O dilema da Qualicorp, segundo o Credit Suisse

Piora da situação macroeconômica vai exigir que administradora de planos de saúde se equilibre entre diminuir perda de beneficiários e compense efeitos da inflação sobre seus tiquetes

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Valor de mercado da Qualicorp soma R$ 3,1 bilhões

A situação não anda nada boa pelos lados da Qualicorp. A administradora de planos de saúde vem registrando nos últimos trimestres uma combinação de redução no número de beneficiários, pressão sobre custos e as consequências do aumento das despesas com comissões em 2021. 

Esses problemas persistiram no primeiro trimestre e ganharam mais um agravante, segundo os analistas do Credit Suisse: a piora situação macroeconômica do País, que vai forçar a companhia a se equilibrar entre o esforço de reduzir o índice de cancelamentos de planos coletivos por adesão, o chamado churn, e não ter perdas para a inflação. 

O dilema, combinado com o baixo desempenho apurado no começo do ano, está levando as ações da Qualicorp a registrarem o pior desempenho entre os papéis que compõem o Ibovespa nesta quarta-feira, dia 11. Por volta das 14h55, as ações da Qualicorp recuavam 10,72%, a R$ 10,74, acumulando perda de 33,7% no ano. O valor de mercado da companhia soma R$ 3,1 bilhões. 

Segundo os analistas Maurício Cepeda e Pedro Caravina, embora a Qualicorp tenha registrado o menor churn dos últimos cinco trimestres nos primeiros três meses do ano, de 10,7%, ele foi obtido pela menor concentração de ajustes de preços no começo do ano. 

Mesmo assim, a estratégia não foi capaz de evitar a perda de beneficiários. O churn permaneceu elevado e a companhia teve que lidar com uma desaceleração sequencial de vendas brutas para 115,2 mil vidas no trimestre. Esta combinação resultou numa variação líquida negativa de 16 mil beneficiários no primeiro trimestre. 

Olhando para frente, a estratégia de segurar reajustes vai ficar cada vez mais complicada para a Qualicorp, diante da necessidade dela de recompor os tíquetes corroídos pela inflação. Mas conciliar reajustes com manutenção de beneficiários não será simples, considerando a situação do País. Na melhor das hipóteses, os beneficiários vão acabar buscando planos mais baratos. Na pior, o churn pode voltar a piorar. 

“Acreditamos que existe um ‘risco positivo’ se o churn de beneficiários recuar para os índices atuais de vendas brutas, mas as indicações desta tendência são poucas, considerando a pressão macroeconômica”, diz um trecho do relatório. 

Apesar da visão negativa, os analistas do Credit Suisse destacaram os esforços da Qualicorp de reduzir despesas nas linhas de marketing, controle interno de gastos e  estorno de cerca de R$ 1,2 milhçao de despesas provisionadas em 2021 e não efetivadas, além da racionalização de incentivos aos canais de vendas. 

No primeiro trimestre, a Qualicorp registrou um lucro líquido de R$ 74,1 milhões, queda de 35,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida recuou 3,7% em base anual, enquanto o Ebitda ajustado caiu 9,2%, para R$ 252,8 milhões.

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