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No varejo, a moda é ser fintech. Não é mesmo, Ame?

A Ame, controlada por B2W e Lojas Americanas, compra em apenas 22 dias duas empresas da área financeira: a Bit Capital e a Parati Crédito. Com isso, acelera seus serviços de banco digital, em uma estratégia adotada também por Magazine Luiza e Via Varejo

 

Ame movimentou R$ 2,7 bilhões em transações em novembro de 2020

Em 7 de dezembro deste ano, a Ame, fintech da B2W e da Lojas Americanas, anunciou a compra da Bit Capital, uma pequena startup financeira que atua com blockchain e open banking. Nesta terça-feira, 29 de dezembro, ela adquiriu outra empresa de serviços financeiros: a Parati Crédito, por R$ 34 milhões.

O que poucos sabem é que a compra de Bit Capital e Parati Crédito, separadas por 22 dias, estão interligadas. A primeira empresa é dona de uma solução que permite criar conta digital, ter cartão, realizar TED, emitir boletos e fazer transferências via PIX.

Mas a Bit Capital não tinha licença do Banco Central para operar esses serviços. Para isso, a startup contava com uma parceria com a Parati Crédito para realizar essas transações para os seus clientes – entre eles, a Ame.

Com as duas companhias debaixo de seu guarda-chuva, a Ame reforça seus produtos financeiros e abre o espaço para acelerar os serviços de banco digital. A transação precisa ainda ser aprovada pelas autoridades reguladoras.

De acordo com comunicado divulgado ao mercado por B2W e Lojas Americanas, a Parati possui acesso direto ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SBP) e ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI). Ela atua ainda como bank as a service e como Regtech, integrando fintechs ao sistema bancário.

Bit Capital e Parati Crédito devem agora se concentrar apenas nos serviços da própria Ame, deixando de lado outros clientes, segundo apurou o NeoFeed. “A Ame tem apenas dois anos, está em um crescimento acelerado e nem começou os investimentos pesados na plataforma”, diz uma fonte.

A transação faz parte de uma estratégia que todos os principais varejistas online e offline brasileiros estão adotando. Além de atrair clientes aos seus sites e lojas físicas, essas companhias estão aumentando a oferta de serviços financeiros tanto aos seus consumidores, como aos vendedores de seus marketplaces.

A Ame, por exemplo, conta com mais de 15 milhões de clientes pessoas físicas e mais de 2,8 milhões de estabelecimentos comerciais conectados à sua plataforma, que poderão contar com conta digital, cartão de crédito, cartão pré-pagos, empréstimos e integração com o PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. Em novembro, a Ame movimentou R$ 2,7 bilhões em transações.

Os rivais de B2W e Lojas Americanas, que controlam a Ame, tem estratégias semelhantes. Na semana passada, o Magazine Luiza comprou por R$ 290 milhões a Hub Fintech e passou a ser dono de uma operação com 4 milhões de contas digitais e cartões pré-pagos ativos, que movimentaram R$ 7 bilhões nos últimos 12 meses.

“A aquisição da Hub adianta em vários anos a jornada de desenvolvimento da nossa plataforma de pagamentos, tanto para pessoas jurídicas quanto para pessoas físicas”, disse Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, em comunicado divulgado ao mercado.

A Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Extra, atua nessa área com o banQi, um banco online que tem potencial de ser um unicórnio, como são chamadas as empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

No terceiro trimestre de 2020, o banQi contava com 1,1 milhão de contas digitais e contabilizava R$ 1,2 bilhão de crediários digitais sob gestão. O volume total de pagamentos estava na casa de R$ 120 milhões.

Mercado Livre, por sua vez, conta com o Mercado Pago, que teve um volume de transação de US$ 14,5 bilhões no terceiro trimestre de 2020, um avanço de 91,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

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