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Na disputada arena do streaming de games, o Facebook não quer ser mais um mero espectador

Em um mercado que movimenta US$ 6,5 bilhões e é dominado pelo Twitch, serviço da Amazon, a rede social de Mark Zuckerberg, com o Facebook Gaming, tem uma receita anual estimada em apenas US$ 100 milhões. A empresa, no entanto, está se mexendo para ganhar terreno no segmento

 

Da rede social fundada por Mark Zuckerberg em um dormitório da Universidade Harvard, em 2004, restrita aos estudantes da instituição, o Facebook evoluiu para ser um gigante de tecnologia avaliado em US$ 779 bilhões e com um amplo leque de produtos e ofertas em sua plataforma.

Dentro desse pacote que atrai, em média, 1,79 bilhão de usuários por dia, segundo dados mais recentes, há um negócio cujo enorme potencial está sendo subaproveitado por Zuckerberg e seus pares: a plataforma de streaming de games Facebook Gaming, lançada em 2018.

Em nota divulgada nesta semana e citada pela revista americana Barron’s, Youssef Squali, analista do banco de investimentos SunTrust, estima que, em 2019, a plataforma gerou menos de US$ 100 milhões em receitas, um montante incipiente quando comparado, por exemplo, à receita de US$ 18,6 bilhões da empresa no segundo trimestre.

Isso não significa que o Facebook está disposto a ser um mero espectador nesse mercado, que já movimenta US$ 6,5 bilhões anualmente, especialmente em publicidade, e atrai uma audiência global de 950 milhões de pessoas, o que inclui tanto jogadores como aqueles que acessam esses serviços para assistir a transmissão dos jogos.

Um dos principais movimentos da empresa para ganhar terreno veio em junho, quando a Microsoft decidiu encerrar o Mixer, seu serviço de streaming de games. Na época, o Facebook fechou um acordo com a empresa para que os usuários e parceiros da antiga plataforma migrassem para o Facebook Gaming.

Na época da migração para o Facebook Gaming, Phil Spencer, chefe da divisão de games da Microsoft, justificou a decisão em uma entrevista ao site americano The Verge. Segundo o executivo, a plataforma cresceu aquém do esperado e para virar esse jogo, a companhia americana precisaria fazer novos investimentos ou repensar sua estratégia. A escolha foi pelo acordo com o Facebook.

Outra estratégia recente do Facebook nessa direção foi o lançamento do aplicativo da plataforma, em abril, para Android, sistema operacional do Google. Já em agosto, após um longo embate com a Apple, a versão para o iOS também veio à tona.

De acordo com as projeções de Squali, no cenário ideal, o Facebook poderia chegar a US$ 964 milhões em receitas adicionais caso o serviço chegasse a um volume de mais de 20 bilhões de horas assistidas, em 2025, e se a empresa ampliasse o número de anúncios veiculados aos espectadores.

Para efeito de comparação, um estudo da consultoria holandesa Newzoo, especializada no mercado de games, em 2019, a Twitch, plataforma de streaming líder do segmento, pertencente a Amazon, contabilizou 9,76 bilhões de horas assistidas.

Na sequência, veio o YouTube Gaming Live, serviço do Google, com 2,88 bilhões de horas. Na terceira posição ficou a Mixer, recém incorporada pelo Facebook, com 357 milhões de horas. A pesquisa não traz, porém, números sobre o Facebook Gaming, sob a alegação de que a companhia não forneceu dados sobre a plataforma.

Em um cenário que atrai cada vez mais os gigantes de tecnologia, Squali entende que não haverá uma empresa que dominará amplamente esse mercado no futuro. Atualmente, o Twitch, pelo qual a Amazon pagou cerca de US$ 1 bilhão em 2014, detém uma participação de 68%. Completam o pódio o YouTube Gaming, com 20% e o Facebook Gaming, com 11%.

O Twitch, serviço da Amazon, lidera o segmento de streaming de games com uma fatia de 68%, seguido pelo YouTube Gaming, com 20%

“O Twitch permanece inegavelmente o líder, mas acreditamos que esse não é um mercado em que o vencedor leva tudo, dada a sua rápida evolução, o nível de inovação, seu grande mercado endereçável total e sua taxa de crescimento”, escreveu Squali.

Nessa arena, ele destacou, porém, duas vantagens competitivas para o Facebook. A primeira delas é o negócio de publicidade da rede social, responsável por mais de 98% da receita global da empresa e que poderia ser usado para turbinar o serviço. Assim como os recursos de pagamento da rede social, que poderiam viabilizar a venda de produtos pela plataforma.

Além do segmento de streaming, o mercado de games, em suas demais correntes, também tem um horizonte bastante promissor. Segundo dados da Newzoo, o setor vai movimentar US$ 159,3 bilhões em 2020, um crescimento de 9,3% sobre o ano passado.

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