada um deles poderá indicar um representante no board, que deverá ter ainda um conselheiro indicado por acionistas minoritários.

Em apresentação sobre a transação, Fleury e Hermes Pardini destacaram que, levando-se em conta os dados do primeiro trimestre de 2022, a operação combinada teria uma receita de R$ 6,1 bilhões e um Ebitda de R$ 1,6 bilhão.

Caso seja aprovada, a nova companhia terá 487 unidades de atendimento e 24 áreas técnicas em 12 estados, além do Distrito Federal. Com 39 marcas, mais de 20 mil funcionários e 4,3 mil prestadores de serviços, essa estrutura somaria um volume de 245 milhões de exames realizados entre janeiro e março.

Ao mesmo tempo, a empresa resultante teria um valor de mercado de R$ 6,58 bilhões, tomando como referência o preço de fechamento do pregão da quarta-feira, 29 de junho.

Consolidação

Antes do anúncio de hoje, os dois grupos já vinham sendo protagonistas no cenário de consolidação do setor e na busca pela abertura de novas frentes de negócio e fontes de receita. No caso do Fleury, esse apetite se intensificou desde que Jeane Tsutsui assumiu o comando da empresa, em abril de 2021.

Nesse intervalo, o grupo desembolsou mais de R$ 1 bilhão em sete aquisições, sendo a mais recente, a compra da Saha, operação especializada em infusões de medicamentos imunobiológicos e cirurgias de baixa complexidade, por R$ 120 milhões.

Esse montante não inclui, no entanto, a criação de uma companhia para atuar no segmento de oncologia, em parceria com a Bradesco Seguros e a Beneficência Portuguesa. Anunciada em maio, a operação nasceu com um aporte primário de R$ 678 milhões do trio.

O Hermes Pardini, por sua vez, fechou quatro aquisições desde 2021. A mais recente foi anunciada em fevereiro desse ano e envolveu a compra da DaVita Health Care, com o objetivo de ampliar a presença da rede mineira no estado de São Paulo.

Em outra iniciativa de expansão, mas a partir de um projeto interno, o grupo lançou, em abril, o aplicativo de atendimento móvel Saúde Mob, com a proposta de realizar exames em qualquer lugar, em qualquer horário, para consumidores e empresas da cadeia de saúde.

A resposta inicial do mercado ao movimento conjunto das duas empresas está sendo positiva. Por volta das 10h15, as ações do Fleury estavam sendo negociadas com alta de 10,97% na B3. Já a cotação dos papéis do Hermes Pardini subia 17,86%.

(Matéria atualizada às 14h50)

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