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Na BlackRock, Larry Fink não é cupido. Mas quer saber quem namora com quem

Com mais de US$ 7 trilhões sob gestão e 16 mil funcionários diretos, a maior gestora de ativos do mundo muda suas regras e obriga funcionários a informar todo e qualquer relacionamento pessoal que mantenham com funcionários da casa e de qualquer outra empresa parceira, fornecedora ou cliente

 

Um dos maiores executivos da BlackRock foi demitido por se relacionar com uma funcionária

Diga a Larry Fink com quem se relaciona e o chefe da BlackRock dirá se pode ou não dar sequência às intimidades. É que o CEO da maior e mais poderosa gestora de investimentos do mundo, responsável por ativos de mais de US$ 7 trilhões, alterou o código de conduta de sua empresa e não deixou margem para romantismo.

A política da BlackRock sempre pediu para que os funcionários reportem ao RH todo e qualquer encontro amoroso que tivessem com outros colaboradores da empresa, mesmo que em diferentes áreas e posições hierárquica.

Tal prática é bastante comum e seguida à risca por virtualmente toda grande corporação. A diferença agora é que, com as novas regras do fundo, os funcionários precisam informar ao RH caso mantenham algum vínculo com funcionários de qualquer outra empresa que preste ou contrate os serviços da BlackRock.

“Os funcionários são obrigados a divulgar todos os relacionamentos pessoais com outros funcionários da companhia ou trabalhadores contingentes; bem como relacionamentos pessoais com funcionários de um provedor de serviços, fornecedor ou outro terceiro (incluindo um cliente), se a pessoa em questão estiver dentro de um grupo que interage com a BlackRock”, cita parte do documento obtido pela reportagem do jornal americano New York Post

O problema é que o fundo emprega diretamente 16 mil pessoas em todo o mundo e tem atuação nos mais variados setores, do financeiro ao fashion, passando pelo tecnológico.

Um executivo do fundo, que falou com a reportagem do New York Post em caráter confidencial, confirmou as alterações no código de ética da BlackRock e concordou que se trata do que pode ser considerado a mais rígida regra de relacionamentos pessoais do mercado financeiro – e quiçá da América corporativa. 

Mas, embora reconheça a severidade do novo código, o executivo defende a empresa, alegando que se trata de um excesso de cautela para a prevenção de conflitos, desenhada para promover o bem-estar das equipes. 

O endurecimento do código de ética da BlackRock acontece depois que escândalos envolvendo relações amorosas com grandes executivos vieram à tona, como os recentes desdobramentos no caso do agora ex-CEO do McDonald’s, Steve Easterbrook.

Demitido no no ano passado por manter relações sexuais com uma funcionária da rede de fast-food, o executivo é agora acusado de outros casos semelhantes, além de fraudes e mentiras. 

Histórias semelhantes ganharam força com o avanço do movimento #MeToo, para denunciar os abusos sexuais e assédios na sociedade.

Acusações dessa natureza já derrubaram grandes nomes de Wall Street. Brian Krzanich, por exemplo, perdeu o comando Intel depois de relatos de assédio sexual, em 2018.

Pelo mesmo motivo, o chairman e CEO da Fox News, Roger Ailes, foi destituído de seu cargo, em 2016. Seis anos antes, Max Hurd foi mandado embora da HP por manter relações sexuais com uma funcionária. 

A própria BlackRock não passou ilesa. No ano passado, Mark Wiseman, que outrora foi apontado como possível sucessor de Fink, também foi retirado da posição de chefe global de equities depois que foi confirmado que ele manteve relações com uma colega.

Embora os encontros tenham sido consensuais, eles feriam a política da companhia. Além do mais,  a esposa de Wiseman também trabalhava para a BlackRock enquanto o affair acontecia. 

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