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Startups

O Airbnb é o novo WeWork?

Dados mostram que o prejuízo da plataforma de hospedagem mais do que dobrou e levantam dúvidas sobre a abertura do capital da empresa em 2020

 

A plataforma de hospedagem Airbnb parecia ser o paraíso dos investidores. A empresa dizia que foi lucrativa em 2017 e 2018. Mais: projetava uma abertura de capital sem sobressaltos em 2020 via uma listagem direta, onde os acionistas vendem suas ações sem intermediários.

Mas dados revelados com exclusividade pelo site americano The Information, especializado na cobertura dos bastidores do Vale do Silício, trouxeram preocupação aos investidores.

O prejuízo no primeiro trimestre de 2019 mais do que dobrou em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo uma planilha na qual o site teve acesso.

As perdas passaram de US$ 140 milhões para US$ 310 milhões. Ao mesmo tempo, os gastos com vendas e marketing se aceleraram 58%, o maior aumento em comparação com qualquer outra categoria. No período, o investimento nessa área somou US$ 370 milhões.

É incomum empresas prestes a abrir o seu capital aumentar os gastos em vendas e marketing. Ainda mais em um momento em que os investidores estão sensíveis a companhias deficitárias que têm planos de abrir o capital.

A preocupação faz sentido depois da abertura do capital de Uber e Lyft, duas empresas no vermelho que estão com dificuldades de seguir um caminho seguro para a lucratividade.

Ao mesmo tempo, o fracasso do IPO do WeWork soou o sinal de alerta para os investidores. A empresa de escritórios compartilhados tinha uma avaliação privada de US$ 47 bilhões. Agora, está à beira da insolvência e deve ser socorrida pelo Softbank, o principal investidor da companhia.

O aumento incomum dos gastos com marketing pode significar que a companhia está com dificuldade em reter seus consumidores.

“Você quer entender a rapidez com que as empresas estão crescendo, mas também o quanto é impulsionado por repetidos clientes diretos versus aqueles esporádicos via publicidade”, disse Kevin Kopelman, analista da Cowen and Co., ao The Information.

O Airbnb declarou que “não pode comentar dados, mas 2019 é um ano de grande investimento para dar apoio aos nossos anfitriões e convidados.”

É prematuro tirar conclusões com dados de apenas um trimestre. Mas em razão dos fiascos dos IPOs deste ano nos Estados Unidos, qualquer informação negativa deixa atualmente os investidores sensíveis.

No caso do Airbnb, no entanto, há razões para não se alarmar. Pelo menos, por enquanto. A companhia tem em caixa US$ 3 bilhões. E nunca usou uma linha de crédito de US$ 1 bilhão que tem direito, segundo fontes citadas pelo site da CNBC.

A companhia tem em caixa US$ 3 bilhões

Com dinheiro em caixa, a companhia está indo as compras. Em março, pagou estimados US$ 400 milhões pelo HotelTonight, um site especializado em reserva de última hora de quartos de hotéis, acirrando a briga com o Booking.

O Airbnb tem também outros dados que fazem os investidores sorrirem de orelha a orelha. Seu faturamento segue crescendo a altas taxas, embora esteja desacelerando.

Neste ano, a expectativa é que a receita fique entre US$ 4,6 bilhões e US$ 5 bilhões, o que representaria um crescimento entre 28% e 39%. No ano passado, a expansão foi de 42%.

A companhia foi avaliada em US$ 31 bilhões na última vez que recebeu investimentos de fundos de venture capital, em 2016. Um documento interno, divulgado pelo site Recode, mostrou que os executivos a avaliaram em US$ 38 bilhões neste ano.

O verdadeiro valor, no entanto, será conhecido apenas quando a companhia abrir o capital. E o mercado tem sido impiedoso com as empresas deficitárias.

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