O tombo bilionário dos fundos multimercados e de ações

Patrimônio dos fundos de investimento alcança R$ 7,2 trilhões com expansão de R$ 8 bilhões no primeiro semestre. Inflação pressionada e alta contínua da Selic forçam migração de investidores para renda fixa. Multimercados e ações apanham

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A inflação pressionada e o aumento contínuo da taxa de juro fizeram dos multimercados e ações as vítimas preferenciais na indústria de fundos no primeiro semestre de 2022.

Nos primeiros seis meses, os fundos multimercados tiveram resgates líquidos de R$ 61,8 bilhões e as carteiras de ações registraram saídas de R$ 49,5 bilhões no período. Em contraponto, os fundos de renda fixa acolheram R$ 88,8 bilhões de dinheiro novo.

Apesar da captação expressiva na renda fixa, ela representa queda de 25% na comparação com o primeiro semestre do ano passado porque parte dos investidores de renda fixa optaram por produtos da mesma categoria, principalmente aqueles que oferecem isenção de imposto de renda, informa Pedro Rudge, vice-presidente da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

A migração que ocorreu entre as diversas modalidades de fundos de investimento não foi acompanhada por uma elevação expressiva do patrimônio líquido total da indústria, que avançou R$ 8 bilhões no primeiro semestre deste ano, para R$ 7,2 trilhões. Esse montante é substancialmente inferior ao ingresso líquido de R$ 272,5 bilhões observados de janeiro a junho de 2021, informa a ANBIMA.

As três categorias mais populares da indústria de fundos no Brasil – renda fixa, multimercados e ações – fecharam o primeiro semestre, respectivamente, com patrimônio de R$ 2,798 trilhões, R$ 1,569 trilhão e R$ 468,14 bilhões.

A evolução da taxa básica explica a movimentação dos investidores em busca de mais retorno. Em junho de 2021, a Selic estava em 4,16% ao ano. Em junho deste ano, a Selic alcançou 13,25% – patamar atual e que deverá ser ultrapassado por mais um aumento a ser anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião dos dias 2 e 3 de agosto.

A expectativa do mercado é de alta da Selic em mais 0,5 ponto percentual, para 13,75%. No mercado futuro de juros, porém, já há indicação de que a Selic pode chegar a 14% ao ano. Com o juro acachapante, os gestores das carteiras reafirmaram seu perfil também conservador.

Dados da ANBIMA sobre o patrimônio líquido dos fundos de investimento por ativos mostram a preferência dos gestores por manter recursos lastreados em dívida pública – seja em compras definitivas de títulos federais ou aplicações de curtíssimo prazo nesses títulos que são contratadas diretamente com o Banco Central (BC). Essas aplicações são denominadas “operações compromissadas” do BC com o mercado.

As aplicações em títulos públicos são consideradas seguras, garantidas pelo Tesouro Nacional que é o emissor dos papéis. A remuneração desses ativos é próxima à taxa Selic, quando as aplicações são pós-fixadas, e chega a 6% ao ano quando os títulos negociados são indexados à variação do IPCA. Para se ter uma ideia da relevância da dívida pública federal para as aplicações financeiras no Brasil, em maio o saldo da dívida mobiliária totalizou R$ 5,475 trilhões.

Em maio deste ano, último dado fornecido pela ANBIMA, R$ 3,85 trilhões do patrimônio dos fundos de investimento estavam aplicados em títulos federais e operações compromissadas – montante que assegura a rolagem da dívida pública em mercado.

Quanto às taxas de rentabilidade acumuladas no primeiro semestre, 14 dos 16 tipos da classe renda fixa registraram resultado positivo, com destaque para renda fixa duração alta grau de investimento, que investe 80% em títulos públicos federais ou em ativos com baixo risco de crédito, com retorno de 8,22%.

Os fundos multimercados renderam entre -1% e 11,21%. Performances vindas, respectivamente, de estratégia específica de aplicação e multimercados macro. E 10 dos 12 tipos de classe de ações tiveram rentabilidade negativa.

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