Fundo da XP “compra” farmacêutica europeia e passa a investir em startups

Depois de captar R$ 1,2 bilhão para investir em venture capital e private equity, o XP Selection Alternativo aposta em gestoras como Kaszek, Partners Group, Kinea e coinveste na farmacêutica Pharmathen. Os detalhes foram revelados com exclusividade ao NeoFeed

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Em abril deste ano, num movimento que chamou a atenção do mercado, a XP Asset conseguiu reunir 10 mil investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações, em um fundo voltado para o mercado de venture capital e private equity.

A captação do XP Selection Alternativo, que era prevista em R$ 835 milhões, superaria todas as expectativas e alcançaria R$ 1,2 bilhão, em apenas um mês. Desde então, os gestores do fundo passaram a trabalhar sem revelar os seus alvos.

Mas o mistério acabou. O fundo acaba de fazer uma de suas maiores apostas. Trata-se de uma participação na companhia farmacêutica grega Pharmathen, empresa com presença em 85 países.

“Foi um coinvestimento com o private equity suíço Partners Group, que tem mais de US$ 120 bilhões sob gestão”, diz Jorge Lange, head de Fund of Funds da XP e gestor do fundo, com exclusividade ao NeoFeed.

A Pharmathen atua em um mercado chamado CDMO (Contract Development and Manufacturing Organization). Na prática, desenvolve, fabrica medicamentos genéricos e vende para laboratórios no formato B2B. No ano passado, teve uma receita superior a 200 milhões de euros.

Apesar de estar em dezenas de países e vender seus 80 produtos para cerca de 200 farmacêuticas, a companhia tem mais presença na Europa. Com a compra, que movimentou 1,6 bilhão de euros, a ideia é dar fôlego para a Pharmathen ganhar tração nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo.

“Esse é um investimento que deve durar entre quatro e cinco anos”, diz Lange. Não muito diferente do antigo investidor da companhia. Em 2015, a gestora BC Partners pagou 475 milhões de euros pela empresa e agora a revendeu por mais que o triplo.

O XP Selection Alternativo entrou nesse coinvestimento, cuja maior parte do cheque foi do Partners Group, porque já é também investidor do fundo de private equity do próprio Partners Group. “Somos investidores do fundo Partners Group Direct Equity 2019 e temos um relacionamento relevante com eles”, diz Lange.

Esse fundo do grupo suíço já conta com 18 companhias. Entre elas, a fabricante de relógios suíços Breitling, uma rede de saúde americana para pets chamada Blue River Pet Care e outras empresas. “O fundo começou em 2019 e, quando entramos, ele já tinha 12 companhias no portfólio”, diz Lange. “Isso ajuda a mitigar os riscos.”

“Esperamos ter um portfólio indireto de, pelo menos, 100 a 150 empresas”, diz Jorge Lange, head de Fund of Funds da XP e gestor do fundo

Outros investimentos do XP Selection Alternativo foram feitos nos dois fundos da gestora de venture capital Kaszek, lançados em maio. Um deles é o Kaszek Ventures V, que vai mirar startups em early stage e levantou US$ 475 milhões, e o Kaszek Opportunity II, focado em startups em estágios mais maduros, que levantou US$ 525 milhões.

“Esse é um tremendo valor para os investidores qualificados. É muito difícil conseguir acesso a esses gestores”, diz Lange. Os cheques mínimos para entrar são muito altos. Em alguns casos, são necessários, no mínimo, US$ 10 milhões na largada. E, além do dinheiro, os fundos mais desejados escolhem à dedo os investidores que entrarão no cap table.

Há um mês, o XP Selection Alternativo também se comprometeu a investir no Carlyle Partners Eight, o oitavo fundo da gestora americana de private equity. Segundo Lange, é um fundo voltado para investir em empresas da América do Norte, com meta de captar US$ 22 bilhões.

Os cheques do fundo da XP, criado para investir em venture capital e private equity, também chegaram a gestoras brasileiras. O Growth V, da Crescera, que tem investimentos na Alura e Nelogica, é um deles. E o Kinea V, com investimento na rede de varejo pet Cobasi, é outro.

Jorge Lange comanda o XP Selection Alternativo

A estratégia do fundo é alocar capital em investimentos primários, nas gestoras; secundário, quando compra cotas de fundos de private equity e venture capital de outros investidores como, por exemplo, fundos de pensão; e, por último, coinvestimentos junto com gestores em empresas específicas.

A meta traçada por Lange e sua equipe, formada por Felipe Sepulveda e Amabile Rebeschini, é alocar entre 50% e 60% em investimentos primários, entre 20% e 30% em coinvestimentos e entre 10% e 20% em secundários. “Esperamos ter um portfólio indireto de, pelo menos, 100 a 150 empresas”, diz Lange. No caso dos coinvestimentos, mira, no máximo, dez companhias.

O executivo da XP diz que a meta é entregar um rendimento médio de IPCA mais 20% ao ano. O prazo do fundo, que é fechado, é de 10 anos, podendo ser prorrogado por mais dois anos. Mas ainda há muito por fazer.

Lange tem quatro anos para fazer os investimentos. Até agora, em cinco meses, alocou 25% do capital, o equivalente a R$ 300 milhões. “Nossa ideia é investir nos gestores e ficar, não sair no mercado secundário”, diz Lange. “Em coinvestimentos, buscamos pegar as joias da coroa dos fundos.”

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