Os trunfos e os “truques” de Gympass e VTEX para se tornarem globais

Cesar Carvalho, da Gympass, e Geraldo Thomaz, da VTEX, discutiram como as duas empresas brasileiras conseguiram competir globalmente no Brasil at Silicon Valley

0
0
Leia em 3 min

Os fundadores da VTEX, Mariano Gomide e Geraldo Thomaz (à dir.), em frente a Bolsa de Nova York

Mountain View (Califórnia) – O Brasil sempre foi grande demais para as startups que nasceram no País. Por isso, e até pela dificuldade de competir globalmente, a maioria não tinha ambições de cruzar as fronteiras em busca de outros mercados.

Mas, aos poucos, isso está mudando. E cada vez mais startups brasileiras estão conquistando o mundo. São os casos de Gympass e VTEX, cujos principais empreendedores, Cesar Carvalho e Geraldo Thomaz, respectivamente, participaram de uma discussão ao lado de Alex Szapiro, managing partner do Softbank na América Latina, durante o Brazil at Silicon Valley, que acontece em Mountain View.

Carvalho, cuja operação está presente em 14 países, como Estados Unidos, Reino Unido, México, Alemanha, Espanha e Itália, disse que “o Brasil tem potencial para ter líderes em todos os segmentos do mundo”, exaltando a resiliência e criatividade do empreendedorismo brasileiro.

O fundador da Gympass fala com conhecimento de causa sobre o “jeitinho” brasileiro de improvisar em momentos de crise e dificuldade. Durante a pandemia, ele foi na contramão do mercado e investiu na Gympass quando todas as demais empresas de wellness tiravam o pé do acelerador.

A decisão de focar as energias em aulas e exercícios online, ao lado de 5 mil parceiros, se provou acertada. E a Gympass levantou, em 2021, US$ 220 milhões em uma rodada que levou sua avaliação a US$ 2,2 bilhões, mais do que o dobro da sua cifra inicial, de US$ 1 bilhão, em junho de 2019.

Desde o começo da pandemia, a Gympass conquistou 1 mil novos clientes corporativos, elevando sua base de clientes a 3 mil empresas.

Szapiro, que mediou o debate, provocou os dois empreendedores. “A gente sabe muito bem qual a cultura americana, qual a cultura alemã, mas o que é nosso?”, questionou ele.

Thomaz, da VTEX, colocou a flexibilidade nacional como um ponto forte. “O americano aposta na compartimentalização das tarefas e da estratégia, já o brasileiro é muito versátil”, respondeu o fundador da VTEX, que tem mais de 2,4 mil clientes e conta com mais de 3,2 mil lojas onlines ativas em 38 países.

Cesar Carvalho, fundador da Gynpass

Thomaz ponderou ainda que essa característica brasileira pode ter impactos na eficiência e produtividade de uma companhia, mas que “nós aprendemos a lidar com isso”.

A VTEX chegou à bolsa de Nova York em 2021, avaliada em mais de US$ 3 bilhões. Hoje, a companhia que é dona de uma plataforma de comércio eletrônico vale US$ 840 milhões, sofrendo com a queda dos ativos de tecnologia que afeta a maioria das empresas da área.

Apesar da queda do ação na bolsa, Thomaz insiste na necessidade de não copiar modelos e experiências. “Quando começamos a olhar para fora, a gente estudou muito o movimento de outras empresas que internacionalizaram”, diz Thomaz. “Olhamos o que muita gente fez, mas criamos um modelo próprio.”

Leia também

Brand Stories