No megadividendo da Petrobras, governo vai ficar com mais de R$ 25 bilhões

Estatal divulga que vai pagar R$ 87,8 bilhões aos seus acionistas, a maior distribuição trimestral de dividendos da história da empresa

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O governo dobrou a Petrobras e deve fazer o mesmo com as estatais que garantem dividendos à União: BB, Caixa e BNDES. No fim da tarde desta quinta-feira, 28 de julho, a Petrobras anunciou uma mega distribuição de dividendos – R$ 87,8 bilhões. O governo ficará com mais de R$ 25 bilhões.

A decisão foi tomada pelo conselho de administração da petroleira nesta quinta-feira, 28 de julho, e anunciado com o mercado aberto no meio desta tarde. A distribuição de dividendos era esperada, mas surpreendeu especialistas pelo montante. É o maior dividendo trimestral da história da Petrobras.

A projeção do Credit Suisse para essa distribuição era de US$ 14 bilhões. O Goldman Sachs estimava em US$ 12,5 bilhões. Mas a decisão do conselho de administração elevou essa cifra a US$ 17 bilhões.

A companhia comunicou ao mercado que o montante em reais (R$ 87,8 bilhões) corresponde a R$ 6,732003 por ação ordinária e preferencial e será pago em duas parcelas de R$ 3,366002, sendo a primeira em 31 de agosto e a segunda em 20 de setembro. A última parcela chegará aos acionistas e aos cofres do Tesouro na boca da eleição que tem seu 1º turno de votação em 2 de outubro.

Nos seis primeiros meses de 2022, os dividendos anunciados pela Petrobras já superam o pagamento relativo aos resultados de 2021. Somados dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), o conselho de administração da companhia já aprovou o pagamento de R$ 136,28 bilhões em proventos relativos aos resultados do primeiro e segundo trimestre de 2022. Durante todo o exercício 2021, a companhia pagou R$ 101,39 bilhões.

A despeito do calendário de pagamento de proventos pela Petrobras, a estatal tem sido duramente criticada pelo presidente Jair Bolsonaro que não vê a companhia preocupada com o impacto econômico e social dos reajustes de combustíveis.

Há duas semanas, o governo pressiona as estatais que o mercado considera “joias da coroa” para anteciparem dividendos relativos a 2023 com a intenção de compensar os gastos envolvidos na PEC das Bondades ou Kamikaze, dependendo do interlocutor, que prevê gastos de R$ 41 bilhões.

A estatal afirma que “a aprovação do dividendo proposto é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia no curto, médio e longo prazo e está alinhada ao compromisso de geração de valor para a sociedade e para os acionistas”.

Em Brasília, o secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle, negou que o pedido do governo pela antecipação dos dividendos de Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e BNDES seja uma “pedalada”. O comentário do secretário é emblemático sobre a repercussão que a decisão da Petrobras terá politicamente.

Horas antes do anúncio do mega dividendo, a Petrobras anunciou a redução – a partir da sexta-feira, 29 de julho – do preço da gasolina das refinarias para as distribuidoras. Essa foi a segunda redução em nove dias.

No fechamento do pregão na B3, as ações ordinárias da Petrobras operavam em alta de 2,1% a R$ 34,73 e as preferenciais valorizadas em 3% a R$ 32,29. Agora, no after market, sobem 3,6% e 4,6%.

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