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Startups

O drama do WeWork não tem fim (e coloca no divã a indústria de venture capital)

Depois de um IPO frustrado, companhia de escritórios compartilhados pode ficar sem caixa e sua nota de crédito foi rebaixada para o nível junk. Pior: sua queda faz setor repensar as avaliações exageradas das startups

 

Há cerca de dois meses, a WeWork era a menina dos olhos do mercado de capitais nos Estados Unidos. De lá para cá, no entanto, o conto de fadas da startup de escritórios compartilhados se transformou em um verdadeiro drama. E que parece não ter fim.

Depois de cancelar seu IPO e da renúncia forçada de Adam Neumann, seu CEO e cofundador, a WeWork corre o risco de ficar sem caixa a partir de novembro.

De acordo com o jornal britânico Financial Times, a empresa que até pouco tempo se ancorava em uma avaliação privada de US$ 47 bilhões, agora busca um acordo para refinanciar sua dívida e poder respirar. Boa parte da pressão reside em débitos de US$ 2,3 bilhões, que vencem em 2020.

Um dos assessores da companhia no IPO fracassado, o banco JP Morgan lidera a renegociação. E tenta envolver outras instituições nesse processo, entre elas, o Goldman Sachs. Para sair do sufoco, a WeWork busca ainda um novo aporte do Softbank, um dos seus principais investidores, no valor de US$ 1 bilhão.

A situação crítica da startup foi reforçada em um relatório divulgado na semana passada pela Fitch Rating. No documento, a agência de classificação de risco rebaixou a nota de crédito para o nível junk.

“O WeWork vai reduzir drasticamente suas ambições de crescimento”, afirmou a Fitch no relatório, ressaltando a “posição precária de liquidez” da companhia, especialmente com a abertura de capital frustrada, processo no qual a empresa estimava captar entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.

Cortes

O roteiro turbulento da WeWork tem ainda outros componentes. Segundo fontes próximas, a companhia avalia uma primeira leva de demissões. Os cortes devem envolver 500 funcionários, entre engenheiros de software, gerentes de produto e cientistas de dados.

Com o objetivo de reduzir custos, novas baixas estão previstas. As especulações apontam para a possível saída de cerca de 25% dos 12,5 mil profissionais que integram o time global da empresa.

Ao que tudo indica, o impacto não está restrito ao bolso dos funcionários. A revista Forbes, que havia incluído o Adam Neumann na lista dos maiores bilionários do mundo, revisou o patrimônio estimado do ex-CEO da companhia, de US$ 4,1 bilhões para US$ 600 milhões.

Adam Neumann, fundador do WeWork, agora é um ex-bilionário

Neumann deixou o posto em 24 de setembro, diante da pressão de acionistas por conta de fatores como falhas na governança corporativa e questionamentos sobre transações pessoais efetuadas pelo empreendedor envolvendo recursos da empresa.

Esses e outros aspectos contribuíram para que, antes de cancelar a abertura de capital, a companhia e seus assessores e investidores considerassem rebaixar a avaliação da startup no processo para menos de US$ 20 bilhões.

Efeitos

As turbulências no roteiro da WeWork não devem ficar restritas à companhia. No mercado, o colapso do IPO e todos os problemas que vieram à tona nesse processo também colocam em xeque o ecossistema de fundos de venture capital. E os possíveis erros cometidos por essas empresas que ajudaram a inflar os valores de mercado de muitas startups de tecnologia.

Esse contexto é reforçado por outras novatas que foram alçadas ao status de unicórnio a partir dos bilhões injetados por esses fundos. E que acusaram o golpe quando se tornaram empresas públicas, com quedas acentuadas em suas ações e valores de mercado. A lista inclui Uber, Lyft, Peloton e outros nomes cujos investidores agora perdem dinheiro com ativos depreciados.

Uma reportagem do The Wall Street Journal expõe as distorções desse ecossistema. E usa como exemplo o fundo Fidelity Investments que, em julho de 2018, definiu sua posição na WeWork ao preço de US$ 102 por ação. E, em março, reduziu essa avaliação para US$ 54 por ação, quase metade da valor estipulado oito meses antes.

A soma de startups que ainda não comprovaram a fama e a fortuna que conquistaram antes de estarem sob a mira de Wall Street pode levar o mercado a repensar suas práticas e está levando toda a indústria de venture capital ao divã.

O que é reforçado por analistas consultados pelo jornal americano, os quais reforçaram que, na prática, os fundos de investimento não sabem avaliar adequadamente uma startup unicórnio.

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