O que o PayPal quer com o Pinterest?

O PayPal pode comprar a rede social de compartilhamento de imagens por US$ 45 bilhões em uma estratégia para ir além dos pagamentos e se consolidar como um superapp

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O Pinterest tem uma base de 454 milhões de usuários

A notícia de que o PayPal estaria negociando a compra do Pinterest, publicada pela agência de notícias Bloomberg, atraiu boa parte dos holofotes no mercado de tecnologia.

Além do valor da transação, US$ 45 bilhões, que se concretizado seria o investimento mais polpudo do PayPal em uma aquisição, as atenções se voltaram para uma questão em particular: afinal, o que o PayPal quer com o Pinterest?

Na sequência da divulgação do interesse, não confirmado por nenhuma das partes envolvidas na suposta negociação, alguns analistas do setor tentaram responder a essa questão.

Com a rede social de compartilhamento de imagens, o PayPal, sob o comando do CEO Dan Schulman, reforçaria a aspiração de ir além do seu modelo tradicional para se transformar em um superapp, nos moldes de ecossistemas chineses como o WeChat e o Alipay.

Como pano de fundo para esse movimento, estariam componentes como a concorrência de empresas como Stripe e Square, em seu espaço mais tradicional, e de conceitos que estão ganhando escala no mercado, como o modelo de “buy now pay later”, expresso em companhias como Affirm e Klarna.

No caso do Pinterest, que abriu capital em 2019, levantando US$ 1,3 bilhão, o racional do acordo estaria em adicionar uma plataforma consolidada de pagamentos digitais, com 403 milhões de contas ativas, na busca recente por rentabilizar sua base de 454 milhões de usuários por meio do comércio eletrônico.

Ao se conectar com o Pinterest, o PayPal teria um canal integrado ao início da jornada das compras e teria acesso a informações sobre comportamentos de compra que poderiam ser extremamente valiosos para os vendedores cadastrados em sua plataforma.

“As empresas de pagamentos estão em uma posição única para avançar rumo à publicidade, com dados valiosos de transações que jogam luz sobre as preferências e hábitos do consumidor”, escreveu Ramsey El-Assal, analista do banco Barclays, em relatório citado pela Bloomberg.

El-Assal acrescentou: “É importante observar que ter a visibilidade dos dados de transações no nível de produto pessoalmente identificáveis é um tanto incomum na cadeia de valor de pagamentos”, observou ele, para quem, pagamentos e publicidade “são melhores juntos”.

O PayPal já vem investindo em outras iniciativas para ampliar seu escopo. A empresa vem trabalhando, por exemplo, na criação de uma conta de poupança de alto rendimento e em uma plataforma para investidores do varejo.

Outras aquisições seguem nessa direção. Em setembro deste ano, a empresa pagou US$ 2,7 bilhões pela Paidy, japonesa que atua sob o conceito de “buy now pay later”. Em 2019, a empresa já tinha desembolsado US$ 4 bilhões pela Honey, plataforma de compras que oferece descontos e cashback.

É justamente no histórico de aquisições mais recentes do PayPal que os analistas enxergam alguns dos grandes desafios de uma eventual compra do Pinterest.

Analistas da consultoria AllianceBernstein, Harshita Rawat e Mark Shmulik destacam “riscos de execução significativos” com o acordo e citam o prazo de três anos que o PayPal levou para lançar um produto da iZettle, empresa de pagamentos adquirida em 2018. Outro exemplo citado foram os dois anos para lançar o cashback, a partir da compra da Honey.

Outra questão seria o fato de que, ao ampliar sua presença na jornada de compra dos consumidores, o PayPal começaria a bater de frente com empresas que, atualmente, são suas parceiras, como Amazon e Shopify.

Por outro lado, os analistas citam a desaceleração no crescimento da base de usuários do Pinterest. A rede social avançou bastante na pandemia, mas não vem mostrando consistência para manter esse ritmo.

O fato é que, além do PayPal, o Pinterest já atraiu o interesse de outra gigante de tecnologia. No início do ano, o jornal britânico Financial Times revelou que a Microsoft chegou a negociar a compra do ativo, na época, avaliado em US$ 51 bilhões. Mas as conversas não evoluíram.

Atualmente, o Pinterest está avaliado em US$ 39,5 bilhões e, em meio aos rumores, suas ações fecharam o pregão de hoje com baixa de 2,11%. Já o PayPal, avaliado em US$ 285,7 bilhões, viu seus papéis encerrarem o dia em queda de 5,86%.

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