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Méliuz cria programa que dá renda extra para quem indicar lojas online

Startup que tem um programa de cashback observou que o desemprego iria crescer por conta da crise econômica da Covid-19. E, em duas semanas, colocou no ar uma nova modalidade de negócios que devolve dinheiro para quem recomendar lojas online

 

Israel Salmen, CEO e fundador da Méliuz

Quando a pandemia da Covid-19 começou a ganhar corpo no Brasil, a startup Méliuz, dona de um programa de fidelidade que devolve dinheiro ao consumidor de parte do valor de sua compra, o chamado cashback, olhou para o seu desempenho financeiro.

A primeira fotografia da crise não era das melhores. Na última quinzena de março, o consumidor botou o pé no freio e parou de comprar em sites de comércio eletrônico.

Para a Méliuz não era exatamente uma boa notícia. Sua principal fonte de receita é a cobrança de comissão a cada venda em um de seus 1,6 mil varejistas online associados, como Casas Bahia, Netshoes, Americanas.com e Amazon, ou lojas físicas, como farmácias e supermercados. Uma parte dos recursos que recebe volta para os consumidores.

Foi então que Israel Salmen, CEO e fundador da Méliuz, criou uma força-tarefa dentro da startup. O objetivo era buscar ideias que pudessem ser implementadas rapidamente e que trouxessem novas fontes de receita à companhia.

“Começamos a estudar oportunidades, desde seguros a crédito pessoal”, afirmou Salmen. “E descobrimos um modelo que era simples e de rápido desenvolvimento.”

Foi assim que nasceu o Renda Extra, uma plataforma de afiliados da Méliuz, revelada com exclusividade ao NeoFeed. A ideia é bastante simples. Qualquer pessoa pode ganhar dinheiro recomendando lojas online para seus amigos e seguidores. A cada compra feita por meio dos links de recomendação, o consumidor ganha uma comissão.

A porcentagem da comissão oferecida varia de acordo com a loja, pode aumentar em datas especiais, como Dia das Mães e Dia dos Pais, e chegar até 20% do valor da compra. “Durante essa pandemia, o desemprego é crescente e as pessoas estão buscando novas fontes de renda”, afirma Salmen.

A Méliuz conta atualmente com 10 milhões de usuários cadastrados em seu programa de fidelidade. Destes, 750 mil são usuários ativos, ou seja, fizeram pelo menos uma compra no último mês ou usaram o cartão de crédito da startup.

O plano de Salmen é ativar essa base de consumidores. O produto, que foi desenvolvido em apenas duas semanas, teve uma fase de testes. A surpresa do fundador da Méliuz é que o recurso Renda Extra foi usado principalmente por usuários que não faziam compra.

O Renda Extra não se trata exatamente de uma novidade. Programas de afiliados são bastante comuns e estão na moda no meio dessa pandemia, no qual milhões de brasileiros correm o risco de perder o emprego e ficar sem renda.

São exemplos o Parceiros Magalu, que permite que pessoas físicas anunciem produtos do Magazine Luiza; o Revendedor Ri Happy, no qual colaboradores da loja de brinquedos se tornam revendedores digitais dos produtos; e o Now, da marca de roupas Reserva.

Salmen não quis fazer estimativas de quantos usuários irão usar o Renda Extra para complementar sua renda. Mas ele acredita que essa linha de negócios possa significar até 5% do faturamento da Méliuz em 2021. O empreendedor, no entanto, não revela o faturamento da startup.

Atualmente, a startup conta com quatro pilares de receita. O primeiro deles é a comissão de lojas online. Em seguida vem as lojas físicas. O terceiro pilar é o cartão de crédito com o Banco Pan, lançado no ano passado, que conta com 100 mil clientes e que devolve até 1,8% do valor das compras pagas com ele. O último deles, agora, é a Renda Extra.

Em tempo: depois do susto inicial com a queda nas vendas online no começo da pandemia, Salmen diz que agora elas voltaram com força a patamares até maiores do que os volumes anteriores. Só o setor de turismo não conseguiu se recuperar ainda dos efeitos da pandemia.

Fundada em 2011, a Méliuz nasceu em Belo Horizonte e já devolveu mais de R$ 140 milhões aos consumidores nesses nove anos. No ano passado, as devoluções em dinheiro somaram R$ 50 milhões. No mesmo período, a startup gerou R$ 3,5 bilhões em vendas aos parceiros online e físicos.

A primeira pessoa a apostar na Méliuz foi o francês Fabrice Grinda, um dos fundadores da OLX e um dos principais investidores-anjo do mundo. Em 2016, o fundo de venture capital brasileiro Monashees fez também um aporte na empresa. Um ano depois foi a vez do fundo do Vale do Silício Lumia Capital e da Endeavor Catalyst. Os valores dos aportes não foram revelados.

Desde então, a Méliuz não recebeu mais nenhum aporte e Salmen diz que a companhia é lucrativa e geradora de caixa. “Não temos planos de novas captações, conseguimos andar com nossas próprias pernas”, afirma o empreendedor.

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