O jogo virou: Afterverse, empresa de games da Movile, corta até 60 funcionários

A Afterverse demitiu aproximadamente 20% de sua força de trabalho, unindo-se a uma lista extensa de empresas como Mercado Bitcoin, VTEX, Favo, Olist, Facily, QuintoAndar e Loft, que também realizaram cortes

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O PK XD é um dos jogos da Afterverse

Mercado Bitcoin, VTEX, Favo, Olist, Facily, QuintoAndar, Loft… A lista de empresas tech que estão demitindo ganhou mais um nome: a Afterverse, empresa de games da Movile, dona do iFood.

A companhia demitiu cerca de 60 funcionários na sexta-feira, 3 de junho, apurou o NeoFeed. O número representa aproximadamente 20% de sua força de trabalho, que era de 270 pessoas.

Procurada, a Afterverse, em comunicado, informou que “em função do momento do mercado global e de redefinições de estratégias da empresa, realizamos um ciclo de movimentações repriorizando iniciativas internas. Diante disso, tornou-se necessário realizar o desligamento de algumas pessoas.”

O número de funcionários demitidos não é confirmado pela companhia, que diz que está auxiliando em uma futura recolocação no mercado os empregados que perderam o emprego.

Em recente entrevista ao NeoFeed, o fundador e CEO da Afterverse, Breno Masi, disse que para equilibrar as contas as contratações estavam sendo desaceleradas. Na ocasião, o empreendedor afirmou também que estava antecipando o break even da companhia para o fim deste ano.

A Afterverse, que foi criada em 2019, como um spin-off da PlayKids, vendida para a empresa inglesa Sandobx, tem dois jogos: o Crafty Lands, inspirado no Minecraft, da Microsoft, e o PK XD, um metaverso para ser explorado por crianças de oito até 13 anos. Ela planeja lançar um terceiro game neste ano.

Recentemente, a companhia contratou o banco de investimento UBS para buscar um sócio. O plano é atrair um parceiro estratégico, que ajude a escalar à operação. A meta é chegar a 100 milhões de usuários mensais – hoje, esse número está na casa dos 50 milhões.

Os cortes da Afterverse acontecem em meio a um cenário de restrições de novos investimentos e apelos de diversos fundos de venture capital para que as startups de seus portfólios preservem o caixa para evitar a “espiral da morte”.

O Sequoia Capital, icônico fundo do Vale do Silício que já captou cerca de US$ 20 bilhões e traz no currículo aportes iniciais em companhias como Apple, Google e Airbnb, fez um alerta as startups de seu portfólio em uma apresentação com 52 slides.

Nela, o Sequoia destacou que a combinação de mercados financeiros turbulentos, inflação e um conflito geopolítico trazem um “momento crucial” de incertezas e mudanças.

“Este não é um momento para entrar em pânico. É tempo de pausar e reavaliar”, escreveu a gestora. “Não veja (os cortes) como algo negativo, mas como uma forma de economizar dinheiro e correr mais rápido.”

No Brasil, várias startups já apertaram o cinto. Os primeiros cortes se tornaram públicos em abril. A Loft, por exemplo, informou ter desligado 159 funcionários por conta da incorporação da CrediHome. O QuintoAndar, por sua vez, realizou um corte de 4% na base de funcionários, o que resulta em algo próximo de 160 desligamentos.

A Facily demitiu mais de 200 pessoas seis meses depois de se tornar uma startup bilionária. Olist, que também é unicórnio, cortou 50 pessoas. Mais recentemente, a VTEX, que abriu o capital na Bolsa de Nova York, aderiu a onda de demissões ao cortar 200 funcionários, em uma iniciativa para preservação de caixa.

A plataforma de criptomoedas Mercado Bitcoin fez aproximadamente 90 demissões, alegando a mudança do panorama financeiro global, a alta dos juros e da inflação, o que causaram um grande impacto nas empresas de base tecnológica.

Até mesmo operações internacionais resolveram botar o pé no freio. É o caso da Favo, uma plataforma de supermercado online com foco na classe C fundada no Peru, que encerrou as operações no Brasil e demitiu 170 pessoas.

Nos Estados Unidos, um levantamento realizado pelo Crunchbase contabiliza mais de 17 mil demissões em empresas de base tecnológica em 2021. Os cortes atingiram funcionários de empresas como Netflix, Robinhood e Clubhouse, para citar alguns nomes conhecidos dos brasileiros.

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