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No debate de vices, os Democratas apontam seu futuro para 2024

Enquanto o republicano Mike Pence era “ofuscado” por uma mosca que pousou em sua cabeça, Kamala Harris mostrou que pode ser a aposta democrata – mas para a eleição de 2024

 

O vice-presidente Mike Pence (dir.), e a senadora Kamala Harris

Na corrida eleitoral americana, até agora, o debate mais “presidenciável” foi justamente entre os vices. Kamala Harris, que concorre pelos Democratas na chapa encabeçada por Joe Biden, enfrentou na última quarta-feira, 7 de outubro, o republicano Mike Pence, atual vice-presidente e aliado da plataforma de Donald Trump na busca pela reeleição. 

Embora os candidatos tenham feito algumas interrupções aqui e ali na fala do adversário, o debate foi muito mais fluído e respeitoso. O momento mais “tenso” do debate, acredite, foi quando uma mosca pousou na cabeça de Pence e ali ficou por alguns minutos. Dada a cabeleira branca do vice-presidente, a pequena assumiu um protagonismo “incômodo” e irônico aos olhos dos espectadores.

Apesar da intromissão alada, a “mosca na sopa” do republicano era mesmo a senadora pelo estado da Califórnia, que não poupou críticas ao atual governo. Kamala Harris abriu o debate com uma forte declaração: “a forma como esse governo lidou com a crise do novo coronavírus foi o maior fracasso de uma administração na história do país”.

Depois, a candidata trouxe números para sustentar sua posição, falando das mortes, do desemprego e de outros desafios impostos pela pandemia. Pence soube manter a calma, e defendeu a conduta de Trump. No contra-ataque, o republicano apelou para a crise da gripe suína que, segundo ele, foi mal administrada pela gestão do então presidente Barack Obama, democrata. 

Como era de se esperar, os vice-presidentes também discutiram a indicação da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte e a polêmica acerca dos impostos pagos por Donald Trump. Uma reportagem do jornal The New York Times que afirma ter tido acesso à declaração tributária do atual presidente americano garante que o chefe da Casa Branca pagou pouco mais de US$ 750 em imposto de renda – valor que seria incompatível com a renda do empresário.

Kamala, aliás, afirmou que o presidente teria uma dívida de US$ 400 milhões. “Para deixar tudo claro, quando falamos em dívida, queremos dizer que se deve dinheiro a alguém. Seria muito bom saber a quem o presidente dos Estados Unidos, o comandante-chefe, deve dinheiro”, cutucou a senadora.

Nesse toma-lá-dá-cá, uma questão “importante” foi levantada: a idade dos candidatos à presidência. Seja lá quem ganhar esta corrida eleitoral está fadado a se tornar o presidente mais velho da história. Donald Trump conta 74 anos, enquanto seu rival, Joe Biden, está com 77 anos.

Mas esse assunto não é relevante pelo fato histórico, mas por demonstrar uma estratégia por parte dos democratas, como explicou ao NeoFeed a professora de ciências políticas da East College e diretora do Instituto Vasconcellos pela Democracia em Ação, Cynthia Kaufman. “Por conta da idade avançada de Biden, é pouco provável que ele tente um segundo mandato, o que colocaria sua vice como provável candidata à presidência na próxima eleição”, afirmou.

Isso significa que o partido democrata estaria, de certa maneira, preparando o terreno para Kamala Harris, mesmo que Biden não chegue à Casa Branca. “Essa exposição e experiência certamente lhe darão vantagens nas corridas eleitorais futuras”, acrescentou a Kaufman.

De fato, a senadora tem visto sua popularidade crescer: no Twitter, ela tinha pouco menos de 5 milhões de seguidores até agosto deste ano, quando Biden a convidou para participar de sua chapa. Agora, a candidata é seguida por 6,2 milhões de usuários.

E junto com a sua fama cresce também sua aprovação. Uma pesquisa conduzida pela rede ABC News mostrou que 59% dos americanos aprovaram a escolha de Biden. Se considerarmos apenas os democratas, essa taxa de aprovação salta para 86%.

Segundo apuração da BBC, Biden e Kamala têm 52% das intenções de voto e aparecem 10 pontos à frente de Pence e Trump, que contam com 42% das intenções de voto.

Primeira mulher negra

Com 55 anos, a advogada sabe o que é “abrir caminho”. Ela, que é a primeira mulher negra a compor uma grande chapa presidencial nos Estados Unidos, já havia sido a primeira mulher e a primeira pessoa negra a ocupar o cargo de Procuradora-Geral da Califórnia, em 2010.

Primogênita de uma mãe indiana e pai jamaicano, ela nasceu na cidade californiana de Oakland e se formou em direito pela Universidade da California Hasting. 

Começou sua carreira como promotora pública no condado de Alameda e São Francisco, antes de assumir o posto de procuradora geral do Estado. Em 2016, a advogada mais uma vez fez história ao se tornar a segunda mulher negra a ocupar o cargo de senadora dos Estados Unidos.

Com tanta bagagem política, ela tentou concorrer à vaga democrata à corrida presidencial. Nos debates do partido, Kamala chegou a protagonizar alguns duelos com o agora parceiro de chapa, Joe Biden.

Um dos pontos em que divergiram foi quanto aos ônibus escolares públicos, que transportam crianças entre diferentes distritos para promover a igualdade e diversidade. Biden deu a entender que era contra a proposta, enquanto Kamala era uma ferrenha defensora – e, inclusive, confessou ter gozado desse benefício em sua infância.

O atual candidato democrata depois se explicou: disse que era contra a logística ser definida pelo departamento de educação e que seria melhor que os distritos e autoridades locais regulamentarem a questão.

Agora, Kamala e Biden parecem estar na mesma página. Ambos são contra a pena de morte, defendem o fim das prisões privadas, acreditam no aumento do salário mínimo para US$ 15/hora, apoiam a investigação do histórico dos indivíduos interessados em comprar armas de fogo e sustentam a ideia de que é necessário avaliar mais as queixas de comportamento antitruste e monopólio por parte das grandes empresas de tecnologia.  

Outro ponto em comum entre Biden e Kamala é a amizade com o ex-presidente americano Barack Obama. A senadora é tão íntima da família Obama que foi uma das primeiras a doar para a campanha de Obama quando ele tentava, em 2004, uma vaga ao senado. Foi novamente uma das primeiras a apoiar o ex-presidente na corrida à Casa Branca. 

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